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Como Gabriel Jesus deixou a autocobrança excessiva e os fantasmas para trás

Action Images via Reuters/Carl Recine
Imagem: Action Images via Reuters/Carl Recine

Caio Carrieri

Colaboração para o UOL, em Manchester (ING)

18/01/2019 04h00

Gabriel Jesus começou 2019 mais leve. Depois de um ano frustrante com a seleção brasileira e um início de temporada ruim no Manchester City, o atacante refletiu com familiares, amigos e estafe. O excesso de cobrança pessoal, algo que sempre carregou consigo, foi um dos fatores apontados como possível barreira na retomada da confiança e da alegria para entrar em campo. O peso de passar em branco na Copa da Rússia e a forte autocobrança implodiram a confiança do jogador.

O período de festas no fim de 2018, com a casa em Manchester cheia de entes queridos por mais de 30 dias, serviu para o ex-palmeirense passar a encarar os desafios com mais leveza. A exigência própria segue como estímulo na rotina de treinos e jogos, mas passou a ser proporcional a um atleta de 21 anos, com a maior parte da carreira ainda pela frente.  

Somaram-se a isso a primeira sequência de três jogos como titular na atual campanha e sete gols marcados, a mesma quantidade que havia anotado nas 24 atuações anteriores. No comparativo, na última trinca de partidas ele precisou de 34 minutos em campo por cada bola na rede, contra 179 minutos necessários para desencantar anteriormente. A titularidade recente se deve a uma gripe de Sérgio Agüero, até então dono do comando do ataque. Ambos ocupam o topo da artilharia do City na temporada, com 14 gols cada.

Gabriel deixou o dele duas vezes na vitória em casa por 3 a 0 sobre o Wolverhampton, pela Premier League, na última segunda-feira. Antes, havia feito quatro na goleada por 9 a 0 sobre o Burton Albion, da terceira divisão, no jogo de ida da semifinal da Copa da Liga, também no Estádio Etihad, além de um gol no 7 a 0 sobre o Rotherham, da segunda divisão, na Copa da Liga, outra vez em Manchester.

"Sinto que o Gabriel evoluiu", afirmou Josep Guardiola. "Mas ainda pode evoluir mais. Não é fácil para ele concorrer com Sérgio (Agüero), que tem muita qualidade e é um grande ídolo do clube. O fator mais importante do Gabriel é que ele está sempre aberto (a aprender). Todo treino parece o último da vida dele, e esse é o melhor caminho para quem tem vontade de evoluir".

Internamente, o Manchester City reconhece a determinação de Jesus também em fatores extracampo. Por exemplo, a decisão espontânea do jogador de continuar concedendo entrevistas em inglês sem a necessidade de um tradutor. Esta atitude é vista como uma evidência de que o atacante retomou de vez a confiança.

Neste domingo (20), o City encara o lanterna Huddersfield, fora de casa, às 11h30 no horário de Brasília. O time de Guardiola ocupa a vice-liderança do Campeonato Inglês, quatro pontos atrás do Liverpool, que enfrenta no sábado o Crystal Palace, 14º, em Anfield.

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