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Abel abandona dogmas, garimpa soluções, e Palmeiras completa um mês invicto

Abel Ferreira conversa com o elenco do Palmeiras durante treinamento. - Cesar Greco/Palmeiras
Abel Ferreira conversa com o elenco do Palmeiras durante treinamento. Imagem: Cesar Greco/Palmeiras

Diego Iwata Lima

De São Paulo

22/07/2021 04h00

Classificação e Jogos

No sábado (24), completa-se um mês que o presidente Mauricio Galiotte veio a público lamentar as reclamações do técnico Abel Ferreira sobre a falta de reforços no Palmeiras. Coincidentemente, ou não, nesta sexta-feira (23), completa-se também exatamente um mês que o Palmeiras foi derrotado pela última vez —3 a 1 para o Red Bull Bragantino, em Bragança Paulista, pelo Campeonato Brasileiro.

De lá para cá, foram oito vitórias em oito jogos: Bahia, em casa; Inter, fora; Sport, fora; Grêmio, em casa; Santos, em casa; Universidad Católica, fora; Atlético-GO, fora; e novamente a Católica, em casa.

Mas o Palmeiras não conseguiu apenas os bons resultados. O time subiu de produção desde aquele jogo no interior de São Paulo, e muito por conta de o treinador ter abandonado alguns dogmas pessoais e garimpado soluções caseiras dentro do elenco —algumas inusitadas— para suprir as necessidades do time. Se não lhe deram reforços, Abel foi encontrá-los dentro do grupo, com criatividade.

Abel deu fim à formação com três zagueiros

Abel ainda recorre à saída em tripé para iniciar jogadas, mas já não escala três jogadores para fazer função de zagueiro, como era praxe na época da derrota para o Bragantino. Na partida seguinte a esse último resultado negativo, aliás —vitória por 3 a 2 sobre o Bahia— ele já foi com dois jogadores no miolo da zaga: Luan e Kuscevic.

Danilo e Zé Rafael se tornaram a dupla titular de volantes

Dos oito jogos que o Palmeiras fez depois da derrota para o Bragantino, Zé Rafael e Danilo foram titulares em seis. Contra o Bahia, ele iniciou com Danilo e Danilo Barbosa. E, contra o Atlético-GO, Danilo foi poupado e Patrick de Paula começou a partida.

Abel não economiza elogios aos jogadores. Após vencer o Atlético-GO, ele disse: "O Zé Rafael é um exemplo. Tenho que tirar o chapéu para ele". E após classificar o time para as quartas da Libertadores, disse que a dupla forma "um bom casal" e fez quase um apelo à diretoria para que Danilo não seja negociado.

Escalou Deyverson e moldou o time para aproveitar suas características

Com Luiz Adriano e Rony sofrendo com lesões, Abel Ferreira não se furtou de utilizar Deyverson, um atacante que ele não pediu e que caiu de paraquedas no seu elenco.

Como Deyverson tem características bem diferentes da dupla que brilhou em 2020, o técnico passou a explorar os lançamentos no meio-campo para o atacante disputar as jogadas pelo alto, além de passar a intensificar as jogadas aéreas com bola rolando, buscando o cabeceio de Deyverson.

Fixou Felipe Melo na zaga e lhe deu mais minutos

Assim como Zé Rafael de volante, Felipe Melo zagueiro foi uma criação de Vanderlei Luxemburgo. Mas é com Abel que o capitão melhor se encontrou na posição. Desde a expulsão de Kuscevic contra o Internacional, e com a lesão recorrente de Luan, Felipe tem sido titular do time com frequência —Sport, Santos, Atlético-GO e no segundo jogo contra a Universidad Católica, além de entrar em quase todos os demais jogos. Sempre com bom rendimento.

Nem mesmo a controvérsia após a vitória contra o Grêmio, quando Melo cobrou ao microfone da TV Globo uma reunião para que Mauricio Galiotte confirmasse o que Anderson Barros lhe dissera, quanto à não renovação de seu contrato, preocupou Abel. Ao contrário, dali em diante, Abel passou a prestigiar Felipe ainda mais.

Encontrou lugares para Scarpa e Raphael Veiga

Scarpa impôs sua escalação como titular, e isso acabou fazendo com que Veiga tardasse um pouco para encontrar um novo espaço, tendo de dividir o setor de criação. Os números demonstraram que o revezamento no meio estava impedindo que os dois brilhassem ao mesmo tempo.

Mas a partir de Palmeiras x Grêmio, o técnico decidiu dar a faixa da direita do ataque para Veiga, que passou a atuar como um ponta por dentro —ou seja, um jogador que não vai à linha de fundo, mas vem da ponta para o centro para participar das jogadas. E o futebol de Veiga voltou a aparecer muito positivamente.

Sem Viña, apostou em Renan, barrou Victor Luis e posiciona Scarpa pelo lado

Antes mesmo da indefinição atual quanto à quase certa ida de Viña para a Roma (ITA), o técnico ficou um bom tempo sem poder escalar o uruguaio, por conta da Copa América. neste ínterim, inicialmente, Victor Luis vinha sendo o titular na lateral esquerda. Mas Victor caiu muito de rendimento. E então Abel lançou mão de Renan.

No sub-20, o zagueiro canhoto também atuava pelo setor. Desde o jogo contra o Internacional, se não teve Viña, Abel escalou Renan. Mas como o camisa 3 não é tão forte no ataque, Abel reforçou o setor com as caídas de Scarpa por ali. Em dupla com Wesley, Scarpa fez diversas jogadas de ultrapassagem como um verdadeiro ala, na fase ofensiva, chegando à linha de fundo.

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