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'Volta do Paraná à Série A é reencontro do clube com sua torcida'

Heuler Andrey/Dia Esportivo/Estadão Conteúdo
Imagem: Heuler Andrey/Dia Esportivo/Estadão Conteúdo

26/11/2017 08h05

Exatos dez anos depois do rebaixamento para a Série B, o Paraná Clube estará de volta à elite do Brasileirão em 2018. E promete ressurgir de forma diferente. A campanha deste ano, com a vaga garantida com antecedência, foi muito além das disputas em campo. Foi a volta por cima, o reencontro do clube com suas raízes vitoriosas e, acima de tudo, com a sua torcida.

O Paraná de 2017 conquistou marcas históricas. Na reta final da Segundona, na vitória contra o Internacional, o Tricolor simplesmente quebrou o recorde de público da Arena da Baixada, casa do rival Atlético-PR, superando todos os jogos do Furacão e as partidas da Copa do Mundo de 2014. Foram 39.414 pagantes, o segundo maior público em toda a história do clube - perdendo apenas para os 41.995 presentes no Couto Pereira, estádio do Coritiba, para assistir a um empate de 0 a 0 com o Corinthians, em 1994.

O Paraná do acesso é o oposto do Paraná do decesso. Naquele hoje distante 2007, o clube teve a terceira pior média de público do Brasileirão. Seu jogo de maior torcida não passou de 12 mil pessoas na arquibancada. Em 2008, já na série B, os números foram ainda piores: 4.711 torcedores frequentaram, em média, a Vila Capanema. Já este ano, o Paraná teve a terceira maior média entre os 20 clubes da segunda divisão, superior a 9 mil torcedores. Ficou atrás apenas do Internacional e do Ceará, ambos também de volta à elite. Seus jogos, contudo, tiveram uma ocupação média de 50% do estádio, um percentual maior do que o dos gaúchos (46%) e a dos cearenses (29%).

Manter este embalo na Série A é o desafio a que a diretoria paranista está se propondo. E, para bater essa meta, promete continuar com a política agressiva de marketing, com preços acessíveis e promoções constantes. No jogo contra o Inter, o bilhete inteiro custou R$ 60 e quem foi à Arena vestindo a camisa do clube pagou apenas R$ 30. E erra quem pensa que este tíquete médio é baixo, pelos padrões da Série B: somente o Criciúma e o Luverdense (rebaixado à Série C) cobraram mais do que o Paraná para o torcedor assistir a seu time jogar em casa. No último sábado, na despedida da Segundona, contra o CRB no Couto Pereira, cada torcedor decidiu o quanto iria pagar. E teve gente, um investidor, pagando R$ 40 mil para celebrar o acesso..

Números à parte, o grande mérito dos dirigentes atuais foi ter feito o torcedor voltar a acreditar no time. A festa que comemorou o acesso em Curitiba foi uma espécie de catarse coletiva. E não era para menos. O fardo de dez anos longe da elite nacional foi penoso demais. Nesse tempo, restou muito pouco do prestígio do time que chegou a disputar uma Libertadores, em 2007, avançando até as oitavas de final. Foi uma queda meteórica, do céu ao inferno, com o clube atolado em dívidas e incapaz de encontrar soluções para a crise.

Por várias vezes, nesses dez anos de martírio, o Paraná esteve em vias de ser rebaixado para a Série C. Mas nada foi tão dramático como 2011, quando o Tricolor fez campanha pífia também no Estadual e acabou rebaixado à divisão de acesso, depois de uma série de vergonhosas manobras judiciais para tentar manter-se na Série Ouro do Paranaense. Coube a Ricardinho, o ex-meio-campo do Corinthians e da Seleção, formado nas categorias de base do clube, comandar o time na volta à elite do estado, logo no ano seguinte, em sua primeira experiência como treinador.

O Paraná tem uma história única no futebol brasileiro. Fundado em 1989, foi resultado da fusão do Colorado com o Pinheiros. Herdou o vermelho de um e o azul de outro, mas, na prática, o Tricolor carrega também o DNA de três outros clubes, o Britânia, o Palestra Itália e o Atlético Ferroviário que, quase 20 anos antes haviam se juntado para fundar o Colorado. Sua primeira década de existência foi avassaladora: foram seis títulos paranaenses e, em apenas três anos, o clube saltou da terceira para a primeira divisão do Brasileirão, conquistando o título da Série B de 1992. Nada prenunciava o desastre dos anos seguintes.

Reencontrar esse passado glorioso é o que esperam agora seus torcedores. Se continuarem a fazer sua parte, prestigiando o time na Séria A, estarão dando uma grande ajuda nesta direção. Pois que sejam bem-vindos, de volta, paranistas!

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