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Seleção: Ajudar Neymar vira trunfo de Everton Ribeiro mesmo em má fase

Danilo Lavieri e Gabriel Carneiro

Do UOL, no Rio de Janeiro

18/06/2021 04h00

Classificação e Jogos

No trabalho dentro de campo com a seleção brasileira, o que mais tira o sono do técnico Tite é achar um modelo ideal para a parte criativa do meio de campo. Nos últimos três jogos, parte da solução foi dar liberdade a Neymar para ele atuar não só caindo pelos lados, mas também centralizado, repetindo parte do que ele se acostumou a fazer no PSG. Ontem (17), na goleada sobre o Peru, o técnico notou que a produção não era a mesma no primeiro tempo e viu sua equipe melhorar bastante com a entrada de Everton Ribeiro.

O comandante e sua comissão repararam que a entrada do flamenguista desafogou a vida do craque, dividindo atenções com os marcadores. Na sua coletiva de imprensa após o 4 a 0, o técnico destacou que a dificuldade de adaptação de sua equipe foi normal por causa das seis modificações em relação à estreia e minimizou o baixo desempenho de outros jogadores como Everton Cebolinha e Gabigol. Mas, com uma resposta monossilábica — "sim" — respondeu à última pergunta da entrevista para dizer que é importante ter um meia ativo em campo para tentar facilitar a entrega de seu craque.

Contra o Paraguai e o Equador, pelas Eliminatórias, e diante da Venezuela, na Copa América, a estratégia foi colocar Neymar em um espaço do campo que, se ele for caçado, vira uma falta perigosa. Isso, ao menos em tese, inibe uma marcação mais dura em cima do camisa 10. Por ali, ele pode atuar como garçom, pode arrancar e driblar adversários em direção à área, mas também pode atuar como um pivô girando em cima do zagueiro e chutando da intermediária, como foi no gol contra o Peru que o deixou a nove de empatar com Pelé como o maior goleador da história da seleção.

Para Tite, se tivesse acontecido antes, a entrada de Everton Ribeiro ontem teria potencializado o ataque como um todo. Nos treinos, o que o comandante pede ao meio-campista é que ele consiga segurar mais a bola e dê o toque refinado, seja caindo pela direita, como foi contra a Venezuela, ou mais centralizado como ele faz no Brasileirão com a camisa rubro-negra.

O técnico, inclusive, reconhece que Everton não vive os seus melhores momentos, mas insistiu no chamado que causou estranheza até nos flamenguistas por apostar que o jogador está em "retomada". É um script parecido com o de Philippe Coutinho no pós-Copa de 2018. O meia ficou longe de desenvolver seu melhor futebol, mas já tinha impressionado tanto a comissão técnica em oportunidades anteriores que seguia ganhando chance mesmo com atuações abaixo do esperado. Recentemente, ele perdeu espaço nas listas por causa de lesões.

Achar o encaixe perfeito do meio-campo é um desafio para Tite que se intensificou desde a saída de Renato Augusto após o Mundial da Rússia. Homem de confiança desde os tempos de Corinthians, ele ditava o ritmo da equipe. Sua saída é sentida até hoje. De lá para cá, o comandante tem buscado alternativas, mudanças táticas e, agora, vai usar a Copa América para promover novos testes mantendo a liberdade de Neymar, acrescentando Everton no setor para ver se isso aumenta o poder de fogo da seleção. Resta saber quem vai perder o espaço.

O técnico admite jogar apenas com dois volantes marcadores, como são Casemiro e Fred por exemplo, mas para isso pode ter de sacrificar investidas de laterais como a de Renan Lodi, o que favoreceria Alex Sandro, que é melhor avaliado na hora de defender. Ou ele pode sacrificar um dos atacantes, dando aos meio-campistas mais responsabilidade de entrar na área.

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