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Messi liderou motim que derrubou presidente, mas permanência é incógnita

Lionel Messi em jogo do Barcelona - David Ramos/Getty Images
Lionel Messi em jogo do Barcelona Imagem: David Ramos/Getty Images

João Henrique Marques

Do UOL, em Paris

28/10/2020 04h00

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A renúncia do presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, é um alívio para Lionel Messi, mas ainda passa longe de ser algo que defina uma renovação de contrato. O argentino era inimigo declarado de Bartomeu e liderou um elenco sem diálogo com o mandatário.

Messi ignora Bartomeu há algum tempo. A tentativa frustrada de sair do Barcelona ao encerrar a temporada passada com a vexatória derrota por 8 a 2 para o Bayern de Munique, pelas quartas de final da Liga dos Campeões, foi toda conduzida por advogados do jogador, sem qualquer contato entre o argentino e o ex-presidente.

O comportamento de Messi foi copiado nos vestiários. Recentemente, Bartomeu aproveitou reunião do grupo antes do treinamento para uma tentativa de discussão de redução salarial. No entanto, o dirigente foi ignorado pela grande maioria, que seguiu o argentino ao campo de treino enquanto o cartola se posicionava.

O problema de relacionamento com Messi é encarado pela mídia catalã como o responsável pela renúncia. Ele já foi tratado publicamente diversas vezes pelo argentino.

Quando tentou deixar o Barcelona, Messi justificou ser um atrito com a atual diretoria como o responsável. Em caso mais recente, um texto no Instagram em homenagem ao amigo Luis Suárez teve crítica aos dirigentes pela saída do uruguaio e comentários em apoio de nomes de peso do Barça como os brasileiros Neymar e Daniel Alves.

“Você merece a despedida pelo que é: um dos jogadores mais importantes da história do clube, conquistando coisas importantes em grupo e individualmente. E não ser expulso como eles fizeram. Mas a verdade é que a essa altura nada me surpreende com essa diretoria”, alfinetou Messi.

O vínculo contratual de Messi com o Barcelona termina ao fim da temporada. Em março, o clube terá eleições para definir um futuro presidente, sendo que todos os candidatos colocam a permanência do argentino como o foco da campanha. Apesar disso, a saída do jogador ainda é encarada no vestiário do clube como o caminho mais provável.

Justificativa de Bartomeu é contraditória

Na noite de terça-feira, Bartomeu justificou o pedido com a não aceitação do Governo da Catalunha de impedir eleições do clube para o final de semana. O cenário de avanço da pandemia na região foi apontado como o motivo da discórdia.

“Queríamos fazer a eleição cuidando da saúde de todos e não apresentando riscos por conta da mobilidade. Não queremos escolher entre saúde e voto. E por isso não apoiamos o voto e renunciamos imediatamente”, se explicou Bartomeu.

Logo após as explicações, grande parte da imprensa catalã recuperou posturas recentes do presidente do Barcelona. A mais contraditória delas foi a defesa de público no estádio na estreia do time na Liga dos Campeões, semana passada, diante do Ferencvaros — Barça goleou por 5 a 1.

A UEFA deixa a decisão da presença de público para os governos locais. No caso, o Governo da Catalunha não aceitou o pedido do Barcelona para ter, ao menos, 1.000 pagantes no estádio.

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