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Rithely pede rescisão e cobra mais de R$ 20 mi do Sport: "tentei resolver"

Getty Images
Imagem: Getty Images

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

04/08/2020 15h14

Insatisfeito com os salários atrasados e a postura do Sport após a pandemia, o volante Rithely resolveu acionar o clube rubro-negro na Justiça do Trabalho. Ele cobra mais de R$ 20 milhões.

De acordo com a ação, são mais de dois anos de débitos do Sport com o jogador, entre salários atrasados, direitos de imagem e multa rescisória. O valor exato do processo, que corre em segredo de Justiça, é de 20.903.331,80.

Rithely, que é representado pelos advogados Filipe e Thiago Rino, soltou uma nota esclarecendo toda situação. Ele conta sobre os débitos não quitados e diz que até aceitou parcelar os valores, mas foi surpreendido pela decisão da diretoria de treinar separado do elenco na volta do futebol após a pandemia.

"Estava ansioso pelo retorno, quando na véspera da reapresentação, recebi ligação de um Dirigente do Clube, dizendo que não era para eu me reapresentar, que minha reapresentação seria somente em 30/06/2020. Não entendi os motivos, vez que todo elenco se reapresentaria no dia seguinte", diz trecho do texto.

"Quando me reapresentei em 30/06/2020, fui colocado para treinar em separado, junto com outros três atletas recém promovidos da categoria de base, treinando em locais e horários distintos dos demais atletas profissionais. Naquele dia, o Presidente do clube concedeu entrevista, dizendo que eu havia faltado ao treino. Mas eu estava lá. Por mensagens de WhatsApp (anexadas ao processo), questionei qual era a intenção dele ao dizer o que não era verdade", acrescenta.

Segundo Rithely, 'são 11 meses de Salários em atraso, 13º salários de 2017 e 2018 em atraso, 12 meses sem depósitos do FGTS, duas férias em atraso, 20 meses do Direito de Imagem em atraso, cinco parcelas das luvas em atraso'. Ele ressalta, porém, que 'o mais grave de tudo isso, é estar proibido de exercer sua profissão, de trabalhar e treinar junto de meus companheiros'.

Procurado pelo UOL Esporte, o Sport informou que irá se pronunciar ainda nesta terça-feira (4).

Depois de uma temporada atuando pelo Internacional por empréstimo, Rithely voltou ao Sport no início deste ano e jogou nove partidas com a camisa rubro-negra, sendo quatro pela Copa do Nordeste e cinco pelo Campeonato Pernambucano, todas elas antes da pandemia.

O QUE RITHELY PEDE

- 11 meses de Salários em atraso (5 de 2018 e 6 de 2020)

- 12 meses sem depósitos do FGTS

- 20 meses de Direito de Imagem (2 de 2018, 12 de 2019 e 6 de 2020)

- 5 meses de luvas em atraso

- 13o integral de 2017

- 13o integral de 2018

- 13o proporcional de 2020

- Férias integrais de 2018

- Férias integrais de 2020

- Multa por não pagamento das férias integrais

- Rescisão indireta

- Cláusula compensatória desportiva

- Multa por rescisão por inadimplência do Contrato de Imagem

- Multa por não pagamento das verbas rescisórias (artigo 477 CLT)

- Indenização pela não contratação do Seguro (em virtude do acidente de trabalho sofrido).

- Honorários de sucumbência

A NOTA DE RITHELY

Antes que venha a ser especulado os motivos da minha saída do Sport Club do Recife, resolvi expor todos os motivos que me levaram a ingressar com o pedido judicial de rescisão do meu Contrato de Trabalho.

Desde 2011 sou atleta deste grande clube, o maior do Nordeste, um dos maiores do país. Clube que aprendi a amar, torcida apaixonante, que me fazia emocionar sempre que entrava em campo. Sempre foi meu maior orgulho vestir essa camisa e entrar na Ilha do Retiro com este manto.

Porém, no final de 2017 a situação começou a mudar. Em 15/10/2017, durante partida contra o Atlético Mineiro, levei um pisão no tornozelo esquerdo. Após a partida, realizei uma série de exames específicos, e sempre me foi dito que não era nada, que era uma simples entorse no tornozelo.

