PUBLICIDADE
Topo

Brasileirão - 2021

Parreira celebra memória com Flu e Bragantino: 'Um jogo de muita emoção'

Parreira Copa -
Parreira Copa

Alexandre Araújo

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

25/09/2021 04h00

Classificação e Jogos

Fluminense e Red Bull Bragantino se encontram amanhã (26), pelo Campeonato Brasileiro, em um duelo de clubes que, pode-se dizer, já tiveram seus laços e destinos cruzados no início da década de 90, quando o Massa Bruta viveu um grande momento. Inclusive, as instituições compartilham alguns nomes ao longo da história, como, por exemplo, o do técnico Carlos Alberto Parreira.

O confronto, pela 22ª rodada, colocará frente a frente equipes que estão brigando na primeira metade da tabela e miram se aproximar do primeiro pelotão. Dono da casa, o Tricolor tem 29 pontos e está na oitava colocação, enquanto a equipe de Bragança Paulista soma 33, em quinto.

À distância, Parreira, 78, vai acompanhar a partida com sentimentos conflitantes, mas com a certeza de que a memória desperta boas sensações ao pensar nos dois clubes. Campeão do Brasileiro em 1984 pelo Fluminense, ele foi um dos responsáveis pela trajetória do então Bragantino no vice do Brasileiro de 1991 — acabou perdendo a final para o São Paulo.

"É um jogo com muita emoção, sentimento, exatamente pelos laços, pelos momentos que vivi nos dois clubes. No Fluminense, [a relação] é desde os anos 70. Fui preparador físico, assistente, treinador... Foram muitos anos. E, realmente, o momento maior foi a conquista do Brasileiro, que foi em 1984, comigo como treinador", afirma o ex-treinador ao UOL Esporte.

"No Bragantino, foi um período curto, um ano e pouquinho só porque saí para a seleção brasileira. Mas aquele ano foi muito especial por termos chegado à final do Brasileiro, que é uma competição grandiosa, a maior do nosso futebol. [Na primeira fase] Perdemos apenas dois jogos."

Parreira iniciou no São Cristóvão, como preparador físico e, em 1971, ainda nesta função, chegou ao Tricolor, clube do coração. Nas Laranjeiras, foram diversas passagens marcantes, comandando, inclusive, o time que se tornaria o melhor do Brasil em 1984, batendo o Vasco na final.

Depois da conquista, o treinador viveu experiências fora do país, entre os Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Retornou em 1991, justamente para o Bragantino. O Massa Bruta havia conquistado o Paulista do ano anterior, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, e se tornado uma das sensações do futebol brasileiro.

Apesar de curta, a passagem do treinador foi notável. Ele deixou o clube para aceitar o convite da seleção brasileira, pela qual, pouco depois, conquistaria o tetra da Copa do Mundo. "Eu tinha renovado contrato, mas acabei nem cumprindo o segundo ano porque houve o convite da seleção e fui liberado", lembra Parreira.

Além de Parreira, aquele time vice-campeão em 1991 contava ainda com nomes como Ronaldo, Silvio, João Santos e Franklin, destaques da base do Fluminense, mas que acabaram não engrenando no profissional e desembarcaram no interior paulista. Quis o destino que, diante do cruzamento imposto pelo regulamento, o adversário da semifinal da competição fosse justamente o Tricolor carioca.

"Enfrentamos o quarto colocado, que foi o Fluminense, ganhamos no Maracanã e empatamos em Bragança. E fomos à final contra o São Paulo. Marcou muito aquela campanha, que foi sensacional. Criamos uma identidade muito legal com a cidade de Bragança, até hoje somos muito bem recebidos".

Jovens ex-Fluminense viraram algozes com a camisa do Bragantino - Reprodução - Reprodução
Jovens ex-Fluminense viraram algozes com a camisa do Bragantino
Imagem: Reprodução

"Red Bull escolheu muito bem"

Depois do auge, o Bragantino atravessou momentos complicados e amargou 22 anos longe da elite, retornando apenas na última temporada, já sob gestão da Red Bull.

"Não tem jeito. Nome, história, camisa, ajudam, mas se não tiver receitas... O Bragantino está aí. Quando a Red Bull assume, que são gestores de alto nível, investem. O Bragantino tem um nome, campeão paulista, vice do Brasileiro. É um clube com presença no futebol brasileiro, mas faltava, exatamente, essas receitas que foram trazidas. A tendência é de crescimento", indicou Parreira.

"Red Bull escolheu muito bem. Tiveram a luz de investir no Bragantino, um clube que já tinha um nome, uma história. Foi bacana essa aliança", completou.

O quarto jogo do ano

À beira do gramado, Fluminense e Red Bull Bragantino têm nomes que estão fazendo a diferença. Marcão, que assumiu a vaga de Roger Machado e se encontra na terceira passagem como comandante do time, conseguiu fazer a equipe das Laranjeiras engrenar, e, mais que se afastar da zona de rebaixamento, começar a pensar em Libertadores.

Do outro lado, Maurício Barbieri, que está no clube de Bragança Paulista desde a última temporada, vem conseguindo boa campanha até aqui e chegou a liderar o Brasileiro por algumas rodadas.

Em junho, Fluminense e Red Bull Bragantino se encontraram três vezes em um período de 11 dia, quando Roger ainda estava nas Laranjeiras. Isso porque, as equipes duelaram pela Copa do Brasil e, entre os jogos de ida e volta, houve o confronto pelo primeiro turno do Brasileiro.

No mata-mata, uma vitória para cada lado, mas o Tricolor levou a melhor e avançou às oitavas de final.

Ex-Flu, Miguel é anunciado pelo RB Bragantino

O meia Miguel, que rescindiu com o Fluminense recentemente, após um acordo entre as partes, foi anunciado na última sexta-feira pelo Red Bull Bragantino. O contrato vai até o fim de 2022.

O caso do jogador teve idas e vindas e agitou os bastidores das Laranjeiras. Até o Vasco, mesmo que indiretamente, se viu envolvido no imbróglio.

Considerado joia de Xerém, Miguel fez sua estreia como profissional em 2019, aos 16 anos, quebrando recordes, antes mesmo de assinar seu primeiro contrato com o Flu. Por outro lado, acumulou questões extracampo.

Após algumas rusgas, e com o jogador sem ter muito espaço, José Roberto Lopes, pai de Miguel, acionou a Justiça para rescindir o contrato com o Fluminense. A quebra do vínculo chegou a ser determinada, mas, posteriormente, o Tricolor teve uma vitória nos tribunais e o contrato voltou a valer.

Miguel estreou pelo Fluminense em 2019 ainda sem contrato profissional - Lucas Mercon/Fluminense FC - Lucas Mercon/Fluminense FC
Miguel estreou pelo Fluminense em 2019 ainda sem contrato profissional
Imagem: Lucas Mercon/Fluminense FC

Neste período, veio à tona ainda que o Vasco teria 30% dos direitos do jogador em acordo com o Tricolor, ponto contestado pela família de Miguel. No último dia 21, o meia e o Tricolor chegaram a um acordo — o clube manteve 30% dos direitos econômicos —, e o jogador ficou livre.