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Nuno Leal Maia treinou time por celular e teve 'Saci Pererê' como auxiliar

Bruno Thadeu

Do UOL, em São Paulo

02/12/2013 06h00

A paixão pelo futebol fez o ator Nuno Leal Maia se aventurar na função de treinador. Durante quatro anos, de 1993 a 1996, ele dirigiu quatro clubes, conciliando com trabalhos na Rede Globo. Para ajudá-lo na missão de comandar times, Nuno levou como auxiliar-técnico o ator Romeu Evaristo, que interpretou o Saci Pererê, no Sítio do Pica-Pau Amarelo, e integrou o Zorra Total.

Na época, Nuno aceitou pedido de “Saci” para formarem uma comissão técnica. Em entrevista ao UOL Esporte, Nuno conta que comandou alguns treinamentos por celular em virtude de compromissos pela emissora carioca.

As instruções eram dadas por telefone ao auxiliar Saci Pererê. O auxiliar repassava em campo as ordens vindas de Nuno. A união quase rendeu um título estadual da Paraíba em 1994, pelo Botafogo-PB.

“Ele [ator quer interpretou o Saci] conversava muito comigo. Foi importante nos clubes que passamos. Dava ideias. Mas quando eu não estava nos treinos, ele falava demais com os jogadores e acabava mais atrapalhando do que ajudando”, diz Nuno.

“Quando fomos para o Botafogo-PB, ele ficava falando mal lá de cima da arquibancada. Portanto, teve o lado bom e ruim [do Saci]. Vamos dizer que ele foi nota 6”, acrescentou o ator.

O início na carreira como treinador foi em 1993, no São Cristóvão. Nuno estava em alta na mídia no rastro do sucesso do personagem Tony Carrado, da novela Mandala, em que contracenou com Vera Fischer.

A presença de Nuno em treinos e jogos foi acompanhada de perto por mulheres e crianças, fãs do ator. O ator relata que os próprios jogadores o tratavam como estrela.

Nuno foi uma das estrelas da pornochanchada, marcado pelo filme O Bem Dotado, O Homem de Itu.

“Os atletas encaravam com naturalidade o fato de eu ser ator e ter feito filmes. Eles me perguntavam mais sobre as atrizes, como elas eram, o que eu fazia. Mas na hora do treino, todos esqueciam esse lado  e se dedicavam ao máximo”.

Demissão durante o jogo

FUTEBOL TEATRAL

Futebol nada mais é do que um teatro movido pela bola. Tem aquele que corre, aquele que administra o jogo, aquele que decide. Poucos jogadores preenchem espaços vazios, não se posicionam direito. Ensaios e treinos desenvolvem a expressão corporal e os movimentos do corpo.

Nuno ficou perto de ser campeão paraibano com o Botafogo local, em 1994. Ele pediu demissão na reta final do torneio. Detalhe: a demissão foi feita com bola rolando, após ele se recusar a escalar um atleta baladeiro.

Dias antes de uma partida decisiva pelo Paraibano de 94, o ponta-direita do time avisou que não treinaria porque iria a uma micareta. Segundo Nuno, um diretor pressionou a entrada do “micareteiro” em campo. O ator/treinador, então, tomou a decisão de se demitir durante o jogo.

“Esse diretor falou para eu escalar o jogador porque queria vendê-lo. Só que eu não escalei porque o jogador preferiu ir a uma micareta em vez de treinar. Não pensou no time. Mas o diretor queria de qualquer jeito. Já que ele [diretor] queria mandar no time, me retirei do banco e fui embora no meio do jogo”, relembrou Nuno.

“Futebol é muita política, muita inveja, muito interesse. Eu não estava no futebol para isso”, acrescentou.

O currículo de Nuno como treinador contou com os serviços prestados ao São Cristóvão, Botafogo-PB, Londrina e Matsubara. Na TV, Nuno fez outros trabalhos famosos, como o surfista Gaspar, em Top Model, e o professor Pasqualete, em Malhação.

À frente do Londrina, Nuno terminou o Campeonato Paranaense de 95 na 8ª colocação (disputavam 20 clubes). Em nove jogos, o time perdeu uma vez. Nuno destaca os empates contra Paraná e Atlético-PR. Ele iniciou o comando no time paranaense quando estava em fase final da novela História de Amor, em que fazia par romântico com Regina Duarte.

Um racha entre a diretoria e o patrocinador do Londrina culminou na saída de Nuno.

Nuno no Brasileirão da Série C

Após a campanha pelo Londrina, Nuno seguiu para o Matsubara, onde disputou o Brasileirão da Série C, em 1996.

Ele acusa o então presidente do clube, Sueo Matsubara, de vender resultados, afetando o desempenho do time.

“O japonês dono do Matsubara vendeu os jogos na fase final. Ele sumiu com todo time titular. Mais de onze atletas não apareceram para o treino. Tive que botar time improvisado nos jogos decisivos. Mesmo assim fomos para cima do Corinthians de Presidente Prudente. O treinador deles se levantou do banco e me cobrou: ‘E aí, e o acordo?’. Mas esse acordo foi feito com o pilantra do presidente do Matsubara”.

Elogios a Walter e críticas a Luxemburgo

Atualmente confortável na função de espectador, o ator considera o atacante Walter, do Goiás, a grata surpresa do futebol nacional no ano.

O Luxemburgo é um enganador. É um grande aproveitador. Ele tinha o jogador que queria quando esteve em alta. Aí é fácil. No Real Madrid não ganhou nada. E continua não ganhando nada

“O Walter tem um chute forte, arma jogadas, tem bom passe, faz lançamentos, tabela e se posiciona bem. Melhor jogador do Brasileirão”, disse Nuno, que foi o Pasqualete na Malhação.

Nuno afirma ter três clubes do coração: Santos, Fluminense e Náutico. O ator acredita que Santos e Flu foram “enrolados” por Vanderlei Luxemburgo.

“O Luxemburgo é um enganador. É um grande aproveitador. Ele tinha o jogador que queria quando esteve em alta. Aí é fácil. No Real Madrid não ganhou nada. E continua não ganhando nada”, concluiu o ator, que fez testes na base do Santos em 1965 com o amigo Clodoaldo.

Sobre um eventual retorno ao futebol, Nuno deixa no ar a possibilidade.

“Depende do que oferecerem. Mas se for para ficar sem função, aí não valeria”.

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