PUBLICIDADE
Topo

Futebol

Santos luta para não igualar pior jejum de vitórias no século

Assim como em 2008, o Santos tem em Carille seu terceiro treinador - Ivan Storti/Santos
Assim como em 2008, o Santos tem em Carille seu terceiro treinador Imagem: Ivan Storti/Santos

Do UOL, em São Paulo

24/09/2021 11h00

Classificação e Jogos

A partida contra o Juventude, no próximo domingo (26), às 16 horas, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro, pode representar uma marca negativa na história do Santos. Se não bater os gaúchos, em duelo marcado para o estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS), o Peixe completará dez partidas sem vitória, igualando a sua pior sequência em jejum neste século.

No momento, o Santos ostenta uma sequência de nove jogos sem triunfar, sendo seis pelo Campeonato Brasileiro, dois pela Copa do Brasil e um pela Copa Sul-Americana. A série negativa do Alvinegro começou no dia 15 de agosto, quando empatou por 1 a 1 com o Fortaleza na Arena Castelão. Três dias antes, havia derrotado o Libertad-PAR por 2 a 1, na Vila Belmiro, pela Sul-Americana.

Depois de empatar com o Fortaleza, vieram mais cinco derrotas —sendo duas pela Copa do Brasil para o Athletico-PR e uma pela Sul-Americana para o Libertad- e três empates. No Brasileirão, foi derrotado por Flamengo (4 x 0) e Cuiabá (2 x 1) e empatou contra Internacional (2 x 2), Bahia (0 x 0) e Ceará (0 x 0).

Apenas em duas ocasiões neste século o Santos atingiu a marca de dez partidas sem vitória. A última delas aconteceu em 2018, entre os meses de julho e agosto. O jejum começou durante a pausa do calendário nacional por causa da Copa do Mundo, com um empate e uma derrota em amistosos. Depois disso, vieram cinco empates e duas derrotas pelo Brasileirão e uma derrota na Copa do Brasil contra o Cruzeiro.

A sequência de derrotas só foi quebrada com um triunfo por 2 a 1 no jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro. Mas como a fase não era boa, o Santos acabou eliminado na disputa por pênaltis no Mineirão.

Em 2008, o jejum alvinegro foi logo no começo do campeonato, a partir da terceira rodada, e todos os jogos foram válidos pelo Brasileirão. A sequência negativa começou logo após a eliminação da Copa Libertadores da América -o Peixe ganhou do América-MEX por 1 a 0, mas caiu no placar agregado. Vieram, então, cinco empates e cinco derrotas que só foram quebradas com um triunfo por 1 a 0 sobre o Sport.

Cuca: um nome em comum

Atual comandante do Atlético-MG, Cuca foi um nome em comum nas duas piores sequências do Santos no século. Em 2018, ele dividiu a série com Jair Ventura e, em 2008, assumiu o time que era de Emerson Leão. O destino do treinador, porém foi bem diferente nos dois casos.

Em 2008, Cuca foi chamado logo após a quarta rodada, quando o Santos somava apenas quatro pontos e já carregava duas partidas sem triunfar. A contratação, porém, não gerou nenhum impacto. O Alvinegro ficou sem ganhar por mais oito rodadas, chegando aos oito pontos em 12 partidas disputadas.

Cuca chegou a pedir demissão após a derrota por 3 a 0 para o Figueirense, em Florianópolis (SC), mas voltou atrás na decisão. Conquistou sua primeira vitória na rodada seguinte, contra o Sport, e ganhou nove pontos em 12 disputados. No entanto, mais duas derrotas seguidas -contra Coritiba e Atlético-MG- abreviaram a primeira passagem do treinador na Vila Belmiro. Cuca deixou o clube com o retrospecto de sete derrotas, quatro empates e três vitórias, ocupando a zona de rebaixamento.

Em 2018, Cuca pegou o time na reta final do jejum de vitórias. As primeiras seis partidas tiveram Jair Ventura no comando. Cuca assumiu o Alvinegro e perdeu seu primeiro compromisso na Copa do Brasil. Pelo Brasileirão, foram logo duas derrotas e um empate. Não demorou, porém, para que o Santos se recuperasse, e Cuca seguisse no comando da equipe até o fim da temporada, quando alegou um problema de saúde para fazer uma pausa na carreira.

