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Conquistas e polêmicas: a trajetória de Alberto Dualib no Corinthians

Alberto Dualib, ex-presidente do Corinthians, em 1997 - Ciete Silvério/Folhapress
Alberto Dualib, ex-presidente do Corinthians, em 1997 Imagem: Ciete Silvério/Folhapress

Ricardo Perrone e Yago Rudá

Do UOL, em São Paulo

14/07/2021 09h36

Classificação e Jogos

Morreu ontem (13), aos 101 anos de idade, Alberto Dualib —presidente do Corinthians entre 1993 e 2007. O empresário estava internado no Hospital Santa Catarina, na capital paulista, desde o dia 13 de junho e não resistiu às infecções pulmonar e urinária. O ex-cartola deixa três filhos, netos e bisnetos.

Com Dualib na presidência, o Corinthians conquistou 12 títulos de expressão no cenário nacional e internacional: Campeonato Paulista (1995, 1997, 1999, 2001 e 2003), Campeonato Brasileiro (1998, 1999 e 2005), Copa do Brasil (1995 e 2002), Torneio Rio-São Paulo (2002) e Mundial de Clubes (2000).

Na virada do século passado para este, Dualib montou uma das equipes mais vitoriosas de toda a história do Corinthians, com nomes como Marcelinho Carioca, Rincón, Vampeta, Dida, Ricardinho e Edílson Capetinha. No período, a torcida passou a se referir ao clube como "Todo Poderoso Timão" após a conquista do Mundial de Clubes no Maracanã. O cântico ainda é entoado nas arquibancadas, e o período é constantemente relembrado pelo clube e pelos corintianos.

Nascido em Glicério, município distante 440 quilômetros da capital paulista, Dualib se mudou com a família ainda na infância para São Paulo. O cartola montou uma fábrica na região leste da cidade e comercializava artigos esportivos, sobretudo tênis para futsal.

Iniciou a carreira política no Corinthians cedo. Em 1993, sucedeu Marlene Matheus e assumiu o comando do clube do Parque São Jorge. Dali em diante, se manteve no poder até a temporada 2007, meses antes de a equipe cair para a Série B —naquele que até hoje é o episódio mais traumático da história do Alvinegro.

"Um, zero, zero" no Jornal Nacional

Além de títulos, Dualib colecionou escândalos na presidência do Corinthians. Em um dos casos mais famosos, ele se tornou um dos protagonistas de uma edição do Jornal Nacional em maio de 1997.

Foi exibida uma gravação com sua voz em tom desconfiado. "Um, zero, zero", dizia o presidente corintiano no que seria uma referência à doação de R$ 100 mil para a campanha a deputado federal de Ives Mendes, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol.

Mendes foi acusado de trocar doações por benefícios na arbitragem aos doadores. Dualib chegou a ser suspenso por dois anos pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), mas nunca se afastou de fato do clube e acabou anistiado em setembro de 1998.

Ao ser acusado, o então dirigente corintiano disse que foi procurado por Mendes para fazer uma doação para a campanha dele, mas que o Corinthians não estava envolvido na história. Assim, alegou que não haveria favorecimento ao clube em campo. Dualib também disse que não chegou a doar dinheiro para Mendes. Ele afirmou que "um, zero, zero" não era um valor, mas um código para falar sobre material da campanha do chefe da arbitragem na CBF.

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Em 2007, Dualib veria a badalada parceria com a MSI se transformar em acusação de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha feita pelo Ministério Público contra ele e outros personagens, como Kia Joorabchian. Sete anos depois, todos foram absolvidos pela Justiça Federal.

Ainda em 2007, pouco após a denúncia do Ministério Público, acuado pela iminente abertura de um processo de impeachment, ele renunciou à presidência do clube do Parque São Jorge. Má gestão e suspeita de enriquecimento ilícito, além do fato de enfrentar o processo na Justiça Federal, estavam entre os motivos alegados para o pedido de afastamento.

Em sua carta de renúncia, Dualib afirmou estar "atormentado por um sentimento de injustiça que me persegue" e declarou que, no Brasil, "inocente é culpado até que se prove o contrário". Disse ainda que renunciou a pedido de sua família.

A saída não impediu mais problemas na Justiça. Em 2008, ele foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por formação de quadrilha e estelionato por sua atuação no clube. No mesmo ano, o ex-presidente pediu seu desligamento do quadro associativo do Alvinegro e evitou sua expulsão. Sobre as acusações, ele alegou inocência.

A investigação do MP partiu de uma série de notas fiscais que aparentavam ser frias. Membros do Conselho Fiscal do clube entregaram um dossiê ao Ministério Público.

Ficaram famosas notas que indicavam que o clube reembolsou uma secretária da presidência por gastos com roupa íntima. Uma tanga fazia parte das compras. Opositores chegaram a pedir a "CPI da Tanguinha" no Parque São Jorge.

Em 2010, o ex-presidente foi condenado em primeira instância a três anos e quatro meses de reclusão em regime aberto. A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade. Ele também foi condenado a pagar multa de 80 salários mínimos ao clube. Três anos depois, houve condenação em segunda instância.

Em 2019, Markus Miguel Novaes, advogado do ex-dirigente, disse em entrevista ao GE que, no ano anterior, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) reconheceu a extinção da punibilidade de seu cliente por conta da prescrição da pena.

Sem alarde, em 2019, Dualib foi reconduzido ao Cori (Conselho de Orientação do Corinthians). A recondução aconteceu durante o mandato de Andrés Sanchez, que foi de aliado a seu maior opositor. Aconteceram protestos de sócios e conselheiros, mas o ex-presidente seguiu com seu nome no site do clube como membro do órgão.

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