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No México, clube foge de 'estádio maldito' para dividir Azteca com o rival

América-MEX agora divide com Cruz Azul o palco de duas finais de Copa do Mundo - Xinhua/Luis Licona
América-MEX agora divide com Cruz Azul o palco de duas finais de Copa do Mundo Imagem: Xinhua/Luis Licona

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

21/07/2018 04h00

A partir deste sábado (21), o Estádio Azteca passa a ter dois inquilinos. Historicamente relacionado ao América, o maior palco do futebol mexicano passa a abrigar também o Cruz Azul, que após 22 anos volta ao local onde foi mais feliz. A mudança envolve um estádio amaldiçoado, um verbo criado como piada e uma rivalidade que promete esquentar.

A relação entre o América e o Azteca é umbilical. O time joga ali desde a inauguração do estádio, em 1966, e nunca o trocou. Nos primeiros anos teve que dividi-lo com outros quatro clubes, mas os viu mudando de casa ao longo do tempo e tornou-se o único inquilino nos Anos 90. Ainda que o colosso pertença à rede Televisa, uma geração inteira de torcedores do América considera o estádio como seu — por isso a chegada de um rival é vista como uma espécie de afronta.

Mas o Cruz Azul tem lá o seu direito de jogar no Azteca. Sua casa própria ficou pequena na década de 1970, quando houve a mudança para o maior estádio mexicano. Era uma aposta para transformar o clube em potência, e deu certo: ali deram-se os melhores 25 anos da história do clube, com direito a oito taças levantadas naquele gramado, até nova mudança em 1996.

Na época, a renovação de contrato com os donos do Azteca não evoluiu, e o Cruz Azul se instalou no Estádio Azul — o mais antigo da cidade, que ainda hoje carrega fama de amaldiçoado pois muito raramente é palco de um título do time mandante. Nos primeiros anos o Cruz Azul não notou muita diferença, mas a má sorte de fato pegou: são 21 anos sem título mexicano e várias finais perdidas em casa.

Os fracassos viraram até verbo, e ‘cruzazulear’ agora é sinônimo de deixar as coisas escaparem por entre os dedos. De certa forma, o retorno ao Azteca é um sopro de esperança para o torcedor do Cruz Azul. Após tanto sofrimento, o clube investiu pesado em reforços nesta temporada e aposta também no estádio para ganhar força.

Mas do lado do América o sentimento é outro, obviamente. A volta do rival motiva rusgas que vão desde a provocação entre os torcedores até discussão quanto a decoração das arquibancadas. Neste sábado, contra o Puebla, o Cruz Azul joga sua primeira partida como mandante no Azteca em duas décadas, mas o símbolo pintado atrás dos gols é o do seu maior rival.

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