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Desempenho ruim ligou alerta, mas Tite ainda tem respaldo de CBF e atletas

Tite, durante o amistoso da seleção brasileira contra a Coreia do Sul - Lucas Figueiredo/CBF
Tite, durante o amistoso da seleção brasileira contra a Coreia do Sul Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Bruno Grossi e Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

19/11/2019 18h28

A série de cinco partidas sem vitórias da seleção brasileira foi interrompida hoje (19) pela manhã, mas serviu para evidenciar dois pontos: a existência de um debate — e até de uma cobrança interna — pela melhora de desempenho do time e o respaldo que Tite ainda tem na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e entre os jogadores.

Em nenhum momento dessa fase instável Tite esteve ameaçado no cargo. O presidente da CBF, Rogério Caboclo, confia no técnico e segue com o objetivo de mantê-lo até a Copa do Mundo de 2022. Isso não impede, entretanto, que a oscilação seja debatida. E a queda de desempenho desde o título da Copa América realmente preocupou.

Os cartolas passaram essa visão cautelosa para a comissão técnica, que já havia feito uma autocrítica, sobretudo pela falta de resultados. Tite enxergava alguns bons momentos em jogos específicos, mas admitiu, como na entrevista coletiva de hoje, que cometeu erros neste segundo semestre com a seleção brasileira.

"Incomodou não ter um nível mais alto. Não fiquei satisfeito com os resultados. Mas tenho que ser duro, casca grossa. Se eu estou desequilibrado, se eu não tenho a experiência que tenho, eu proporciono mais pressão para os garotos que têm entrado. Eles produziriam menos. Crítica e elogio são do jogo. Eu preciso saber como lidar e continuar com foco no trabalho. Queríamos mais resultados, mas aos poucos vamos reconstruindo o time. Tive erros meus. Ensaiei e errei, encontrei soluções por eliminação. Errei muito. Pensei coisas e não fiz acontecer", disse o técnico.

Na visão da CBF, e ela é compartilhada pela comissão técnica, a oscilação apresentada é normal diante do cobrado processo de renovação do elenco pensando em 2022. Tite foi mais conservador nas convocações entre a Copa do Mundo de 2018 e a Copa América deste ano, priorizando a conquista continental, mas depois começou a abrir mais espaço para jovens. Miranda, Fernandinho e Filipe Luís, todos acima dos 33 anos, não foram mais chamados. Contra a Coreia, oito jogadores com idade olímpica foram utilizados.

  • Militão, 21 anos
  • Renan Lodi, 21 anos
  • Lucas Paquetá, 22 anos
  • Gabriel Jesus, 22 anos
  • Richarlison, 22 anos
  • Emerson, 20 anos
  • Douglas Luiz, 21 anos
  • Rodrygo, 18 anos

Renan Lodi - Pedro Martins/MoWA Press - Pedro Martins/MoWA Press
Lateral-esquerdo deu suas duas primeiras assistências pela seleção brasileira no amistoso de hoje
Imagem: Pedro Martins/MoWA Press

Com tantas experiências — e Tite tem sido cobrado até por não ter feito mais trocas —, perdeu-se em entrosamento, em sintonia fina. Algo que os próprios jogadores identificaram. "Infelizmente aconteceu de time não encaixar nos últimos jogos, mas acontece. Tem muita gente nova chegando e o entrosamento demora um pouquinho", ponderou Gabriel Jesus, na saída do estádio Mohammed Bin Zayed, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.

Tite só receberá uma pressão interna mais acentuada se desempenho e resultados continuarem a falhar em fases mais delicadas do ciclo para a Copa do Mundo de 2022. Em março, as Eliminatórias começam. No meio do ano, há uma nova edição de Copa América, agora na Colômbia. Amistosos livres só voltam à agenda daqui mais de duas temporadas. Antes disso, a CBF não vê sentido em cobrar duramente ou cogitar demitir Tite.

Além do respaldo dos cartolas, a comissão técnica segue em alta com os jogadores. E a capacidade de mobilizar os atletas, algo que sempre se destacou em Tite, voltou a aparecer nesta data Fifa de novembro. Eram cinco jogos sem vitórias, incluindo uma derrota para a Argentina, até a vitória com autoridade sobre a Coreia do Sul. Resultado e desempenho voltaram e o elenco da seleção brasileira atribuiu isso a Tite.

A vitória sempre traz coisas positivas. A gente vinha de um momento difícil, mas todo mundo jogou de forma natural, cumprindo tudo o que o treinador pediu. Esquecemos a pressão externa, como ele pediu, e todos jogaram leves e soltos
Philippe Coutinho

Entramos mais concentrados e essa vitória foi para o Tite. Não tinha ninguém de sacanagem aqui e todos trabalham por coisas melhores. A seleção brasileira é a maior que tem e agora tiramos um peso das costas de todos
Renan Lodi

Em seleção, você perde e fica mais de um mês martelando resultado negativo. Deu para todos trabalharem bem, com a mesma mentalidade, de jogar bem e aprender com uma comissão técnica que trabalha muito. Vitória importante para nós e para eles
Fabinho