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Conselho trata de aditivos da Crefisa nesta 2ª; veja o que defende cada lado

20/08/2018 10h00

O Conselho Deliberativo (CD) do Palmeiras se reúne na noite desta segunda para tratar dos aditivos nos contratos de investimento da Crefisa para a contratação de jogadores. A convocação foi um pedido do presidente Maurício Galiotte, após divergências com o Conselho de Orientação e Fiscalização (COF).

O órgão reprovou os balancetes dos três primeiros meses de 2018 por conta da alteração nos contratos, que transformou os R$ 120 milhões gastos por Leila Pereira de um acordo de patrocínio em um empréstimo. Os cofistas não concordam com a forma como a alteração foi feita, motivada pela multa que a empresa recebeu da Receita Federal (relembre todo o caso aqui).

A reunião ocorrerá da seguinte forma: as partes vão dar explicações sobre os aditivos, e no fim os conselheiros serão chamados nominalmente para votar se as mudanças contratuais valem, ou não. A maioria simples vence, e a expectativa é de que os contratos sejam validados, já que Galiotte e Leila contam com a maioria no CD.

Até por isso, a oposição argumenta que a diretoria buscou uma forma "oblíqua" para validar algo que começou errado, tanto que tentou vetar a reunião na Justiça Comum, mas não obteve sucesso. A situação, por sua vez, argumenta que a discussão no COF é política, já que Mustafá Contursi ainda tem peso no órgão e tornou-se inimigo de Leila Pereira.

Veja a posição de todos os lados envolvidos:

- Seraphim Del Grande, presidente do Conselho Deliberativo:

"Desde janeiro há uma situação entre COF e diretoria que precisa ser solucionada. Tiveram balancetes que não foram aprovados, e o presidente do Palmeiras, que estatutariamente tem este poder, convocou a reunião para deliberar sobre os aditivos da Crefisa. Vamos ter a manifestação da diretoria, do COF, de alguns conselheiros e vamos colocar em votação os aditivos. O Conselho Deliberativo é o órgão soberano, e como na realidade este impasse vem desde janeiro, eu até esperava a qualquer momento o COF convocar a reunião, mas não se manifestou. Pelo estatuto, qualquer irregularidade que o COF ache que tenha, precisaria submeter ao Conselho. Como não fizeram, o Maurício tinha certeza de que iria até o fim do ano com este problema, e pediu a definição no Conselho".

- Savério Orlandi, conselheiro, membro do COF e contrário aos aditivos:

"O COF examinou, conversou com departamentos, com o jurídico, fez um trabalho com cuidado, de forma técnica e sem viés político. O Palmeiras fez a operação inicialmente como patrocínio e com tudo que aconteceu acabou sendo convertido a um empréstimo. Pelos estudos, e com um parecer aprovado por unanimidade no COF, concluímos que as operações têm problemas formais, pequenos descumprimentos. A transformação da dívida em empréstimo é totalmente divorciada da ideia inicial das partes. A ideia era se promover com o investimento, se o Palmeiras vendesse (os atletas) restituiria até onde recebeu (da Crefisa); se vendesse por um valor menor, ficariam 'elas por elas'. Agora é preciso devolver tudo, com ou sem negociação. E até a última amortização, um contrato será vinculado ao outro para garantir os valores. Se soubesse que seria isso, o clube poderia ter refletido se faria os investimentos como fez.

Alegam que a dívida está coberta, mas é relativo. A gente não sabe se todos vão ser eventualmente negociados ou não, e se as compensações vão passar os R$ 120 milhões, o que acho pouco provável. Além disso, o contrato de empréstimo prevê remuneração (de juros). Eles fizeram pelo menor valor, o CDI, o que é ótimo. Mas quando o acordo era de patrocínio o clube estava disposto a assumir este encargo financeiro? São cerca de R$ 750 mil por mês (em juros), o que em cinco anos poderia aumentar quase em um terço a dívida. Eu respeito o que ela (Leila) fala, mas não concordo. Acho uma bobagem nortear a discussão como Leila x Mustafá, bem x mal. Isto não existe. Estamos vendo o aspecto técnico.

Outra questão é que teria de ser levado em consideração do acordo inicial de patrocínio é que teve efeito com a apresentação de jogadores na FAM, o elogio ao esforço da patrocinadora. Ou seja, o objeto inicial foi consumado, deveria ter sido feito um corte (abatimento no valor total). Há ainda o fato de que o Maurício saiu de licença no dia 22 de dezembro e assinou os documentos em janeiro, datados do dia 26 de dezembro, quando ele estava fora do Brasil e o Genaro (Marino, primeiro vice) era quem estava no comando. Os contratos primitivos foram assinados em datas diferentes, cada jogador veio em um momento distinto, mas quando se consolidou o novo acordo foi tudo assinado na mesma data, pelas mesmas partes. É bobagem falar que são coisas diferentes, foi criada uma única obrigação.

