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Cartões na comemoração? Veja opinião de ex-árbitros e jornalistas

25/07/2018 11h48

Nas duas primeiras rodadas do Brasileirão após a pausa para a Copa do Mundo, comemorações após gols acabaram resultando em punição com cartão amarelo, o que gerou polêmica. No empate entre Palmeiras e Santos, na última quinta-feira, o meia Lucas Lima foi advertido por supostas provocações aos torcedores santistas. Já no domingo, na partida entre Palmeiras e Atlético-MG, foi a vez de Moisés e Luan receberem a punição, mas desta vez por conta do que o árbitro Péricles Bassols julgou excessiva demora para reiniciar o jogo.

A edição atual das regras de futebol da CBF fala que uma punição por cartão amarelo será passível tanto por demora ao retomar a partida como em gestos provocativos após as celebrações.

"As comemorações não devem ser excessivas. Coreografias são desencorajadas, e não podem gerar perda de tempo excessiva", é o que diz a regra.

Lucas Lima marcou contra seu ex-time e comemorou com muita vibração, mostrando seu nome escrito na camisa para a torcida (única, do rival) no estádio. O meia não incitou violência e nem desrespeitou os torcedores, mas ainda assim foi advertido pelo árbitro do jogo Dewson Freitas da Silva, com um cartão que o tirou da partida contra o Atlético-MG.

Outra polêmica semelhante aconteceu novamente em um jogo do Verdão. Moisés levou amarelo após fazer o primeiro gol da partida no Allianz Parque, assim como Luan, atacante do Atlético-MG, que também foi punido após vibrar com seu gol. Porém, há uma diferença em relação à advertência de Lucas Lima. O árbitro Péricles Bassols Cortez relatou na súmula que o motivo do cartão apresentado ao jogadores foi por conta de uma perda de tempo excessiva na hora da comemoração.

Moisés comentou sobre essa situação após a partida e também se expressou nas redes sociais.

- O momento mais marcante do futebol é o gol. Não teve exagero nenhum. Não fiz nada que fosse proibido. Dei uma cambalhota e depois peguei a câmera do fotógrafo para simbolizar um cajado. Quando eu viro, o juiz está me esperando para dar amarelo. Está ficando muito chato - concluiu o camisa 10.

Luan também se manifestou após o término da partida.

- A gente não pode nem fazer gol mais, acho que o futebol vai ser quem tocar mais a bola vai ganhar a partida, você faz o gol e vai comemorar e o juiz quer dar cartão, acho que não tem nada a ver isso aí. Eles estão ficando chato. Daqui a pouco eles colocam vídeo igual foi na Copa do Mundo e a polêmica continua. Não vai adiantar nada. Tem que voltar às essências, à raiz, e deixar o bicho pegar durante a partida - desabafou o atacante.

O LANCE! conversou com jornalistas e ex-árbitros de futebol para tentar esclarecer essa situação e buscar compreender a opinião e visão de cada um a respeito desses lances. Confira a seguir o que eles disseram:

Sálvio Spínola, ex-árbitro de futebol e comentarista de arbitragem

Na minha opinião falta bom senso e critério. Nós vemos alguns árbitros com mais experiência, não adotando o mesmo critério do que outros mais novos. É possível ver algumas comemorações com demora e que não tem punição de cartão amarelo, enquanto outras menos demoradas estão sendo advertidas. Copa do Mundo e campeonatos europeus é questão de orientação e determinação, não é árbitro e nem a regra. A regra é subjetiva. No Mundial da Rússia foram 166 gols e apenas dois cartões amarelos por comemoração de gol e exageros. Portanto, depende muito do comando, de quem lidera a comissão de arbitragem e qual a orientação determinada. Ao meu ver, a CBF está exigindo demais dois juízes e isso poderia ser muito mais uma questão de comunicação do que punitiva, como tem sido no Campeonato Brasileiro.

José Roberto Wright, ex-árbitro de futebol

"Temos que raciocinar não pelo que fez o gol, mas sim pela equipe que está buscando uma reação. E como por exemplo agora, pouco mais de um minuto para comemorar é muita coisa. Faz o gol, comemora, mostra sua alegria, mas dentro de campo e ai as partidas serão reiniciadas com mais rapidez. Tem outro detalhe que poucos prestam atenção, o árbitro pode reiniciar a partida com apenas sete jogadores em seu próprio campo, então aqueles que estão comemorando iriam se apressar para não perder o jogo".

