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Pouca gente o conhecia, mas antes do Grêmio ele quase foi para Real e Barça

Pedro Geromel quase jogou em Real e Barcelona, e hoje defende o Grêmio - Lucas Uebel/Divulgação/Grêmio
Pedro Geromel quase jogou em Real e Barcelona, e hoje defende o Grêmio Imagem: Lucas Uebel/Divulgação/Grêmio

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

25/10/2014 06h00

A rivalidade de Real Madrid e Barcelona rompe as barreiras do campo. A dupla de gigantes espanhóis disputa, entre outras coisas, jogadores. Em 2010, ambos tinham um zagueiro brasileiro como alvo. Pedro Geromel. Ele tinha sido melhor zagueiro do Campeonato Alemão na temporada anterior e ouviu da boca de Puyol que os alvos para a vaga deixada por Milito no Barça eram ele, Thiago Silva e David Luiz. 

Não se concretizou. E o destino deu caminho bem diferente ao defensor que atualmente joga no Grêmio. Ao contrário da dupla de defesa do PSG e que protegeu (ou tentou) a meta do goleiro Júlio César na seleção brasileira durante a última Copa do Mundo, ele sempre defendeu clubes pequenos na Europa e vive, desde janeiro, a primeira oportunidade em um clube grande no futebol brasileiro. 
 
"Voltar para o Brasil foi uma maravilha. Mais do que isso, vir para o Grêmio foi ver um sonho se tornar realidade. Jogar em um grande clube. Na minha carreira não tinha ainda acontecido esta oportunidade, joguei sempre em times que lutavam apenas para não ser rebaixados. Era todo ano aquela luta. Vir para um clube que busca títulos e com uma história como o Grêmio foi um prazer, um privilégio, uma honra", disse em entrevista exclusiva ao UOL Esporte. 
 
Dos longos anos de Europa, Geromel trouxe experiência, obediência tática e amizades, como a do atacante mexicano Giovani dos Santos, quem define como 'um menino muito alto astral', e de Cristiano Ronaldo, que surpreendeu pela humildade, diferente da imagem que passa aos que não tiveram a oportunidade de conhecer de perto o português. "Ele é muito mais humilde que a maioria das pessoas que eu conheço. Aquela imagem que passa, é pelo jeito de jogar, a imagem que quer vender, não sei. Mas para mim foi um choque de realidade. Foi super agradável", comentou.
 
Em cerca de 15 minutos de bate-papo, Pedro Tonon Geromel, de 29 anos, se apresentou, já que pouco conhecido é no país. 
 
UOL Esporte: Você faz o começo das categorias de base no Palmeiras, mas antes ainda de ser profissional, vai para Portugal. Como aconteceu tudo isso? 
Pedro Geromel: Aqui há muita dificuldade de fazer a transição do júnior para o profissional. Estava no primeiro ano e me passaram que não seria aproveitado. Daí surgiu a oportunidade de fazer uma viagem a Portugal e um teste em um time da segunda divisão, o Chaves. Eu não hesitei, fui e deu tudo certo. Passei, fui contratado, logo fui para o profissional. Joguei um ano no profissional, fui vendido para o Vitória de Guimarães, que disputa a primeira divisão. Tive oportunidade de jogar a Liga Europa. Fiquei três anos e fui vendido para o Colônia. Fiquei quatro anos na Alemanha, joguei a Bundesliga. E depois no último ano e meio estive no Mallorca, da Espanha. 
 
UOL Esporte: Te explicaram a razão para dispensa no Palmeiras? 
Pedro Geromel: Fizemos um paulista muito bom, perdemos para o Corinthians na semi-final. Tivemos 28 jogos, ganhamos 27 e perdemos 1. Infelizmente fomos eliminados e isso não foi bom. Quando temos a transição, são três anos de júnior no Brasil, e é complicado. O técnico disse, no primeiro ano, que não contaria comigo e que era para eu voltar no ano seguinte. Eu pensei que era ruim ficar um ano sem jogar. Foi quando veio a situação de ir para Portugal graças a um amigo que estudava comigo, que tinha familiares lá, que já iria. Falando em uma roda de amigos, disse que não ficaria no Palmeiras e ele perguntou por que eu não ia junto? Fui e deu tudo certo. 
 
UOL Esporte: Te arrependes de ter ido tão cedo para Europa?
Pedro Geromel: Não, pelo contrário, sou muito grato a meu amigo e todos que me ajudaram e deram esta possibilidade de fazer a carreira lá fora. 
 
UOL Esporte: Na Europa, você chegou a jogar contra jogadores badalados como Cristiano Ronaldo, no Sporting... Foste, na Alemanha, colega do Podolski...
Pedro Geromel: Joguei contra o Cristiano Ronaldo em Portugal, ele ainda no Sporting. Tive a possibilidade de jogar com e contra muitos bons jogadores. Joguei com atletas de seleção na Alemanha, como o Podolski, e na Espanha também. O Giovani dos Santos, que é filho de brasileiro e tem uma ligação muito forte com o país, foi meu colega e criamos uma amizade muito grande. Um menino muito alto astral e gente boa. 
 
