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Novo técnico terá, no mínimo, dois grandes desafios a lidar no Santos

30/07/2018 06h00

O Santos começa nesta segunda-feira o sprint final para contratar seu novo técnico. Com o planejamento atrasado desde a demissão de Jair Ventura, o clube espera fechar com o novo comandante nas próximas horas para, enfim, começar a entrar no eixo novamente. E o novo treinador terá ao menos dois grandes desafios nos seus primeiros dias no clube: recuperar Gabriel e dar padrão e organização tática ao Alvinegro. Sobra vontade, falta eficiência.

Contra o América, Peixe teve 73% de posse de bola, cruzou 69 bolas na área e finalizou 30 vezes a gol, de acordo com números do Footstats. O problema é que todos esses números, a primeira vista positivos, são o retrato de um time que erra na definição dos lances e se sabota ao insistir em atacar de maneira desorganizada. Foram 56 cruzamentos errados e 24 finalizações para longe do gol... A posse de bola não foi suficiente para evitar a derrota em casa.

Técnico interino, Serginho Chulapa foi deslocado para "apagar um incêndio", enquanto a diretoria não chega a um consenso sobre quem será o novo comandante do Peixe. Sem tempo para treinar e aparentemente sem disposição para brigar pelo cargo, pediu "vontade" e "luta" aos jogadores, para "colocar a bola na rede". O problema é que a falta de um técnico efetivo resgatou a desorganização do time.

Contra o time mineiro, David Braz se arriscou a chegar pelo meio. Dodô correu de um lado para outro tentando preencher lacunas no ataque, Bruno Henrique chegou a tentar armar o jogo e Rodrygo se sacrificou quando passou a jogar centralizado. Isso sem contar o "bate-cabeça" de Sasha e Gabriel no ataque.

O camisa 10, inclusive, remete a outro problema. Este de ordem pessoal. Embora tenha marcado o gol de empate contra o Flamengo, tem sido alvo da impaciência da torcida alvinegra, que passou a temporada inteira até aqui vendo o time oscilar. Gabriel tenta, mas erra muito. E paga o preço por isso, enquanto assiste de camarote ao crescimento de Rodrygo.

Desde o retorno após a pausa para a Copa do Mundo, Gabigol chutou 11 vezes a gol. Acertou dois. Um terminou em gol. Em entrevista coletiva, Chulapa defendeu o camisa 10 alegando que o mesmo não é centroavante de ofício. Contra o América, porém, flutuou por todo o ataque, mas passou boa parte do jogo ocupando o lado direito do ataque, como mostra seu mapa de calor.

- Gabriel é o seguinte: não é centroavante. Quando ele jogava com o Ricardo Oliveira, toda hora estava na cara do gol. Ele tem que vir de trás e pelas pontas. E tinha um centroavante de referência. Quando tiver, tendência é que ele melhore - explicou o interino.

Quando mais tempo o Santos demorar para colocar o novo treinador para trabalhar, seja ele quem for, mais o próprio time corre o risco de colocar tudo a perder na temporada nos próximos jogos. Nesta quarta-feira, o adversário da vez já será o Cruzeiro, em jogo válido pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Diante de um time organizado, vontade apenas não bastará.

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