Com Cuca no comando em 2018, o Santos passou por duas eliminações traumáticas. Além de perder um duelo na Copa do Brasil nos pênaltis, o Alvinegro foi eliminado na Libertadores no tapetão. Por causa da irregularidade na inscrição de Carlos Sánchez contra o Independiente-ARG o placar de 0 x 0 em Avellaneda acabou se transformando em 3 x 0 para os argentinos nos tribunais. Na volta, no Pacaembu, um empate sem gols derrubou o Peixe.

Rebaixamento: um risco em comum

Os anos das piores sequências do século na história representaram uma luta contra o rebaixamento no Brasileirão -pelo menos em parte da disputa. Em 2008, o Santos passou 11 das 19 rodadas do primeiro turno entre os quatro últimos colocados. Foram apenas 17 pontos ganhos e quatro vitórias, com o comando de três treinadores.

Cuca deixou o comando do Peixe na 18ª rodada. O interino Márcio Fernandes assumiu o time pela segunda vez no ano e não mais soltou. Perdeu para o Náutico na estreia, mas, depois disso, ganhou 12 de 18 pontos disputados e começou a tirar o Santos do sufoco.

A realidade até o fim do campeonato era escapar de um inédito rebaixamento. Com uma equipe empobrecida em relação aos anos anteriores, Márcio Fernandes apostou em um meio-campo forte na marcação e nos gols do artilheiro Kleber Pereira. O colombiano Molina e o lateral Kleber eram outros atletas de destaque.

Durante a temporada, o Peixe ficou marcado pela contratação de estrangeiros desconhecidos, como o argentino Tripodi e o chileno Sebastián Pinto e o equatoriano Michael Jackson Quiñonez. A equipe se segurou entre as 12ª e 15ª posições e se garantiu após empatar sem gols com o Náutico em sua última partida.

Em 2018, o sofrimento não foi tão grande, mas o Peixe ficou na zona de rebaixamento por quatro rodadas do primeiro turno. Ao perder para o América-MG na Vila Belmiro, na 16ª rodada, o Santos trocou de treinador, e a chegada de Cuca fez o time reagir. Com uma campanha de oito vitórias, cinco empates e seis derrotas no segundo turno, o Alvinegro ficou longe da queda para a Série B, estacionando em décimo lugar.

Ao contrário de dez anos atrás, o time de 2018 tinha um brilho maior. O destaque era a dupla de ataque formada por Gabigol e Bruno Henrique, que hoje fazem sucesso no Flamengo. Rodrygo, que atualmente defende o Real Madrid, dava seus primeiros passos no profissionalismo. O goleiro Vanderlei, os zagueiros Lucas Veríssimo e Gustavo Henrique e o meia Carlos Sánchez eram outros destaques do time.

Em 2021, a zona de rebaixamento ainda não virou abrigo para o Santos. O time, contudo está flertando com esse risco há algum tempo. No momento, o Peixe ocupa o 14º lugar, com 24 pontos, e tem um ponto a mais que o Juventude, o time que abre o grupo dos últimos quatro colocados. Se perder ou até mesmo empatar o jogo de domingo, existe o risco de a equipe parar no Z-4.

Troca de treinadores: um fato em comum

Assim como aconteceu em 2008 e 2018, o Santos convive com troca de treinadores na temporada 2021. O argentino Ariel Holán foi o primeiro nome da gestão do presidente Andrés Rueda. Ele, contudo, não aguentou a pressão pela má campanha no Campeonato Paulista e o início ruim na Libertadores, com derrotas para o Barcelona-EQU e para o Boca Juniors.

Fernando Diniz foi contratado e durou um turno inteiro no comando do Santos. Liderou boas apresentações, mas o temperamento à beira do gramado, aliado à queda de produção nas últimas partidas, derrubaram o treinador.

Fábio Carille foi o escolhido para dar continuidade à campanha, que por enquanto tem o objetivo de escapar do rebaixamento. Conhecido por ser um técnico que prioriza o acerto defensivo, ele não viu seu time marcar nenhum gol em três partidas.

Para encarar o Juventude, ele terá quase todos os jogadores à disposição, mas vai manter um esquema com três zagueiros, que deixou a defesa mais protegida no último jogo -contra o Ceará. Como Carlos Sánchez volta ao time depois de ser poupado da viagem a Fortaleza, Marcos Guilherme deve perder seu lugar entre os titulares.

Futebol