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Em busca de 'algo invisível', Abel chega ao Fla cobrando salto para títulos

Para técnico, jogadores precisarão ter a identidade da torcida em campo - Alexandre Vital/Site Flamengo
Para técnico, jogadores precisarão ter a identidade da torcida em campo Imagem: Alexandre Vital/Site Flamengo

Do UOL, em São Paulo

02/01/2019 16h26

Abel Braga foi apresentado nesta quarta-feira (2) como técnico do Flamengo para a temporada 2019. Em entrevista coletiva, o técnico se disse "com fome" e afirmou esperar que o time possa dar algo a mais do que o mostrado nos últimos anos na busca por títulos - embora ainda não tenha sabido definir qual é essa carência a ser suprida.

"Eu venho com fome. Para mim, é extremamente importante poder dar algo mais ao Flamengo", disse o treinador. "A gente não precisa de muita coisa. A gente precisa de algo um pouquinho invisível, que não se vê no campo. É isso que está precisando, da minha maneira de pensar. Vou descobrir o que é, não tenha dúvida disso", completou.

Na chegada, Abel fez elogios aos trabalhos feitos por antecessores no cargo, citando nominalmente Zé Ricardo, Maurício Barbieri e Dorival Júnior.

"Na minha cabeça, eu estou feliz. Sabe por quê? Vou quebrar pouco a cabeça. A equipe praticamente montada. Começou com o Barbieri, lá atrás com o Zé Ricardo, passou pelo Dorival", disse. "Da minha maneira de pensar, de ver futebol, é uma equipe montada."

Em busca do já citado "algo invisível", o treinador espera que o time tenha a identidade da torcida, citando o apoio recebido pela equipe na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2018.

Na ocasião, mais de 66 mil torcedores pagaram ingressos para o jogo no Maracanã contra o Atlético-PR. O Flamengo já não brigava pelo título brasileiro, conquistado pelo Palmeiras na rodada anterior, mas compareceu em peso. O time paranaense venceu por 2 a 1.

"A gente crê que precisamos ter um pouco mais de identidade. Porque, do lado de fora, o torcedor está vendo: não é normal um clube que não ia para frente nem para trás na última rodada do Brasileiro colocar 60 mil pessoas no estádio. Talvez agora se esteja com aquela mentalidade de time europeu, de estádios sempre cheios. Isso foi uma grande demonstração. Nós somos obrigados a ter uma identidade muito grande com isso. Tem que saber exatamente o peso que essa torcida representa", disse.

"Tem que haver uma identificação maior. Não estou criticando ninguém. Porque os caras estão indo (ao estádio), os caras vão. Não é normal todo ano você começar com favoritismo, que todo ano se dá, e depois você falha quando tem que dar o salto, quando tem que vencer. Alguma coisa não corre bem. É isso aí que vamos ter que descobrir", completou.

Falando ao torcedor, Abel Braga prometeu "procurar, tentar identificar, criar uma situação semelhante no campo ao que acontece na arquibancada". "E em 2004, senti isso na espinha", completou, citando passagem anterior pelo clube.

Começo de temporada

O treinador estava sem clube desde que pediu para deixar o Fluminense em junho. Desde então, vinha descansando e vendo jogos para se preparar para voltar ao trabalho.

?(Estava) vendo muito jogo, mas muito agradecido por ter ficado esse tempo vendo futebol e repousando. É tua lição, teu estudo. Mas eu não sabia que viria para o Flamengo, então valeu a pena, porque sei a responsabilidade agora. Estou leve, camarada?, disse.

A preocupação para ele agora é o ritmo que seu time enfrentará ao longo do ano. No dia 10 de janeiro, o Flamengo jogará contra o Ajax na Florida Cup 2019. E mesmo considerando o torneio como parte da pré-temporada, Abel sabe que não poderá se permitir priorizar competições.

?Quero ganhar o máximo que puder. O que vamos mais fazer é priorizar sempre o próximo jogo, independente da equipe que estiver em campo. Acho que, estrategicamente, foi cometido um erro neste ano, não sei se pelo número de jogadores, quando se tentou colocar uma equipe titular no Estadual, na Copa do Brasil, na Libertadores e no Brasileirão. Não suporta. O termo é esse?, afirmou.

?Ninguém prepara uma equipe para 80 jogos em 17 dias. Nesse primeiro mês aí, primeiro jogo, até meio de fevereiro, o torcedor vai ter que entender por que, de repente, não vem a ter na cabeça o time titular. Vai ter que rodar. Rodar é a maneira de fazer o cara treinar. Se levar o cara quarta e domingo, ele não treina. Jogo destreinado, depois chega lá na frente e vai pagar o preço?, emendou.

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