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Record chama Globo de arrogante e vê negociação por Copa como "sombria"

Honorilton Gonçalves, vice-presidente da Record, durante o Pan 2011, em Guadalajara - Flavio Florido/UOL
Honorilton Gonçalves, vice-presidente da Record, durante o Pan 2011, em Guadalajara Imagem: Flavio Florido/UOL

Gustavo Franceschini

Do UOL, em São Paulo

02/03/2012 09h37

A Record resolveu responder as críticas feitas por Marcelo Campos Pinto, executivo da Globo Esportes, ao UOL Esporte. Em uma resposta por e-mail, Honorilton Gonçalves, vice-presidente de programação e homem-forte da emissora, chamou a postura da rival de arrogante e fez críticas à maneira como os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2018 e 2022 foram negociados.

LEIA A FALA COMPLETA DO DIRETOR DA GLOBO AO UOL

A Globo está mil anos-luz à frente da Record. Quando eles comparam o Pan da Record com um Pan e uma Olimpíada da Globo, não tem comparação

Marcelo Campos Pinto, executivo da Globo

“O que os diretores da Globo não entendem, ou não querem entender, é que o telespectador é o grande responsável por estas novas escolhas. Arrogância típica de quem não tolera concorrência, como aconteceu nesta semana nas sombrias negociações pelos direitos das Copas de 2018 e 2022”, disse Honorilton.

Na terça, a Globo, que já detém os direitos do Mundial de 2014, no Brasil, anunciou que ganhou os contratos de 2018 e 2022 sem licitação. A opção da Fifa por não abrir concorrência, segundo Marcelo Campos Pinto, se deve a uma suposta diferença de qualidade entre as duas emissoras.

“A Globo está mil anos-luz à frente da Record. Quando eles comparam o Pan da Record com um Pan e uma Olimpíada da Globo, não tem comparação. Foi o que eles disseram”, disse o executivo à reportagem.

Honorilton rebate veementemente a suposta diferença. Diz que a Record diminuiu de 15 para 7 pontos de audiência a média a distância para a Globo na Grande São Paulo. O chefão da emissora paulista ainda aponta que a rival perdeu, segundo dados apresentados por ele, um em cada três telespectadores em jogos da seleção brasileira entre 2002 e 2010.

Por último, Honorilton defende a transmissão do Pan de Guadalajara, a primeira esportiva de grande porte na nova fase da Record, criticada por Campos Pinto. “Ano passado, em Guadalajara, a Record exibiu 140 horas de eventos da segunda mais importante competição olímpica mundial. E, apesar das dificuldades enfrentadas com a qualidade do sinal internacional de transmissão, liderou a audiência em vários jogos, competições e em diversas capitais brasileiras”, disse o executivo.

A briga entre Record e Globo promete se estender. Logo após o anúncio da extensão do acordo da rival com a Fifa, a emissora paulista ameaçou ir à Justiça para protestar contra a ausência de uma licitação. Em resposta por e-mail ao UOL Esporte, a entidade-mor do futebol mundial admitiu ter negociado com a Record, mas diz ter fechado com a Globo pela parceria já existente para a Copa de 2014. 

LEIA A ÍNTEGRA DA RESPOSTA DA RECORD AO EXECUTIVO DA REDE GLOBO

Diante das afirmações do Sr. Marcelo, diretor da Globo, ao UOL, é necessário esclarecer:

Como um diretor da Globo pode falar desta maneira trabalhando numa emissora que perde audiência todos os anos? O orgulho e a arrogância não permitem perceber a realidade provada pelos institutos de pesquisa: os brasileiros estão cada vez mais em busca de novas opções na televisão. E a Record simplesmente se propõe a ser uma delas.

Há cinco anos a Globo tinha 15 pontos de audiência a mais que a Record na média do dia na Grande São Paulo. Hoje, a diferença despencou para 7 pontos, como mostram os números consolidados de fevereiro. Curioso, aliás, é este diretor usar de tanta soberba justamente quando a Globo registra o pior fevereiro, em audiência, de toda a sua história.

Nas transmissões esportivas, das quais o diretor da Globo fala com tanta prepotência, a situação é ainda mais grave. Entre os anos de Copas do Mundo, de 2002 até 2010, por exemplo, os jogos da seleção caíram 29% em audiência . Ou seja, um em cada três telespectadores abandonaram a suposta qualidade da Globo para assistir aos jogos do Brasil por outros caminhos.

No tratamento dos Jogos Pan-Americanos, a mesma arrogância: a Globo ignorou o evento durante vários anos seguidos. Em 2003, a emissora transmitiu inacreditáveis 29 minutos do Pan de Santo Domingo. Ano passado, em Guadalajara, a Record exibiu 140 horas de eventos da segunda mais importante competição olímpica mundial. E, apesar das dificuldades enfrentadas com a qualidade do sinal internacional de transmissão, liderou a audiência em vários jogos, competições e em diversas capitais brasileiras.

O que os diretores da Globo não entendem, ou não querem entender, é que o telespectador é o grande responsável por estas novas escolhas. Arrogância típica de quem não tolera concorrência, como aconteceu esta semana nas sombrias negociações pelos direitos das Copas de 2018 e 22.

No Comitê Olímpico Internacional é diferente. Houve uma licitação para os Jogos Olímpicos de 2016 e, ao contrário do que tenta sugerir o referido funcionário da Globo, a Record conquistou os direitos para televisão aberta, assim como a sociedade Globo-Bandeirantes também. Na mesma disputa, e ao mesmo tempo, foram proclamados os resultados. Sem privilégios ou prioridades.

 

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