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Amaral diz o jogo mais irritante em que já atuou: "me chamavam de negrinho"

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos e São Paulo

11/01/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Amaral aponta um Brasil x Argentina como o jogo mais irritante que já atuou
  • "Eles chamavam de negrinho, cuspiam na gente", recorda o Coveiro Amaral
  • Amaral, ao menos, deu assistência para o gol da vitória, marcado por Donizete
  • Ex-jogador ainda fala sobre o elástico que levou do Romário no Pacaembu

É difícil imaginar o Coveiro Amaral saindo do sério, certo? Pois é, mas já aconteceu. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o ex-volante — que hoje dá seus shows de stand-up comedy — revelou qual foi o jogo que mais lhe irritou na vida: Brasil x Argentina, em 1995.

A partida, amistosa, não era válida por competições oficiais, mas ainda assim era o principal clássico sul-americano entre seleções. "Eles nos chamavam de negrinho, cuspiam na gente, davam cotovelada", recorda Amaral.

Ao menos, o ex-jogador que viveu clássicos como Palmeiras x Corinthians e Flamengo x Vasco teve motivos para comemorar no confronto. Foi dele o passe para o gol da vitória por 1 a 0 do Brasil, marcado por Donizete, o Pantera.

VEJA A ENTREVISTA COMPLETA:

UOL Esporte: O jogo de futebol que mais te irritou na vida foi?

Amaral: Brasil e Argentina, quando a gente ganhou de 1 a 0 lá com um passe meu. Esse jogo foi em 95, um amistoso da seleção brasileira, e fazia 19 anos que o Brasil não ganhava lá. Passe meu, e gol do Donizete. Esse jogo me irritou porque eles nos chamavam de negrinho, cuspiam na gente, davam cotovelada... Eles irritaram.

Folha Imagem/Arquivo
Imagem: Folha Imagem/Arquivo

UOL Esporte: Escale a sua seleção de jogadores com quem você trabalhou...

Amaral: Goleiro, Michel Preud'homme, trabalhei com ele no Benfica. Lateral direito é o Cafu. Zaga com Antonio Carlos Zago e Aldair, joguei com ele na seleção brasileira, e o lateral esquerdo é o Roberto Carlos. No meio-campo, claro, Amaral [risos], e César Sampaio, com dois meias, Rivaldo e Djalminha. No ataque, Romário e Ronaldo Fenômeno. Meu treinador seria Carlos Bianchi, trabalhei com ele na Fiorentina.

UOL Esporte: Você não pode contar mais os seus 'causos' em entrevistas? Somente em stand-up ou palestras? Você tem contrato com alguma empresa?

Amaral: Eu não tenho contrato com ninguém, não, é que agora eu seguro um pouco para contar os causos, entendeu? Alguém me contrata, me leva para vários eventos, e às vezes a gente faz stand-up, então não é uma coisa certa... Tenho que dar uma segurada também, toda hora todo mundo quer. 'Ó, conta isso aqui, conta essa aqui', entendeu? Então agora eu dou uma segurada.

UOL Esporte: Quais os cinco maiores times que você já viu na sua vida?

Amaral: Ah, todos os times que eu joguei [risos]. Palmeiras, Corinthians, Vasco da Gama, Grêmio, Benfica, e tem mais...

UOL Esporte: Para o Amaral, quais os três melhores jogadores na história do futebol?

Amaral: Na história, vou citar quatro: Romário, Djalminha, Dener e Ronaldo Fenômeno.

UOL Esporte: O Romário, por quê?

Amaral: Porque era um matador, né? Não é porque ele me deu um elástico, não [risos], mas ele era muito fora de série. Só que eu deixei muita gente boa de fora nesta seleção aí. O Djalminha porque é um gênio, o Dener porque era talentoso, despontou bastante, pena que aconteceu aquela fatalidade e acabou morrendo, mas seria um dos melhores jogadores... E o Fenômeno, dispensa comentários, baita jogador.