Mário Marra, blogueiro do Lance! e comentarista das rádios Globo e CBN e dos canais ESPN

"Eu entendo que a comissão de arbitragem tem melhorado algumas coisas no futebol brasileiro. A formação do árbitro está um pouco melhor. Antes era algo sem critério e algumas federações tinham cursos menores para os juízes e hoje em dia isso está mais sério. Entretanto, também entendo que a comissão ainda está muito distante do que realmente é a alegria do futebol e ela é marcada pelo autoritarismo, pela cara feia, profissionais que parecem não querer estar ali. No lance do cartão amarelo para o Moisés, o árbitro poderia ter jogo de cintura e poderia colocar o jogador em uma situação complicada sem entrar nessa situação. Se ele reinicia o jogo sem o Moisés em campo, o camisa 10 do Palmeiras teria que esperar uma autorização para voltar ao jogo, mas parece que é preciso ser mal e marcar território. No lance do Luan não houve absolutamente nada, foi uma dança e eu fico pensando o que passa na cabeça de um árbitro em entender que aquilo é uma provocação e depois justificar a punição pelo retardo do jogo. Repito, há necessidade de ser mal, de ser bravo e autoritário. Eu compreendo que não são aqueles árbitros, é a comissão que já tem essa marca. Se tem o lado bom, tem o lado muito negativo e as coisas podem ser bem mais leves".

Marcelo Bechler, blogueiro do Lance! e correspondente internacional do Esporte Interativo e da Rádio Itatiaia na Europa

"A regra determina que pode haver punição sempre que um jogador perder tempo de forma deliberada, inclusive em comemorações de gols. No entanto, o bom senso deve prevalecer sempre. O árbitro pode acrescentar mais minutos ao final do tempo regulamentar, mas punir uma comemoração é sempre um exagero. Na Europa não me lembro de ver nada assim. Recordo do Barcelona 6x1 no PSG que a comemoração do sexto gol do Barça teve comissão técnica invadindo o campo e quase 5 minutos de festa. Evidentemente não se mostrou nenhum cartão. O melhor a fazer é acrescentar mais tempo, mas uma comemoração não pode ser punida como um carrinho ou um cotovelada. Jamais".

João Carlos Assumpção (Janca), blogueiro do Lance!

"Não há um critério específico e cabe ao árbitro interpretar se a comemoração justifica ou não um cartão amarelo. Se há provocação ou o torcedor tira a camisa, sim. E os jogadores deveriam saber disso. Ou seja, o erro não é só do juiz, não. Agora o que é provocação ou não tem uma dose de subjetividade, como muitas outras coisas no futebol. Ao meu ver está faltando bom senso aos árbitros, como na comemoração do primeiro gol do Palmeiras diante do Galo. Mas também falta bom senso a alguns jogadores que extrapolam nas comemorações e vão provocar a torcida adversária, por exemplo. E falta, principalmente, uma orientação mais clara aos juízes, algo que existe nas competições europeias, mas não no Brasil. Pelo menos não uma orientação mais ponderada e firme. Até porque a CBF parece mais preocupada com os milhões que recebe do que em administrar um campeonato que deveria ser importante como o Brasileirão".

Confira a regra completa:

- Os jogadores podem comemorar os gols, mas as comemorações não podem ser excessivas;

- Deixar o campo para comemorar um gol não é uma infração passível de cartão amarelo, mas os jogadores devem regressar o mais rápido possível;

- Um jogador deve ser advertido quando:

* Subir nos equipamentos de proteção do campo;

* Fazer gestos provocativos, debochados ou inflamatórios;

* Cobrir a cabeça ou o rosto com máscara ou outro artigo;

* Tirar a camisa ou cobrir a cabeça com a camisa.

Orientação da CBF

- O jogador deve ser punido com cartão amarelo se:

* Subir a escada móvel;

* Perder tempo na comemoração;

* O reserva invadir o campo.

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