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Mãe vira cartola de clube de Talisca na Bahia e quer "ser exemplo"

Mãe Anderson Talisca - Divulgação/ Instagram
Mãe Anderson Talisca Imagem: Divulgação/ Instagram

Lucas Sarti e Pedro Sciola

Colaboração para o UOL

17/06/2019 12h00

Ivone Souza, mãe do meio-campista Anderson Talisca, é um caso raro no futebol brasileiro. Mulher e negra, a baiana atualmente ocupa o cargo de presidente do Esporte Clube Olímpia, clube fundado pelo jogador em 2016 e que foi vice-campeão da Série B do Baiano.

"Estou no começo de uma trajetória. Se esse trabalho que estamos trilhando der certo, naturalmente, me tornarei um exemplo para outras que querem viver a mesma experiência", comentou Ivone.

Aos 50 anos, Ivone comanda o Olímpia após trabalhar em diversas atividades: de zeladora a gerente de uma empresa de ônibus, além de ter sido ambulante, vendendo roupas e artesanatos.

Presente no cotidiano do clube, Ivone afirma que passa longe de ter um cargo meramente figurativo, participando da tomada de decisões do clube.

"[Trabalho na] aplicação de tudo o que é definido no modelo de gestão do clube, além de uma rotina natural de presidente de time de futebol. Assinar contrato, carteira de trabalho, reuniões, treinos, jogos, viagens, etc", contou.

Mesmo sem alegar ter sofrido qualquer tipo de machismo ou racismo em um ambiente de trabalho dominado por homens brancos, Ivone reconhece a dificuldade de ocupar tal posto. Ainda assim, ela demonstra otimismo e espera servir de exemplo para outras mulheres que sonham ter sucesso no esporte mais popular do país.

"Espero muito que todas nós mulheres possamos exercer cargos do nosso desejo, cargos que nos preparamos. E, especialmente, que a gente seja reconhecida e remunerada como os homens. Os primeiros passos estão sendo dados. Tomara que tenhamos sucesso juntas", disse em entrevista ao UOL Esporte.

"A sociedade como um todo tem se transformado nesse sentido. Não gosto se dar muita margem a esse tipo de questão porque acaba que atiçamos os preconceituosos e machistas. Mas, sabemos que é um problema e precisa ser discutido, sim", continuou.

Família Olimpia

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Vaga na elite do Campeonato Baiano escapou

Fundado em 2016 pelo jogador Anderson Talisca, o Olímpia começou apenas com equipes de categoria de base. Em 2018, porém, precisou paralisar as atividades por conta de cláusulas em contratos de Talisca, não apenas com o Besiktas, clube que defendia na época, mas também com patrocinadores particulares. Após a pausa, a agremiação retornou para a temporada de 2019 somente com o time profissional.

De acordo com Ivone, o investimento em todo o departamento de futebol é realizado através de aporte financeiro de um empresário italiano, amigo de Anderson Talisca e que prefere o anonimato.

Já Talisca diz não participar do cotidiano do clube, torcendo à distância pelo sucesso do clube e da mãe dirigente.

"Acompanho de longe, torço, mando mensagens e vibrações positivas, mas não tenho a menor condição de interferir no dia a dia do clube", disse Anderson Talisca ao UOL Esporte.

O Olímpia surpreendeu em sua primeira temporada em uma competição profissional. Em sua estreia, o clube ficou próximo de subir à elite do futebol baiano. Na fase de grupos, em 10 jogos, a equipe do municio de Lauro de Freitas contabilizou sete vitórias, dois empates e somente uma derrota, garantindo a vaga para a final com antecedência.

Na decisão, a "Águia Baiana" precisava de apenas um empate para garantir vaga na série A do Estadual, já que tinha vencido o primeiro jogo por 2 a 1. No entanto, acabou derrotado em casa por 3 a 0 pelo Doce Mel na partida de volta.

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