A estrutura do contrato não está em discussão, ele é regular, juridicamente perfeito. Estamos discutindo os vícios na formação dele. A assembleia (do CD) está dentro do jogo político, mas é uma forma oblíqua para dar legitimidade. Estamos indicando irregularidades estatutárias de forma expressa para não dizer que nós (do COF) não cumprimos nossa função, de fiscalizar. (Esta reunião) Vai conferir uma suposta legitimidade, vai dar um pouco de conforto (à diretoria), mas eu não posso aprovar um balancete quando vejo encargos de R$ 700, 800 mil. Contrair um encargo de quase R$ 10 milhões por ano está errado, não era o que pensávamos na sustentabilidade que o Palmeiras estava seguindo. Não estamos nos distanciando disso, mas este é um percalço danoso para o clube, pois além da parte financeira tem a ingerência (de Leila Pereira). Existe o respeito por ela, achamos que o patrocínio é importante, mas ela não é dona da verdade absoluta".

- Alexandre Zanotta, conselheiro, diretor jurídico e a favor dos aditivos:

"Acho uma pena desperdiçar energia para discutir isso, porque do ponto de vista técnico não tem dúvida que não tem problema, mas politicamente acabam bagunçando tudo e precisamos resolver algo que já foi explicado e apresentado. Este é um ato de gestão, que não tem necessidade de aprovação, nem do COF, nem do Conselho, mas o COF politizou o assunto e começou a rejeitar os balancetes por não concordar com as assinaturas dos aditivos. Se fosse tecnicamente errado, o COF deveria ter alertado ao CD, mas não o fez. Por serem na maioria de oposição e não concordar, eles ficam criando empecilhos e rejeitando os balanços sem argumentos técnicos, só políticos. Agora vai ao Conselho, um órgão com poder até maior que o COF para encerrar o assunto, para decidir se a diretoria ou o COF tem razão.

Estas operações voltam desde 2015, quando a Crefisa entrou e teve a possibilidade de aumentar a verba de patrocínio para reforçar a equipe. Criamos uma estrutura de contrato, e a contrapartida da Crefisa era de explorar a imagem dos jogadores. Tinha uma previsão de que se o jogador fosse vendido, o dinheiro investido pela Crefisa retornaria. Em 2017 houve uma denúncia anônima na Receita Federal, e segundo informações na própria Crefisa a denúncia partiu de dentro do clube. Como havia a possibilidade de devolver o valor, entendeu-se que era um empréstimo. A gente fez um aditamento em dezembro para fazer os ajustes que o Banco Central também determinou. A mudança foi em janeiro deste ano, quando ficou de fato estabelecida a necessidade de devolver os valores. Uma aquisição de 2015 não é a mesma de 2017.

O argumento de que o Maurício estava de licença é uma grande bobagem, porque não tira seu poder de comandar o clube. É o tipo de argumento de quem talvez não está preparado para fazer negócio. Qualquer operação comercial ou esportiva hoje em dia as partes não precisam estar juntas para assinar. A mudança ocorreu no fim do ano, dia 26 de dezembro, a diretoria da Crefisa assinou, mandaram em janeiro o contrato para o Palmeiras assinar. Já assinamos quando o Maurício estava de volta. A remuneração é a mínima que se consegue, também, como eram também os contratos assinados no empréstimo com Paulo Nobre. Foi a mesma estrutura, para não ter discussão. Se na gestão anterior não era um problema, por que agora é?

A parte de patrocínio foi usada muito pouco, até pelo tempo dos contratos, que na maioria eram de 2017. Não deu nem tempo de usar a imagem dos jogadores. A Receita (Federal) falou que teria de ser empréstimo, não foi a Crefisa que exigiu. Nós estudamos alternativas, todas com algum risco, principalmente ao parceiro. Não dá para puxar só para o nosso lado. Transformar em empréstimo era o mais adequado com o mínimo de risco para as duas partes. Para o Palmeiras, a taxa é mais baixa do que qualquer clube conseguiria em qualquer instituição financeira e tem os ativos, que são os jogadores e dos quais temos controle. Se pegar o valor de mercado destes atletas e somar vai dar bem mais do que o emprestado. Três ou quatro já pagariam e sobrariam o valor. A ideia de patrocínio não era possível mais, tiveram problemas com autoridades. Não houve prejuízo como dizem.

Mas será importante para encerrar o assunto e evitar mais questionamentos em relação à legalidade da operação. Em se tratando de Palmeiras, como tudo é politizado acho que vão acabar criando depois alguma outra picuinha. A ideia é deixar as coisas ainda mais transparentes".

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