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Teixeira nega propina e diz que voto em Qatar se deu por acordo com Espanha

Ricardo Teixeira renunciou ao cargo de presidente da CBF em 2012 - Sérgio Lima/Folha Imagem
Ricardo Teixeira renunciou ao cargo de presidente da CBF em 2012 Imagem: Sérgio Lima/Folha Imagem

Do UOL, em São Paulo

17/06/2015 12h43

Fora da CBF desde 2012, quando renunciou ao cargo de presidente, Ricardo Teixeira resolveu falar. Em entrevista ao “Terra”, o ex-dirigente deu sua versão sobre as suspeitas de que teria recebido propina para apoiar a candidatura do Qatar para ser sede da Copa do Mundo de 2022.

Para que seu voto fosse para os catares, Ricardo Teixeira teria recebido 30 milhões de euros (R$ 105 milhões) e um relógio de ouro do emir Hamad bin Khalifa Al Thani, segundo informações da revista americana World Soccer e do jornal “Folha de S. Paulo”, respectivamente.

“Não recebi nada, rigorosamente nada disso. Esse negócio do Qatar é completamente estapafúrdio. Como presidente da CBF, e membro do comitê executivo da Confederação Sul-Americana e da Fifa, recebi a visita de todas as candidaturas, tanto para o Mundial de 2018 quanto para o de 2022. Recebi Bélgica e Holanda, uma candidatura conjunta. Recebi a Rússia. Recebi a Espanha. Recebi os EUA. E também recebi o (então) emir do Qatar. Ele veio ao Brasil porque tinha um encontro oficial com o presidente Lula. Fui anfitrião de todos”, defendeu-se Teixeira, que negou ter recebido o relógio em um encontro com o emir no Brasil.

“O Emir não me deu relógio, não me deu picolé, não me deu nada. Isso é absolutamente ridículo”.

De acordo com Ricardo Teixeira, o voto para que o Qatar fosse eleito sede da Copa do Mundo de 2022 foi fruto de um acordo para que o país asiático apoiasse a candidatura conjunta de Espanha e Portugal para o Mundial de 2018.

“Eles pleiteavam uma Copa compartilhada. Então, com Portugal na disputa, lógico que o voto do Brasil (também do comitê executivo da Fifa) seria para eles. Aí que entra a questão. A Espanha precisava de votos. Tinha os três da América do Sul (Argentina, Brasil e Paraguai), o dela e possivelmente mais um da Europa. Mas era muito pouco. Então fizemos uma reunião. Eu, Villar (Angel Maria, presidente da Real Federação Espanhola de Futebol) e o Grondona (Julio, então presidente da federação de futebol da Argentina, morreu em 2014), reunião em que conseguimos mais alguns votos da Ásia, graças ao Qatar”, explicou Teixeira.

“E qual foi o acordo? O Qatar votaria conosco (com a candidatura Espanha/Portugal) para 2018 e em troca receberia nosso apoio em 2022. Foi esse o acordo. Foi somente esse o acordo. E o que se viu? A Espanha conseguiu chegar à última rodada de votação, mas perdeu para a Rússia. A história não difere um milímetro disso aí”.

Por fim, Teixeira negou as informações do “O Estado de S. Paulo” de que o amistoso entre Brasil e Argentina, realizado no Qatar, em novembro de 2010, teria sido utilizado como pretexto para o pagamento de propina referente ao processo de candidatura do país em 2022.

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