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Ano perdido em antigo clube de Ronaldo: Ex-Palmeiras luta por visto nos EUA

Bruno no Fort Lauderdale Strikers - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Beatriz Cesarini e Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

27/08/2017 04h00

Nos Estados Unidos desde o início de 2016, o goleiro Bruno, ex-Palmeiras, hoje vive um drama com a falência do Fort Lauderdale Strikers, time já administrado por Ronaldo Fenômeno e outros três brasileiros. O arqueiro foi convidado pelo técnico Caio Zanardi para integrar a equipe norte-americana, mas foi deixado na mão porque o clube se endividou e acabou fechando. Agora ele luta para seguir morando na Florida.

"No meio de 2015, o Caio Zanardi (treinador de Bruno na base do Palmeiras) assumiu como técnico e me ligou dizendo que queria que eu viesse para cá, perguntou se eu toparia. Eu estava no Santa Cruz na época, estava acabando meu empréstimo e eu estaria livre. Estava acabando meu contrato com o Palmeiras. E como sempre foi um plano da minha vida morar aqui pelos meus filhos, para ter outras oportunidades, outras experiências... Conversei com minha esposa, ela concordou e eu não pensei duas vezes", falou o goleiro Bruno ao UOL Esporte.

Mas esse sonho enfrenta problemas hoje em dia. Assim como noticiado pelo UOL Esporte em setembro de 2016, o Strikers passou por graves problemas financeiros, que fizeram os proprietários descumprirem datas para o pagamento de salários e procurarem por novos investidores. Tudo deu errado.

"Agora não existe mais Strikers. Entre novembro e dezembro tivemos que fazer um acordo para receber alguma coisa, porque os donos falaram que não iriam colocar mais dinheiro. Nesse ano, eles tentaram vender o clube e não conseguiram, porque eles deviam para muita gente. Os jogadores e o pessoal que tinha contrato ainda acabaram esperando. Tivemos outra conversa e não recebemos também, ficamos aguardando e presos com contratos vigentes, sem poder procurar outro lugar. Todo mundo sumiu", explicou o goleiro, ex-Palmeiras.

Goleiro Bruno atuando pelo Fort Lauderdale Strikers - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
"O clube foi para leilão, mas o direito de nome do time não teve comprador e acabou ficando com o Bill Edwards (proprietário do Tampa Bay Rowdies). Ele era a pessoa para quem os donos deviam mais dinheiro (cerca de 400 mil dólares de empréstimos). Não sabemos mais de ninguém, está na justiça, tem muita gente processando e eles não aparecem aqui, a gente ficou a ver navios", acrescentou.

Ronaldo era dono de uma parte minoritária do time e deixou a agremiação norte-americana no ano passado. O principal sócio do Strikers era Paulo Cesso, remanescente do trio que comprou a equipe da Traffic. Rafael Bertani é outro que permanece, mas a lista de acionistas tem outros quatro empresários, incluindo Marcus Buaiz, 37, que atua no segmento de entretenimento e é sócio do Fenômeno em outros empreendimentos.

"O Ronaldo, do que a gente sabe, tinha participação minoritária. Era mais com imagem, marketing. A gente encontrou ele durante treinos e jogos uma ou duas vezes só. Mas pelo que fiquei sabendo ele largou no meio do ano passado", falou o arqueiro.

Com tudo isso, o visto de Bruno como trabalhador nos Estados Unidos acabou expirando. Para seguir com o sonho de criar seus filhos no país, ele entrou com pedido para o Green Card, uma liberação permanente que permite trabalhar e residir legalmente.

"O clube seria o responsável por renovar meu visto de trabalho. E para poder continuar aqui nos EUA e seguir trabalhando aqui também, que eu gostaria muito, dei entrada no meu Green Card. Estou esperando e deve sair até o final de setembro. Já dei entrada, porque me facilitaria encontrar um clube para jogar, sem ser estrangeiro, até porque jogador internacional ocupa vaga, ainda mais para goleiro é mais difícil", disse Bruno.

O ano de Bruno foi quase que perdido por todo esse problema, porque ele conseguiu o acordo de encerramento de contrato somente no último mês e, então, ficou livre para procurar um novo clube. Apesar disso, a temporada do futebol nos EUA já está quase no final, o que dificulta a integração em uma equipe.Enquanto esperava um posicionamento do Strikers, Bruno começou a fazer cursos e até tirou a licença para treinador de goleiros. Satisfeito com a vida na Flórida, o profissional quer voltar a trabalhar no início de 2018, seja dentro das quatro linhas ou em um novo desafio."A minha ideia é ficar aqui. Meus filhos se adaptaram bem. A qualidade de vida é muito boa. A única possibilidade de sair daqui é se me expulsarem mesmo, se der um azar e não conseguir o Green Card ou, mesmo adquirindo, não encontrar alguma coisa… Aproveitei esse ano para estudar, tirei minha licença B de treinador de goleiros aqui e estou tirando licença como técnico. É um curso legal, aprendi muitas coisas, é aprovado pela Fifa. Estou usando esse ano 'parado' para me preparar para tudo, o que tiver que acontecer espero estar preparado", contou o goleiro.

A reportagem do UOL Esporte entrou em contato com ex-funcionários Strikers que estão em situações similares à de Bruno. Eles também citaram que o time não pagou todos os integrantes, por isso alguns funcionários e jogadores abriram mão para seguir a carreira em outro lugar.

Os proprietários também não foram encontrados até a publicação do texto. De acordo com Bruno, um dos antigos proprietários estará na Flórida na próxima semana.

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