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"É como se fosse atropelada", diz mulher que acusa Robson Bambu de estupro

Pedro Lopes, Talyta Vespa e Thiago Braga

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

03/05/2022 04h00

Uma vendedora de 25 anos que prefere não ter o nome publicado acusa o zagueiro do Corinthians Robson Bambu de tê-la estuprado enquanto ela dormia em um hotel na zona leste de São Paulo. A mulher, que nesta reportagem será chamada de Marina -um nome fictício-, falou com exclusividade ao UOL Esporte.

Em fevereiro, Marina registrou um boletim de ocorrência contra o atleta e um amigo dele, Wellington Sobral, apelidado de Pezinho, com quem a mulher se envolveu e que teria, segundo ela, presenciado o momento do estupro. A reportagem teve acesso ao documento. A Polícia Civil de São Paulo já concluiu as investigações, mas o Ministério Público ainda não decidiu se apresenta denúncia contra o jogador ou se arquiva o inquérito. As defesas de Robson e de Wellington, o Pezinho, negam as acusações.

Marina conta que Pezinho a convidou para uma festa. Ela diz que conheceu Robson na festa e que o jogador se envolveu com uma amiga dela. Essas informações são confirmadas pelas defesas de ambos os acusados. Ainda segundo o relato de Marina, os quatro foram para um hotel em São Paulo, onde Marina e Pezinho ficaram em um quarto e o jogador com a amiga dela reservaram outra suíte. A jovem afirma ter ingerido no máximo "dois ou três copos de vodka" durante a noite, mas diz não se lembrar de nada a partir do momento em que deitou na cama com Pezinho.

"A única coisa de que me lembro foi ter me deitado com o Pezinho. A gente estava junto. Depois disso, não me lembro de mais nada. De repente, acordei e vi o Robson em cima de mim, completamente nu, com a mão dentro de mim", afirma. "Eu também estava nua. Olhei para o lado e vi o Pezinho, assistindo a tudo", diz.

Segundo Marina, ao presenciar o jogador tocando-a sem seu consentimento, ela pulou da cama e se vestiu rapidamente. Ela afirma ter saído do quarto em busca da amiga, que ainda dormia, e estava em outro andar do hotel. "O Robson veio atrás de mim e me levou até o quarto em que minha amiga estava. Ela abriu a porta para a gente sem entender o que estava acontecendo. Eu expliquei, e o Robson começou a discutir comigo, dizendo que eu tinha entendido errado, que ele e o Pezinho estavam só conversando. Disse que tem uma filha e não teria motivo para fazer aquilo", conta.

Marina diz também fazer trabalhos para agências de modelo, e afirma ter perdido um ensaio fotográfico ao acordar atrasada naquele dia. As advogadas de defesa de Robson e Pezinho afirmam que foi esse o motivo pelo qual a jovem ficou com raiva e "quis se vingar dos dois". A jovem afirma que Pezinho ofereceu dinheiro a ela para cobrir a perda financeira e que, depois do ocorrido, tentou algumas vezes marcar um encontro com ela "para resolver a questão".

"Do hotel, fui para a minha casa. Enquanto tomava banho, caiu a ficha de que eu havia sido estuprada. Liguei para a minha amiga, mas ela demorou para ver o celular. Então, fui sozinha para a delegacia. Ela me encontrou lá horas depois", relembra Marina, que chora ao relembrar o dia. "Em todo momento que passei na delegacia, duvidei de mim mesma. Mas não tive medo de denunciar".

"A delegacia é fria, né? Um ambiente frio. Mas eu estava tão anestesiada que não sentia nada. Não senti fome, não senti sede, mesmo ficando o dia inteiro na delegacia e no hospital. Só senti dor no dia seguinte, depois de conseguir dormir. Era como se eu tivesse sido atropelada"

Após registrar o boletim de ocorrência, Marina foi encaminhada a um hospital para realizar exames de corpo de delito. No exame toxicológico, não foi apontada a presença de álcool, mas, sim, de canabidiol, substância presente na maconha. Ela diz ter fumado um vaporizador naquela noite, mas afirma não saber se tinha maconha nele.

O advogado de Marina, Luís Carlos Pileggi Costa, justifica a ausência de álcool no exame citando a idade da mulher e a quantidade de bebida ingerida por ela naquela noite: segundo ele, a substância é eliminada rapidamente quando ingerida em poucas quantidades, caso de Marina.

No exame de corpo de delito, foi apontada uma lesão no ânus da mulher. Ao UOL, ela diz não se lembrar ter feito sexo anal.

"Trabalho para esquecer"

Robson Bambu estreou pelo Corinthians em 20 de março de 2022, pouco mais de um mês depois de a denúncia ter sido feita. No dia da primeira partida dele pelo clube, Marina diz ter se sentido insegura. "Senti medo de que ele fique impune, de que seja mais um caso que as pessoas vão esquecer", relembra.

Desde a denúncia, Marina conta, o trabalho tem sido sua principal fonte de distração. "Trabalho para esquecer, trabalho dia e noite. É a única coisa que me faz sair um pouco dessa rotina. Mas não tenho trabalhado bem e, muitas vezes, a empresa me afasta. Não assisto televisão, tenho dificuldade para dormir e comer; só uso o celular para trabalho. Não consigo fazer mais nada além disso. Tenho uma filha de dez anos e um filho de dois, e não consigo dar atenção para eles".

Defesa de Bambu nega acusações

Em nota oficial, a defesa de Robson Bambu afirma que "não pode revelar publicamente as provas de sua inocência, devido ao atual sigilo do processo e em respeito às autoridades, que ainda não concluíram as apurações". O texto continua: "Mas fatos, testemunhos e vídeos contundentes a respeito da sua inocência e dos prováveis motivos que levaram a denunciante a mentir já foram juntados aos autos. O caso já está sendo devidamente conduzido pelo poder público. Enquanto a investigação não tem desfecho, manifestações na imprensa sobre o mérito do caso configuram violação de sigilo, desrespeito à Polícia e ao Ministério Público e tumulto processual. Lançar a opinião pública contra os agentes do Estado e expor o jogador para atingir sua reputação são estratégias rasteiras de constrangimento", conclui.

A defesa de Wellington, o Pezinho, também se manifesta contra as acusações: "A defesa de Pezinho observa que há fartas provas da inocência dele, que só não podem ser exibidas pela imprensa, porque a investigação é sigilosa. Há depoimentos de testemunhas, vídeos e mais evidências que deixam muito claro que a versão da suposta vítima é inteiramente mentirosa".

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