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E(L!)eições 2018 - Fernando Haddad: 'O esporte como identidade brasileira e força para gerar empregos'

26/10/2018 07h00

A perspectiva de uma retomada do Brasil como uma potência esportiva traça o discurso de Fernando Haddad. Na disputa do segundo turno pelo Partido dos Trabalhadores (PT), ele promete resgatar projetos que considera bem-sucedidos no governo de Dilma Rousseff e ainda tem como meta trazer novos programas para a pasta.

O LANCE! apresenta nesta sexta-feira uma nova rodada de matérias com candidatos que foram para o segundo turno da Presidência da República. Foram enviadas por e-mail três perguntas a cada candidato, desta vez personalizadas, com temas levantados por eles quando foi confirmada a realização do novo pleito.

L!: O senhor afirmou em seu pronunciamento o desejo de unir os democratas do Brasil. No Ministério do Esporte, podemos esperar um investimento também de forma democrática (na área de inclusão social ou alto rendimento)?

Fernando Haddad: Sim, é exatamente isso que o governo Haddad fará. Vamos tirar do papel uma proposta antiga, defendida pelos especialistas, que é a implantação do Sistema Único do Esporte, de modo a resolver o bate-cabeças de entre as três esferas de governo (federal, estadual e municipal) na oferta de políticas articuladas de esportes. O sistema vai integrar os recursos e os esforços para garantir apoio efeito ao esporte de alto rendimento, ao esporte escolar e ao esporte de recreação.

O Ministério do Esporte, na gestão Haddad, promoverá investimentos de forma democrática, com ações que valorizem o esporte como prática que constrói a cidadania, como instrumento de formação educacional e integração social que contribui para a convivência em comunidade e para a vida saudável.

Compreendemos o esporte como um dos pilares constitutivos da identidade brasileira e como uma força para gerar riquezas e empregos. Sua capacidade de mobilizar crianças, adolescentes e jovens permite a implementação de ações transversais nas áreas de educação, saúde e segurança cidadã.

Serão retomados os investimentos na infraestrutura de equipamentos esportivos, sobretudo reforma e requalificação de quadras nas escolas. O foco será nos equipamentos voltados às juventudes e na acessibilidade para pessoas idosas e com deficiência. Além disso, serão promovidos o esporte escolar e a integração da política de esporte com as demais políticas públicas, o que inclui o apoio aos municípios na criação de espaços livres para prática espontânea de esporte pela população.

O governo Haddad investirá tanto no esporte amador quanto no de alto rendimento. Com relação a esse último, o Plano Brasil Medalhas será relançado e aperfeiçoado, bem como os investimentos na Rede Nacional de Treinamento.

L!: O senhor disse que sua principal arma para o segundo turno será o argumento. Em que podemos confiar que o PT dará condições para o Esporte evoluir?

Nossos governos investiram muito no esporte. Podemos destacar a criação do Bolsa Atleta, a aprovação da Lei de Incentivo ao Esporte, induzindo a uma maior participação das empresas no patrocínio esportivo, a recuperação da vocação esportiva das Forças Armadas e dos Clubes Esportivos Sociais, construção e requalificação de milhares de quadras esportivas, a recuperação dos equipamentos esportivos da maioria das modalidades esportivas, com a aquisição de equipamentos que permitiram um grande salto de qualidade na preparação dos atletas nacionais, além da organização dos grandes eventos esportivos.

A Copa do Mundo Fifa 2014 e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016, para citar apenas dois exemplos, induziram investimentos urbanos, modernizaram nossa infraestrutura esportiva, geraram investimentos em aeroportos e na economia do turismo. Mostramos ao planeta que, fora de campo, somos capazes de receber povos do mundo todo.

No governo Haddad, será tarefa urgente reverter o sucateamento de parte das estruturas criadas e retomar os investimentos em manutenção, operação e construção, abandonados em grande parte pelo governo de Temer, bem como recuperar o legado dos governos do PT, aperfeiçoar e avançar nessas iniciativas.

Nosso plano de governo entende que o desenvolvimento do esporte deve ser tratado como política de Estado. Por essa razão, propomos um debate nacional para a criação do Sistema Único do Esporte, definindo o papel da União, Estados, Distrito Federal, Municípios e das entidades esportivas na oferta de políticas de esporte (sistema quadripartite), a exemplo do que ocorre na saúde, com o SUS. A governança desse Sistema deve assegurar a participação e controle social e a otimização dos recursos públicos.

Para promover um grande salto na gestão do esporte brasileiro, nosso governo vai implementar a Universidade do Esporte, articulando ensino, pesquisa e extensão, visando a formação de profissionais de nível internacional voltados para toda a cadeia produtiva do esporte (gestão esportiva, saúde, pesquisa e políticas públicas).

L!: O governo deve herdar um déficit financeiro. Teremos risco de redução no investimentos no esporte?

Não. A Emenda Constitucional 95, que congela os investimentos públicos por 20 anos, editada pelo governo ilegítimo de Temer, com o apoio de Bolsonaro, inviabiliza o Brasil e sucateia as políticas sociais, sobretudo as de esporte.

Eleito presidente, vou propor ao Congresso Nacional a revogação da Emenda 95 para assegurar a continuidade dos investimentos em esporte, saúde e educação. As medidas econômicas que serão adotadas pelo governo Haddad farão a roda da economia girar novamente, o que elevará o nível de emprego com carteira assinada e aumentará a arrecadação do Estado.

Especificamente com relação ao futebol, nosso Plano de Governo prevê o lançamento, via BNDES, de um Programa de Modernização da Gestão do Futebol, que vinculará investimentos em modernização da gestão dos clubes, bem como todos os incentivos fiscais, ao cumprimento de metas como eficiência e sustentabilidade financeira, transparência na gestão, mecanismos de participação dos sócios e torcedores, e compromisso social.

Para que isso ocorra, os clubes que fizerem opção pelo programa de modernização financiado pelo BNDES deverão exigir que suas entidades representativas pactuem, sejam solidárias, com as medidas modernizantes descritas acima.

Vamos garantir que o Profut, criado pela Lei 13.155, do governo Dilma, saia do papel, e vamos fortalecer, inclusive do ponto de vista da fiscalização, a Autoridade Pública de Governança do Futebol. Não é possível que nossa principal cadeia econômica de lazer perca tanto espaço no cenário internacional. O futebol tem que ser concebido como uma potente âncora econômica, capaz de gerar e distribuir riquezas.

QUEM É ELE

Nome completo: Fernando Haddad (PT)

Nascimento: 25/01/1963 - São Paulo

Vice: Manuela D'Ávila (PCdoB)

Coligação: O Povo Feliz De Novo - PT - PROS - PCdoB

Ocupação declarada: Professor de Ensino Superior

Valor em bens declarados: R$ 428.451,09

NO ESPORTE

Time de coração: São Paulo

Ídolo no esporte: Não respondeu

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