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Campeão pela Chape, Janga destaca recuperação difícil e ascensão do time

28/11/2017 13h00

O ano de 2017 foi sinônimo de reconstrução em Chapecó. Depois de ganhar a admiração dos torcedores brasileiros em sua caminhada até a elite do futebol nacional e ser finalista da Copa Sul-Americana pela primeira vez na história, a Chapecoense ganhou a atenção do mundo ao protagonizar uma das maiores tragédias do futebol. Um ano após o acidente, que vitimou 71 pessoas ligadas de forma direta e indireta ao clube, o L! pôde ver de perto como vem sendo o dia-a-dia daqueles que têm acesso aos corredores da Arena Condá.

As vidas perdidas durante o caminho para a disputa da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional foram além do gramado, do time de futebol e chegou à comissão técnica. Pais deixaram seus filhos, irmãos e esposas da maneira mais devastadora possível, enquanto os familiares, a maioria em Chapecó esperavam boas notícias. Hoje massagista da Chapecoense, Adriano conta que estava dormindo quando foi surpreendido, durante a madrugada, com a notícia da queda do avião na Colômbia. Ele perdeu seu irmão Sergio, que trabalhava na mesma função no clube.

- Recebi a notícia por volta das 3h da manhã. A namorada do meu compadre, o Anderson, treinador de goleiros, ligou perguntando se eu sabia o que estava acontecendo, se era verdade que o avião tinha caído. Eu acordei assustado com essa notícia e vi algumas notícias na internet. Algumas postagens. Mas como a gente sabe que colocam muitas informações falsas, eu liguei para alguns colegas do clube e eles falaram que também tinham visto a notícia, que estava passando nas principais redes nacionais de televisão. Em seguida, fomos para o clube e as outras pessoas foram chegando. Muita gente abalada com a notícia. Eu tentei ligar para o meu irmão que estava no voo e eu infelizmente acabei perdendo ele. Havia gente saindo com vida e eu fiquei esperando que não só meu irmão, mas outras pessoas que estavam no voo saíssem vivas - contou o profissional que está no clube há três anos.

Por conta da tragédia no final da temporada de 2016, a diretoria, também quebrada, precisou correr para formar uma nova equipe, que daria sequência às disputas de 2017. Com a ajuda de outros clubes, a Chapecoense conseguiu superar qualquer dúvida e pessimismo, voltando a trazer a alegria para a Arena Condá com a conquista do título do Campeonato Catarinense deste ano e garantindo sua permanência na Série A de 2018, mesmo após uma temporada oscilante com três mudanças de técnico.

A nova Chapecoense vem sendo a alegria dos torcedores ao mostrar raça e dedicação em campo. Entretanto, o time de guerreiros nunca será esquecido pelos torcedores, familiares que perderam entes ligados ao clube e pelos próprios moradores locais, que relembram a trajetória da equipe campeã com muito carinho.

- Aquele grupo era único. Mas esse grupo que chegou agora e conta com jogadores escolhidos a dedo está honrando a camisa da Chapecoense. É um time que todo mundo achava que não ia dar certo e ele mostrou o contrário dentro de campo, tanto que foi campeão estadual, se classificou na Libertadores, passou de fase na Sul-Americana e estamos aí bem no Campeonato Brasileiro deste ano - declarou Adriano ao L!.

Eleito melhor meio campo do Brasil três vezes (1977, 1978 e 1979), Jandir Moreira dos Santos, o Janga, que defendeu a Chapecoense durante dez anos e levantou a primeira taça conquistada pela equipe, também relembrou a longa caminhada da equipe até o sucesso e a dificuldade de reconstruir o clube após a grande perda.

- A Chapecoense nasceu em 1973 e veio crescendo aos poucos, em meio a dificuldades, até chegar à elite do futebol brasileiro. Quando o time estava no auge, entrosado, após três anos jogando juntos, aconteceu a tragédia de uma hora para outra e ficamos sem um time inteiro. Sem roupeiro, sem massagista, tudo se perdeu. Aí você imagina uma reconstrução dessa para fazer tudo de novo em cima dessa tragédia - explicou Janga, que mantém forte relação com a diretoria do Verdão do Oeste.

Juntando forças para continuar sua rotina, Adriano ainda aprende a lidar com a falta que seu irmão Sérgio faz, mas faz da admiração dos seus sobrinhos pelo trabalho que realiza com os atletas da Chape a motivação que precisa para dar continuidade a sua função.

- O que me fez superar em partes e deu motivação foi continuar vindo aqui para trabalhar. Estar usando o mesmo material que meu irmão usava e cuidar dos meus sobrinhos (um menino de 2 anos e uma jovem de 21). Eles se espelham muito em mim, quando estou em campo fazendo o mesmo que meu irmão fazia. Isso é motivador! - concluiu.

Janga, que também mantinha um forte vínculo com membros da antiga diretoria do clube, é bastante reconhecido em Chapecó por conta de seu famoso food truck personalizado com as cores do Índio Condá. Ao Lance, o ex-meia contou sobre o veículo, cedido pela Chapecoense, que aprovou sua ideia e o incentivou na venda de alimentos próximo à Arena.

- A história da minha kombi foi uma ideia minha. Aí eu levei ao presidente e ele aprovou a iniciativa juntos aos diretores. Com o apoio a ideia foi para frente e me deu condições de continuar o trabalho que faço, que é vender cachorro-quente - explicou.

Durante o período de um ano, a Chapecoense conquistou o Campeonato Catarinense de 2017, disputou a fase de grupos da Libertadores, chegou a ser ameaçada pelo rebaixamento, mas garantiu sua permanência na Série A de 2018 e ainda briga por vaga no G7 do Brasileirão.

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