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Artilheira do Brasileiro Feminino, Dany Helena fala em 'luta por mais visibilidade e valorização'

26/10/2018 06h50

A trajetória do Flamengo/Marinha no Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino terminou mais cedo, com a eliminação para o Corinthians durante as semifinais. Entretanto, o time tem motivos de sobra para se orgulhar da campanha no torneio, principalmente por ainda dominar a artilharia com a atacante Dany Helena. Grande destaque do Rubro-Negro nesta temporada com 15 gols anotados na Série A, ela foi convocada pela primeira vez para a Seleção Brasileira na semana passada.

A marca, que equivale a de Gabriel Barbosa, o "Gabigol", atacante do Santos e artilheiro na categoria masculina da competição, ampliou a visibilidade da jogadora no cenário nacional e, se depender da dedicação dela, o destaque será ainda maior no Campeonato Carioca. Isso porque o Rubro Negro já ocupa a vice-liderança do Grupo A, com nove pontos, e ainda não sabe o que é perder.

- Está sendo um ano muito especial pra mim. Meu desempenho foi bom e consegui marcar gols e ajudar a equipe. Em comparação com o masculino, o futebol feminino ainda está muito distante, mas a luta continua pra ter mais visibilidade e valorização - disse Dany Helena ao LANCE!.

Nascida em Ceilândia (DF), Dany não enfrentou preconceito em seu círculo mais próximo, ao contrário da maioria das meninas que começam no esporte. A jogadora contou com o apoio dos pais, Márcia e Daniel, para iniciar a carreira nas quadras da cidade como atleta do time de futsal do Curso Oswaldo Cruz (COC). Neste período, ela ingressou na Universidade de Brasília, onde cursou Educação Física e começou a carreira profissional nos gramados atuando no Cresspom. Lá, foi artilheira por três anos no campeonato local.

- Graças a Deus minha família sempre me apoiou muito desde pequena. Sempre me levavam para os treinos e jogos, e agora, mesmo de longe eles ainda acompanham e me mandam muita força. Preconceito sempre tem, mas acredito que com o tempo está diminuindo e estão começando a aceitar e a respeitar mais.

Na antiga rotina, a atleta chegou a ser professora durante o dia e treinava apenas a noite. Ainda assim, foi vice-artilheira da Copa do Brasil em 2016, com nove gols e levou o Cresspom à terceira colocação do torneio. Em seguida, se transferiu para o Foz Cataratas, disputou a Libertadores e ainda integrou o amazonense Iranduba antes de conquistar o Mundial Militar pela Marinha e acertar com o Flamengo.

Em Brasília não há equipes nas disputas dos principais torneios nacionais, mas isso não impediu a jogadora de sonhar em atuar ao lado de grandes nomes do esporte, como Cristiane e Marta, eleita pela sexta vez a melhor do mundo pela Fifa, em 2018. Aos 26 anos, Danyelle sabe que ainda tem uma longa jornada pela frente, mas hoje, com 20 gols marcados na temporada, comemora a boa fase, que lhe rendeu a primeira convocação para a Seleção Brasileira, na semana passada.

- Fiquei muito feliz com a notícia, com certeza estarei realizando um sonho, espero aprender muito e continuar sendo convocada - disse a jogadora que entrou na lista do técnico Vadão para realizar um período de treinos no elenco.

Apesar da evolução e reconhecimento que adquiriu ao longo da carreira, a brasiliense entende que o futebol feminino ainda é pouco valorizado e passa longe dos holofotes do masculino. A realidade pouco favorável não interfere no otimismo de Dany, que aponta as mudanças necessárias para que a modalidade ganhe mais atenção do público.

- É preciso mais patrocínios, apoio, estrutura para que tenhamos mais equipes profissionais, mais divulgação na mídia e transmissão dos jogos. Só assim será possível que as pessoas assistam e conheçam o futebol feminino - finalizou a artilheira do Brasileirão.

*Estagiárias sob a supervisão de Bernardo Cruz

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