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Namoro de Cavani com Grêmio começou com presente numa Copa América

Grêmio presenteia Cavani com camisa inspirada em seleção uruguaia - Divulgação/Grêmio FBPA
Grêmio presenteia Cavani com camisa inspirada em seleção uruguaia Imagem: Divulgação/Grêmio FBPA

Marinho Saldanha

Do UOL, em Brasília (DF)

16/06/2021 04h00

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Era setembro de 2020 e nada estava normal. Não só pela pandemia do novo coronavírus que alterava a vida de pessoas em todo planeta. Mas, em Porto Alegre, o clima era ainda mais estranho. Para todo lado que um gremista olhasse, via Cavani. Fotos de supostos Cavanis brotavam em grupos de WhatsApp, entrevistas sugeriam que havia chance de ele jogar no Grêmio, negociações ocorriam nos bastidores, esperanças se multiplicavam para um anúncio que nunca aconteceu. O namoro com o atacante uruguaio, que virou sonho frustrado, começou com um presente, durante uma (outra) Copa América no Brasil, e por pouco não virou casamento.

Em junho de 2019, o Uruguai jogou contra o Japão na Arena do Grêmio. Na partida, por iniciativa própria, os torcedores espalharam cartazes sugerindo que o jogador atuasse no Tricolor. A ideia tinha nascido numa declaração do então colega de Neymar no PSG de que "sonhava em jogar a Libertadores". Bingo! Seria pelo Grêmio.

A hashtag #VemCavani tomou o Twitter e chegou até as redes sociais oficiais do atleta. Mas até ali não havia nenhum movimento real ou um contato da direção gremista com ele. O que veio a acontecer dias mais tarde.

O Uruguai foi treinar no CT Presidente Luiz Carvalho, do Grêmio, antes de se despedir da capital gaúcha. Lá, membros da delegação, comissão técnica e jogadores foram presenteados com camisas do time —incluindo a azul celeste, feita em homenagem ao Uruguai. Cavani posou para fotos recebendo presentes. Uma camisa personalizada e um contato breve abriram caminho para tudo que viria no ano seguinte.

Naquele momento, ninguém imaginava que Cavani pudesse ser sonho de consumo do clube. Mas o destino tratou de retomar aquela troca de olhares. O Tricolor, segundo apurou o UOL Esporte, sondou o jogador por meio de intermediários tão logo soube que ele não ficaria no PSG. Cavani vivia negociação com Benfica, que acabou não fechando.

A primeira tentativa do "oi, sumido" acabou frustrada, mas não ficou por aí. Atrás do "match", o Grêmio retomou a aproximação dias mais tarde, com monitoramento da situação do atleta e troca de mensagens com seu estafe, apresentando um plano para que ele pudesse atuar no Rio Grande do Sul.

Convencer Cavani não seria possível através de dinheiro, pois o mercado europeu sempre foi mais potente. O Grêmio oferecia para ele "carinho". O uruguaio já chegaria como ídolo da torcida, estaria perto de seu país, para onde poderia se deslocar rapidamente nos momentos de folga e curtir a vida na fazenda que tanto gosta. Além disso, sairia dos holofotes do grande centro e teria tudo para seguir brilhando. Ele, inclusive, teria ficado impactado com a reação dos torcedores pedindo sua chegada. E lembrava do presente, da camisa que remetia ao Uruguai. Mas, não foi possível.

Enquanto isso, o presidente Romildo Bolzan Júnior, com uma frase, colocou a torcida em polvorosa. "De repente surge a química", disse ele em entrevista ao programa "Hora do Consular", no Facebook. Foi o estopim para tudo que ocorria nas redes sociais.

Todo homem que lembrasse Cavani virava ele. Áudios relatavam possíveis reuniões. Sempre alguém tinha visto Cavani em algum lugar da capital gaúcha. Hotéis, restaurantes, Cavani teria chegado escondido e datas para o possível anúncio se repetiam. Nunca aconteceu.

Oficialmente, o discurso sempre foi de que "não tinha a mínima chance". O que o tempo provou ser verdade, mesmo com as repetidas investidas. O namoro que começou no presente durante a Copa América não virou casamento. Cavani deixou o PSG e assinou com o Manchester United, da Inglaterra, onde atua até hoje.

Nesta sexta-feira (18), Cavani estará novamente em campo no Brasil. Será no Mané Garrincha que atuará pela Copa América, contra a Argentina, na estreia da seleção uruguaia na competição. Se receber algum presente, quem sabe tudo isso não possa começar novamente? Desta vez, alguns anos mais velho, depois de passar pelo Manchester United... Quem sabe... E lá vamos nós achar Cavanis por toda cidade novamente, mesmo na pandemia.

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