UOL Esporte: O que te fez chorar no esporte?

Amaral: Perder a Olimpíada [bronze em Atlanta 1996] e perder o Mundial de Clubes contra o Corinthians em 2000, eu estava pelo Vasco.

UOL Esporte: Qual a mais marcante, a Olimpíada ou o Mundial de Clubes de 2000?

Amaral: Os dois, mas o Mundial marcou bastante também porque eu fui escolhido o melhor jogador em campo, e se fosse campeão, já imaginou? Campeão e ainda melhor jogador em campo? Pô, seria melhor, né?

Jose Agurto REUTERS
Imagem: Jose Agurto REUTERS

UOL Esporte: Qual foi aquele cara mais chato que você marcou?

Amaral: Zidane. Foi quando eu era da Fiorentina e jogava contra a Juventus. Era muito difícil marcá-lo, porque ele virava para os dois lados e eu não sabia para onde o cara ia, era muito difícil.

UOL Esporte: Já teve na sua carreira uma discussão mais tensa por causa de futebol?

Amaral: Jamais, eu sou um cara de todas as torcidas, sou de boa.

UOL Esporte: Qual o comentário no meio do futebol que você escuta e mais te irrita?

Amaral: Salários altos, muito altos, e por isso que os clubes até acabam quebrando.

UOL Esporte: Como você se define? Fala o que você quiser.

Amaral: Eu sou um cara meio estranho. Nunca pensei em ser jogador de futebol, e a coisa aconteceu naturalmente. Quem sonha não acontece, tem que deixar na vontade de Deus para as coisas acontecerem, e foi isso que aconteceu na minha vida. Eu sempre falo que fui um jogador limitado, mas sempre fui firme, profissional, e por isso que fui vendido duas vezes para a Itália, onde era o centro do mercado, muito difícil de um jogador jogar, e era o melhor campeonato do mundo. Na primeira vez, fiquei um ano no Parma, e depois três anos na Fiorentina, onde fui campeão da Copa Itália 2000/01. Fazia tempo que ela não era campeã, e depois faliu.

UOL Esporte: Qual momento do esporte você não esteve, mas queria muito ter visto in loco?

Amaral: Uma Copa do Mundo. Um mundial sendo campeão do mundo, sabendo que a própria base foi a base que nós tivemos na Olimpíada. Praticamente todos os jogadores com quem eu joguei [em 1996] foram campeões do mundo, então esse é o momento que a gente queria estar. Mas se a gente não estava de corpo e alma, a gente estava nos corações daqueles companheiros que a gente desejou boa sorte.

UOL Esporte: Como foi a sua relação com o treinador Carlos Ancelotti?

Amaral: Foi muito boa, apesar de que, quando eu fui para lá, ainda não estava pronto para ficar na Itália, e por isso acabei não ficando. Não me adaptei, nunca tinha saído do país ainda, e morando num país onde caía gelo do céu, fiquei meio assustado [risos]. Foi muito difícil na primeira vez, mas na segunda passagem pela Fiorentina foi muito bom, apesar de ter chegado lá e sofrido uma lesão de ligamento cruzado... Aí me recuperei lá e, no final, fui coroado e ao ser campeão da Copa da Itália em cima do Parma, onde não fiquei muito tempo. No Parma, eu peguei o Carlos Ancelotti, Cannavaro, Buffon, etc..., então foi por falta de adaptação. Agora, trabalhar com o Ancelotti foi muito bom, ele gostava muito de mim... Às vezes eu curto algumas coisas dele no Instagram e às vezes ele até comenta, e isso é legal.

UOL Esporte: Voltando ao elástico do Romário em cima de você, no Pacaembu, em 1999, no jogo entre Corinthians e Flamengo... Ele já comentou disso com você?

Amaral: Ele falou para mim quando eu cheguei no Vasco da Gama: 'Agora você vai correr certo', e eu falei: 'Agora você pode dar elástico em mim no treino porque no jogo você está do meu lado [risos]'.

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