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Carrasco do Botafogo, Nonato revela que já esteve perto do Fla, se declara rubro-negro e se vê em alto nível

16/02/2018 08h10

- Pretendo jogar o máximo de tempo possível. Ainda estou em totais condições.

Aos 38 anos, o centroavante Nonato sequer tem uma previsão aproximada de quando pretende parar. Fato é que o artilheiro da Copa do Brasil-2003, pelo Bahia, segue escrevendo sua história com muitos gols. O último deles, em 6 de fevereiro, ajudou a eliminar o Botafogo da Copa do Brasil e classificar a Aparecidense (GO) à segunda fase. Cheio de motivos para sorrir, o atacante conversou com o LANCE!, destacou que ainda tem objetivos para cumprir como jogador e recordou momentos da carreira. Sem rodeios, inclusive, ele revelou que quase defendeu o Flamengo em 2006. E se declarou torcedor rubro-negro.

- Na época que me destaquei pelo Bahia, recebi várias propostas de clubes grandes do Rio, de São Paulo, de Minas e do Sul, mas na época acabou surgindo uma oferta da Coreia do Sul que era melhor para o Bahia e acabou que fui para o exterior. Era bom para mim também, iria ganhar duas, três vezes mais. Poderia sim ter jogado por clubes de grande expressão no Rio e em São Paulo, mas arrependimento eu não tenho, porque eu continuo jogando bola até hoje, muito feliz. Já tive oferta do Vasco, do Flamengo... Inclusive, antes de jogar pelo Goiás (em 2006), eu estava saindo da Coreia e tinha acertado verbalmente com o Flamengo. Mas aí foi um treinador para o Flamengo e esse técnico acabou vetando minha contratação. Já estava praticamente tudo certo. Seria muito legal, até porque eu sou flamenguista. Nasci no Pará e lá muita gente torce para o Flamengo. Teria sido muito legal - comentou Nonato.

Perguntado sobre o que achou da comemoração de Vinicius Junior, do Flamengo, que provocou o Botafogo com gestos de "chororô" após gol na semifinal da Taça Guanabara, Nonato afirmou não ver problemas:

- Isso faz parte do futebol. Acho que é legal, não vejo nada demais - disse Nonato, que ainda completou após ser questionado se faria a comemoração:

- Eu faria. E antigamente já fiz algumas provocações. Hoje no futebol você não pode fazer mais nada, não pode extravasar um pouquinho. Quem está em campo sabe o quanto é difícil fazer um gol. Quando se faz, você tem que extravasar, tem que comemorar da forma que você quiser. Hoje tiraram um pouco disso, dessa alegria. Ali, dentro de campo, acho que vale tudo - destacou.

Vinícius Perazzini: Foi uma surpresa conseguir ter eliminado o Botafogo?

Nonato: Foi surpresa para muitos, para o Brasil inteiro, mas não para a gente, que trabalha no dia a dia com seriedade, que está fazendo uma campanha muito boa no Campeonato Goiano (2º lugar no grupo B). A gente imaginava que poderia acontecer essa vitória. Para o resto do Brasil, com razão, pela grandeza e o time que tem o Botafogo, foi uma surpresa. Mas para nós, não foi.

Você estava confiante de que faria um gol?

?Eu estava, cara. Entro sempre com esse pensamento e graças a Deus fui coroado, ajudando com nosso primeiro gol naquela virada histórica para a gente. Era um jogo que a gente tinha que ganhar de qualquer maneira, o empate não valeria nada, por mais honroso que fosse. No fim, tudo deu certo.

Algum torcedor do Flamengo já te ligou para agradecer pelo gol?

(Risos) Estou acompanhando a repercussão, pra caramba. Foi muito legal, não só para mim, mas para a Aparecidense, que é um clube pequeno que está em crescimento. Atualmente já é a quarta força do futebol goiano, foi finalista do estadual em 2015. Todo mundo ainda vai ouvir falarem muito da Aparecidense.

Até onde a Aparecidense vai na Copa do Brasil?

A gente tem boas possibilidades. Já vimos clubes pequenos vencendo a Copa do Brasil. São poucos, mas temos que se inspirar neles, no Santo André (2004) e no Paulista (2005). Não custa nada se inspirar nessas equipes e seguir firmes. (A Aparecidense vai encarar o Cuiabá na próxima quarta-feira, na casa do rival).

Já surgiram algumas sondagens após o gol sobre o Botafogo?

Surgiram sim. Mas cheguei no clube nesta temporada e tenho contrato até o fim da Série D (em setembro). Meu foco no momento é fazer com que o clube cresça cada vez mais e a gente possa conseguir o nosso objetivo principal, que é ser campeão goiano, além de ir o mais longe possível na Copa do Brasil.

Mas se pintar algo concreto?

A gente está aqui para ouvir as coisas boas. Se aparecer, a gente senta, conversa com o pessoal da Aparecidense. Mas meu foco hoje está no clube.

Em 2015, quando você estava no Goianésia, iniciou a jogada do golaço que consagrou o Wendell Lira no Prêmio Puskás. Como foi participar daquele gol?

Eu acreditei numa bola cruzada para mim, que iria sair pela linha de fundo. Tive que correr bastante para recuperar a jogada. Já conversei com o Wendell depois do prêmio, nos encontramos. É um menino que sofreu muito com lesões no início da carreira. Sempre procurei o ajudar e fiquei muito feliz por ele, por ter ajudado ele de alguma forma a ganhar aquele prêmio.

Você começou a jogar como profissional em 1998. E quando vai parar?

Não tenho uma data para parar. Estou bem fisicamente. Nunca tive lesões graves e isso me ajuda pra caramba. Sou um cara que procuro sempre estar treinando. Dizer uma data certa sobre até quando vou jogar é meio difícil.

Há alguns anos, você chegou a jogar o Campeonato Goiano com um peso acima do comum para jogadores de futebol. Como conseguiu se readequar?

Nos últimos dois anos eu comecei a me policiar com relação a alimentação e o meu peso. Não era nem para jogar, porque eu já tinha me acostumado a jogar com aquele corpo, mas pela saúde mesmo. Vai chegando uma certa idade e você precisa ir começando a controlar a alimentação, deixar de fazer algumas coisas que fazia quando era mais jovem. Conversei muito com minha esposa e estabelecemos esse controle para mim. Perdi uns dez quilos em dois anos.

Quando começou sua luta contra a balança?

Você começa a jogar, ganhar fama, se empolga um pouquinho e começa a fazer algumas estrepolias, o que é normal. Sempre tive tendência para ganhar peso e admito que relaxei um pouco com relação a isso em alguns momentos.

A questão do peso te distanciou dos grandes clubes?

Acho que sim. Não diria nem que era preconceito, os clubes tinham razão. O jogador tem que se cuidar. Agora, de repente, se algum clube grande tivesse me dado uma oportunidade e falado: "quero você assim, assim e assado", eu com certeza teria me cuidado. Mas hoje estou feliz, encontrei meu caminho.

O que você pensa em fazer depois de pendurar as chuteiras?

Quero continuar no meio do futebol. É uma coisa que a gente vive desde moleque, fica difícil sair de uma hora para outra. Gostaria de ser auxiliar, trabalhar dentro de algum clube... Ser técnico, acho que não. Não tenho perfil.

Você acredita que teria espaço em algum clube da Série A hoje?

Isso aí a gente mostrou contra uma equipe de Série A. Se algumas pessoas ainda tinham dúvidas com relação se a gente tem condição de jogar uma Série A ou Série B do Brasileiro, isso ficou mostrado no jogo contra o Botafogo.

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