UOL Esporte: Como foram os embates com o Cristiano Ronaldo? Ele já era o fenômeno que é hoje?
Pedro Geromel: O Sporting sempre teve fama de revelar bons jogadores. Um ano antes de surgir o Cristiano, tinham vendido um jogador muito bom da base. Sempre formaram muitos jogadores. Quando surgiu o Cristiano, foi mais um deles. No amistoso de estreia do estádio do Sporting, Alvalade XXI, chamaram o Manchester United para jogar, e o Cristiano Ronaldo se destacou que foi uma coisa absurda. Igual hoje em dia. Depois do jogo, o Manchester já comprou ele. Ele não jogou um ano de titular do Sporting. Ele entrava e tudo, mas era um menino que tinha vindo da base. 
 
UOL Esporte: Tens alguma lembrança de jogo contra ele? 
Pedro Geromel: Joguei também contra ele no Mallorca, infelizmente (Risos). Tive oportunidade de conhecê-lo na Europa. Jantamos juntos e tudo. É uma pessoa que me surpreendeu positivamente. Eu tinha outra ideia dele. Quando chegou, perguntou da minha família, de onde eu era... Ele é muito mais humilde que a maioria das pessoas que eu conheço. É super simples. Mostrou foto do filho. Conversou como estamos conversando agora eu e você. É uma pessoa de ótimo caráter e me surpreendeu. Aquela imagem que passa, é pelo jeito de jogar, a imagem que quer vender, não sei. Mas para mim foi um choque de realidade. Quando nos encontramos em Mallorca, ele me abraçou e conversamos. Foi super agradável. 
 
UOL Esporte: Em 2009 e 2010 tu esteve para ir para o Real Madrid ou Barcelona. O que houve que não foste para lá? 
Pedro Geromel: Em cheguei à Alemanha em 2008 e no primeiro ano fiquei na seleção da Bundesliga. Fiz um ano maravilhoso. Acabei renovando contrato. Eu tinha feito por cinco anos, renovei por mais cinco. Não tinha porque sair de lá, estava feliz. Surgiram muitos rumores. Em uma coletiva de imprensa, o Puyol (zagueiro do Barcelona) falou que as possíveis contratações do Barcelona eram eu, Thiago Silva e David Luiz. Mas eles têm uma cultura diferente na Alemanha. Se eles gostam de um jogador, como não precisam de dinheiro porque são economicamente saudáveis, não liberam, não vendem. Existiram propostas, mas não me vendiam. Pagaram 4 milhões de euros por mim, uma quantia alta, e não me venderam. 
 
UOL Esporte: E como acabou no Grêmio?
Pedro Geromel: Eu tinha outros objetivos também. Lá, quando acabava o campeonato, nosso único objetivo era não cair de divisão. Quando os objetivos eram alcançados antes, ficava vago. Eu queria lutar por outras coisas. Comecei a falar com meu empresário que queria algo mais. Falaram com a direção do clube, eles entenderam. Fui para o Mallorca, da Espanha, era um time tradicional, cidade maravilhosa, realizei o sonho de jogar na Liga Espanhola. No meu primeiro ano de Mallorca, o Grêmio disputava a Libertadores, no ano passado, surgiu o interesse. Foram dois senhores falar comigo. Fizeram proposta. Antes de ir para o Mallorca também tinha proposta de outro time no Brasil. Como ninguém me conhecia aqui, tinha este desejo de jogar no Brasil. Veio a possibilidade, falei com o presidente, disse que não poderia me liberar. Passaram seis meses, veio uma complicação financeira, problemas políticos, acabou que o clube sofreu com isso e aproveitei o momento de indecisão para consegui vir para o Brasil. 
 
UOL Esporte: Tu achas que sofreu algum tipo de preconceito por ninguém te conhecer no Brasil?
Pedro Geromel: Preconceito não, mas receio. Tanto que nos primeiros dias, quando cheguei eu era quarta ou quinta opção no Grêmio. Na pré-temporada eu raramente jogava. Mas respeitei a história e meus colegas. Sempre trabalhei duro para estar preparado. Espero ser um exemplo para os jovens que não estão atuando no momento, mas nunca se sabe o dia de amanhã. O Bressan mesmo, quando chegou o Felipão jogaram Rhodolfo e Werley, eu fui para o banco e nem convocado ele foi. Agora está jogando de titular e muito bem. 
 
UOL Esporte: O que está significando a passagem pelo Grêmio na tua carreira? 
Pedro Geromel: Voltar para o Brasil foi uma maravilha. Mais que isso, vir para o Grêmio foi ver um sonho se tornar realidade. Jogar em um grande clube. E na minha carreira não tinha ainda recebido esta oportunidade, joguei sempre em times que lutavam apenas para não ser rebaixados. Era todo ano aquela luta. Vir para um clube que busca títulos e com uma história como o Grêmio foi um prazer, um privilégio, uma honra, e ainda mais ter sido capitão deste time. Vou manter minha postura, sendo sempre a pessoa que eu sempre fui para ajudar os jovens. 
 
UOL Esporte: Como foi o contato com o Felipão, famoso também em Portugal, onde você jogou?
Pedro Geromel: Na época que eu estava lá ele treinou a seleção. Conhecia meu futebol. Eu tinha algumas informações sobre ele, joguei com Petit [volante português] e o Maniche [meia-atacante português], que foram jogadores dele na seleção. Me passaram informações maravilhosas. Quando ele veio, o Petit me ligou e conversamos. Até mandou abraço para o Felipão. Disse que é uma pessoa maravilhosa e estou comprovando isso. 

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