Mesmo com dores, sempre honrando o Sport, continuei entrando em campo e fazendo o meu melhor.

Como todos sabem, em Março de 2018 o Sport recebeu uma ótima proposta do SC Internacional e decidiu me emprestar. Ao chegar no SC Internacional e efetuar os exames médicos, foi diagnosticado que a lesão ocorrida em 15/10/2017 era grave, necessitando de cirurgia, que ocorreu no começo de Abril de 2018. Passei toda aquela temporada fora dos gramados, me recuperando da cirurgia.

Durante este período, ficou contratualmente estabelecido que o Sport deveria continuar arcando com minha remuneração mensal. Porém não recebi os salários de Agosto à Dezembro e também o 13º salário de 2018, e também os Direitos de Imagem de Agosto e Setembro de 2018.

Em 2019, enquanto estava emprestado ao SC Internacional, meus salários eram pagos por eles e meu Direito de Imagem era pago pelo Sport, conforme Contrato de Empréstimo.

Durante o ano inteiro de 2019, nenhum Direito de Imagem foi pago. Foram 12 meses sem receber do Sport.

Retornei ao Sport em Janeiro de 2020, quando já haviam seis meses de salários em atraso e 14 meses sem pagamento dos Direitos de Imagem. Por amar o clube, demonstrando meu interesse em ficar e continuar meu Contrato até o fim (até 2022), aceitei parcelar todos os valores atrasados (seis meses de salários e 14 meses de Direito de Imagem) em 60 parcelas, em cinco anos. Concedi ainda um prazo de seis meses para que o Sport pagasse os débitos antigos. Porém, sequer foram pagas as duas primeiras parcelas desse acordo.

E mesmo assim, continuei a me dedicar ao máximo em campo, e vinha sendo titular até a suspensão dos Campeonatos em virtude da pandemia. E mesmo assim, em 2020, recebi apenas o salário de Janeiro e parte de Fevereiro, e o Direito de Imagem de Janeiro. Não recebi o restante de Fevereiro, Março, Abril, Maio e Junho, nem salário, nem Direito de Imagem.

Durante a pandemia, segui a risca todas as recomendações do Departamento de Futebol, efetuando treinos diários, que eram repassados a todos nós atletas. No começo de Junho fomos informados que nossa reapresentação seria em 15/06/2020.

Estava ansioso pelo retorno, quando na véspera da reapresentação, recebi ligação de um Dirigente do Clube, dizendo que não era para eu me reapresentar, que minha reapresentação seria somente em 30/06/2020. Não entendi os motivos, vez que todo elenco se reapresentaria no dia seguinte.

Quando me reapresentei em 30/06/2020, fui colocado para treinar em separado, junto com outros três atletas recém promovidos da categoria de base, treinando em locais e horários distintos dos demais atletas profissionais.

Naquele dia, o Presidente do clube concedeu entrevista, dizendo que eu havia faltado ao treino. Mas eu estava lá. Por mensagens de WhatsApp (anexadas ao processo), questionei qual era a intenção dele ao dizer o que não era verdade.

Continuo treinando em separado, porém, após muita reflexão, decidi entrar com o pedido de rescisão do meu contrato. Neste momento, são 11 meses de Salários em atraso, 13º salários de 2017 e 2018 em atraso, 12 meses sem depósitos do FGTS, duas férias em atraso, 20 meses do Direito de Imagem em atraso, cinco parcelas das luvas em atraso, e, mais grave que tudo isso, estou proibido de exercer minha profissão, de trabalhar e treinar junto com meus companheiros.

Tentei de todas as formas resolver a situação, tentei conversar com o Presidente, mas nunca tive uma resposta, parcelei todos meus salários em atraso em 60 vezes, em 5 anos, e mesmo assim, o clube não pagou nenhuma parcela e continuei sem receber meus salários.

Permanecem meu respeito, amor, carinho e admiração pelo clube e pela torcida. Mas a relação ficou insustentável, sem sequer ter uma única posição ou conversa oficial com o clube, e como mantenho o sustento de minha família exclusivamente com meu trabalho, fui obrigado a lutar pelos meus direitos.

Atenciosamente,

Rithely

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