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Relação do Cruzeiro com gestora do Mineirão piora e ganha novo capítulo

Cruzeiro assinou com a Minas Arena em 2013, mas relação anda cada vez pior com a gestora do Mineirão - Cristiane Mattos/Light Press/Cruzeiro
Cruzeiro assinou com a Minas Arena em 2013, mas relação anda cada vez pior com a gestora do Mineirão Imagem: Cristiane Mattos/Light Press/Cruzeiro

Enrico Bruno

Do UOL, em Belo Horizonte

22/05/2019 04h00

A relação do Cruzeiro com a Minas Arena, administradora do Mineirão, está cada dia pior. Um novo capítulo já está em andamento e tem a ver com o jogo contra a Chapecoense, que foi marcado para o Independência, algo que não agradou os dirigentes celestes. O novo desentendimento ainda envolve a CBF e Comitê Organizador da Copa América.

Inicialmente, a Conmebol determinou que os estádios da Copa América fossem entregues ao comitê organizador local a partir do dia 14 de maio. Desta forma, o Cruzeiro não jogaria no Mineirão contra a Chapecoense e Corinthians, pelo Brasileiro, além do Fluminense, pela Copa do Brasil. O vice-presidente de futebol, Itair Machado, alegou que pediria o ressarcimento caso fosse preciso. Em resposta, a diretoria do Mineirão garantiu que o clube não seria prejudicado. Porém, no final de semana, a CBF confirmou a partida contra a Chapecoense para o Independência, desagradando a diretoria mineira, que mostrou surpresa com a decisão.

Em contato com a reportagem, a administração do Mineirão justificou que a opção pelo local da partida partiu da CBF. Segundo apuração do UOL, o que impede a realização de qualquer evento recente no Mineirão é o plantio da grama de inverno. O processo já foi iniciado, mas o gramado ainda não se encontra em condições ideais para o uso, desta forma, inviabilizando a partida contra Chape. Os duelos contra o Fluminense (5 de junho) e Corinthians (9) continuam marcados para o Mineirão.

Presente na Toca da Raposa na tarde de ontem, Itair Machado evitou comentar sobre o assunto, mas indicou que o caso está entregue ao departamento jurídico do Cruzeiro. Uma cláusula do contrato entre as partes estabelece que o pagamento de R$ 2,5 milhões deverá ser feito em duas situações: quando o clube opta em deixar de mandar suas partidas no estádio ou quando o estádio não fica à disposição do Cruzeiro nas datas dos jogos oficiais, como é o caso atual. Esta não é a primeira vez que isso acontece desde que o Mineirão foi reinaugurado, em 2013. Porém, nas ocasiões anteriores, quando shows e apresentações musicais impediram o Cruzeiro de jogar na Pampulha, as partes ainda não tinham relações tão estremecidas, e chegaram a um acordo amigável.

CPI do Mineirão é instaurada

Na tarde de ontem, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Minas Arena foi aberta na Assembleia de Minas Gerais. Não é segredo que o Cruzeiro deseja administrar o Mineirão e, por isso, tem interesse que a gestora do estádio seja investigada. Apesar disso, Itair Machado novamente foi curto nas palavras ao falar sobre o assunto, mas deixou claro que não o Cruzeiro não tem intenção de melhorar o relacionamento com a empresa.

Em contato com o UOL Esporte, a Minas Arena afirmou: "Ainda não fomos informados oficialmente sobre a CPI, mas estamos à disposição de todas as autoridades, assim como sempre estivemos".

"A Minas Arena reafirma seu compromisso em fazer a melhor arena multiuso do país, gerando empregos, trazendo visibilidade internacional ao Estado, realizando grandes jogos, eventos e movimentando a agenda de Belo Horizonte. Vale reforçar que a empresa cumpre integralmente o contrato firmado com o Estado e tem suas operações constantemente verificadas por auditores independentes e órgãos competentes", completou.

Promoção de ingressos

Mesmo insatisfeito com a determinação da CBF, o Cruzeiro aceitou a decisão da entidade e vai jogar no Independência contra a Chape. Para fazer bonito no Horto, a diretoria já divulgou que fará uma promoção de ingressos, que custarão R$ 10 e R$ 20. A cúpula está confiante em um público superior a 15 mil no estádio, que comporta pouco mais de 23 mil espectadores.