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Diretor diz não ter sido avisado de demissão no Palmeiras: "É ditadura?"

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo (SP)

27/05/2018 04h00

No último sábado, o UOL Esporte publicou matéria sobre mais um capítulo do conflito político do Palmeiras. O presidente Maurício Galiotte decidiu tirar da diretoria conselheiros teoricamente ligados a seu rival nos bastidores, o ex-mandatário Mustafá Contursi. O número de demitidos pode chegar a dez. Um dos nomes colocados entre as saídas certas, no entanto, disse não ter sido procurado por Galiotte e questionou: "É uma ditadura?".

"Sobre demissão do cargo, é especulação, pois até o momento não fui procurado pelo presidente. Lamento tal atitude no século XXI não poder ter opinião divergente por fazer parte de uma diretoria. É ditadura? Pior, ligar meu nome a grupo político (grupo esse que o apoiou - Galiotte - para ser eleito), não respeitar meu voto como conselheiro (representante dos sócios que me elegeram) e distorcer minha opinião", ponderou Paulo Jussio, responsável pelo relacionamento com torcedores de fora da capital paulista.

O estopim para a decisão de Galiotte foi a posição contrária de conselheiros à mudança de estatuto que permite mandatos de três anos, em vez de dois. Isso permitirá que Leila Pereira, proprietária da Crefisa e recém-eleita para o conselho, consiga se candidatar já em 2021 à presidência do Palmeiras.

Jussio prosseguiu com sua defesa: "Não fui contra a mudança, mas sim como foi feita e como foi orquestrada a toque de caixa em pleno ano de eleição presidencial. Ao meu ver, casuística e política, pois para tais mudanças ignoraram-se muitas outras". O conselheiro ainda pediu espaço para a publicação de um manifesto de seu grupo político, o Palmeiras Responsável.

Confira a íntegra do comunicado:

"A SEP possui 280 conselheiros, dos quais 224 compareceram à reunião. Para aprovação de qualquer alteração é necessário que a maioria absoluta esteja a favor, neste caso, 141 votos;

O não comparecimento significava votar contrariamente à alteração. Houve enorme pressão da gestão para que todos estivessem presentes, inclusive com conselheiros solicitando licenças temporárias para que o suplente pudesse votar a favor;
Outros tantos conselheiros, por conta do clima de tensão e divisão estabelecidos, optaram deliberadamente por não ir à reunião. Mais de 50 pessoas se ausentaram nessas circunstâncias;
Pelo contexto, seguramente pode-se afirmar que aproximadamente 135 conselheiros foram contrários à alteração;
Registre-se, portanto, que existiam diversas correntes ideológicas contrárias à alteração. E não somente um
grupo dos aliados de Mustafá. Reduzir a oposição a um ex-presidente é tentar iludir a opinião pública, ocultando o problema real: a apropriação do Palmeiras;
O argumento de que a votação não seria casuística e foi por água abaixo quando a maioria dos optantes pelo 3+3 votou contrariamente à emenda que previa sua aplicação apenas para a eleição de 2020. Provando que os interesses impulsionadores da mudança são de perpetuação no poder;
Finalmente, caso venha a ser reeleito, o presidente atual não enfrentaria problemas de adaptação nem teria que se preocupar com outra reeleição por ser seu segundo mandato. O aumento do tempo de mandato não se justifica nem sob essa hipótese;
A atual diretoria executiva extrapolou os limites no convencimento aos conselheiros indecisos, usando instrumentos que foram muito além do debate. Respeitamos e compreendemos o jogo político dentro de uma conduta ética.
Reforço o meu entendimento de que os interesses do Palmeiras foram colocados em segundo plano por quem está no poder. Prova disso é conferir como votou o atual mandatário, legislando em causa própria. Isso não é saudável nem contribui para a "pacificação do clube", frase esse dita pelo presidente na última assembleia antes da votação".

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