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Caso Neymar: Delegada vê ausência de elementos para indiciamento do jogador

Do UOL, em São Paulo

30/07/2019 11h12

A delegada Juliana Bussacos, da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher, disse ter visto ausência de elementos suficientes para indiciamento de Neymar no caso de acusação de estupro feito pela modelo Najila Trindade. O inquérito foi encerrado ontem (29) e encaminhado para o Ministério Público.

"Ao longo da investigação, a noticiante foi ouvida três vezes, o investigado foi ouvido uma vez e 12 testemunhas relacionadas ao fato. Foram juntadas aos autos do inquérito policial o laudo sexológico, o exame de corpo de delito indireto, a ficha de atendimento médico, a ficha do atendimento médico do ginecologista particular. Além do laudo do celular que a vítima nos entregou e o laudo do tablet entregue pelo ex-companheiro dela. Concluí a investigação ontem e deliberei por não indiciar o investigado por ausência de elementos suficientes para tanto", disse Juliana, hoje, em entrevista coletiva.

"Na verdade, tinham coisas pendentes, como as fichas e imagens de Paris (onde o crime teria acontecido). Essas imagens não chegaram aos laudos do inquérito, mas, em razão de todo conjunto, verifiquei que não se tratava de uma prova imprescindível para a conclusão do inquérito policial", prosseguiu Juliana.

De acordo com a delegada, as imagens do hotel em Paris, na França, não são "imprescindíveis" para a conclusão do inquérito policial.

O Ministério Público terá 15 dias, a partir de hoje (30) para tomar as providências sobre o inquérito do caso, informou a assessoria de imprensa do órgão à reportagem.

O inquérito policial foi aberto após boletim de ocorrência realizado no dia 31 de maio por Najila Trindade. A delegada Juliana Bussaco tinha 30 dias para a conclusão do inquérito, mas fez o pedido de prorrogação do prazo no dia 1º de julho. A juíza acatou no último dia 12.

Em paralelo à investigação de estupro, a 11ª Delegacia de Polícia de Santo Amaro (SP) investigará uma suposta denúncia caluniosa de estupro por parte da modelo Najila Trindade. De acordo com a delegada Monique Lima, em entrevista coletiva concedida hoje (30), o inquérito foi instaurado após uma petição de Neymar e seu pai.

"Essa investigação também corre sob sigilo. Seria prematuro qualquer detalhe, parâmetro e responsabilizar as partes envolvidas. Vamos responsabilizar todos os envolvidos que tenham agido de má-fé. Vamos ouvir as partes envolvidas para apurar se houve denúncia caluniosa ou não", disse a delegada.

O caso

As investigações começaram em 31 de maio, uma sexta-feira. Najila chegou por volta das 18h30 à 6ª Delegacia de Defesa da Mulher, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo. Ela ficou no local até às 23h e depois seguiu para o Hospital Pérola Byington, onde realizou exame de corpo de delito.

Najila contou aos policiais que conheceu Neymar no Instagram e, depois de algumas mensagens trocadas pela rede social, os dois começaram a se falar por WhatsApp. Passadas algumas semanas de conversa, ela foi convidada para ir a Paris visitar o jogador. Neymar pagou as passagens e o hotel. Najila chegou em 15 de maio e à noite o jogador esteve no quarto dela.

A modelo relatou que o atacante estava alterado, fez sexo contra a vontade dela e não teria usado camisinha. Em seu depoimento, o atacante disse que usou preservativo e o jogou no vaso sanitário na sequência.

No dia seguinte, Neymar esteve no mesmo quarto e foi agredido por Najila. A modelo gravou o encontro e alegou que buscava uma prova de que se encontrara com o atleta. Sobre os tapas que deu em Neymar, visíveis em vídeo que viralizou durante as investigações, seria um revide às supostas agressões que sofrera na véspera.

Fotos e um laudo apontando hematomas nas nádegas de Najila foram publicadas na imprensa. Na troca de mensagens entre eles, Neymar falou que a modelo também foi culpada pelas lesões porque "pedia mais". Ela negou.

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