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OPINIÃO

Mauro: Acho errado cobrar só da CBF o número 24, cobrem também os clubes

Do UOL, em São Paulo

01/07/2021 13h48

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro deu ontem (30) o prazo de 48 horas para que a CBF explique a ausência da camisa número 24 na seleção brasileira que disputa a Copa América, com o fato de ser a única entre as participantes da competição a pular do número 23 diretamente para o 25, decisão liminar que atende a uma ação do Grupo Arco Íris de Cidadania LGBT.

Em sua participação no programa UOL News Esporte, com Marcelo Hazan, Mauro Cezar Pereira vê a possibilidade uma rejeição dos próprios jogadores ao número e afirma que é injusto que a cobrança seja feita apenas à CBF, considerando que os clubes brasileiros têm números fixos e muitos deles não utilizam a camisa 24, exceto em limitação de opções em alguma competição.

"É aquela coisa, eu acho que o jogador que não quer o número, só pode ser, porque não pode ser coincidência. Você pega os times do exterior e todos têm o número 24, mas aqui no Brasil esse número é associado ao jogo do bicho, associado ao veado e associado automaticamente ao homossexual e aí por preconceito, o futebol é um ambiente extremamente preconceituoso, está tentando mudar isso agora. Aí o camarada vai lá e fala '24 eu não quero', é óbvio isso, é evidente", diz Mauro Cezar.

"Isso é uma besteira colossal. Eu só acho errado cobrar só da CBF, cobrar de todo mundo, todos os times têm a numeração fixa, passem um pente fino, quem tem o 24? Não tem, não tem, não tem. Ir só em cima da CBF eu acho que não é justo, deveriam cobrar de todos, completa".

O jornalista cita as ações promovidas pelos clubes no último fim de semana, quando o Fluminense teve seu capitão Nino com a camisa 24, além de carregar a braçadeira com as cores do arco-íris, apontando que a necessidade deste tipo de mensagem é justamente pelo fato de o futebol ser um ambiente homofóbico, ainda que em processo de mudança por parte de alguns clubes e atletas, elogiando mais uma vez a comemoração de gol do argentino Cano, pelo Vasco.

"O Fluminense inclusive agora colocou no jogo retrasado o capitão do time com esse número para justamente impactar, 'olha, aqui o nosso capitão Nino vai jogar com as cores do arco-íris no número, a braçadeira também nas cores do arco-íris e o número 24, ou seja, estamos aqui fazendo um negócio diferente'. Ali é meio que assinar o recibo, não pelo Fluminense, pelo futebol brasileiro. Um número que não é utilizado, ele era utilizado na Libertadores, por exemplo, quando eles limitavam o número de inscritos, aí alguém tinha que ficar com o 24 e ficava", diz Mauro.

"É uma bobagem, é uma coisa muito quinta série nos dias de hoje, mas ainda existe, como alguns jogadores, até por questões religiosas, não curtem muito esse movimento. Não falam porque não é legal falar, você vai sofrer críticas. Ficam quietinhos, mas tem jogador que não curte muito não, você conversa com as pessoas e fica sabendo de várias histórias que nem sempre eles ao favoráveis ao movimento. Inclusive, aplausos para o Cano, que é argentino, acho que existe uma diferença grande no geral de como pensam lá, pensam aqui e pensam no Uruguai, e que teve aquela iniciativa no jogo do Vasco contra o Brusque de erguer a bandeira e foi uma imagem muito bonita", conclui.