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Finais de Libertadores em campo neutro já foram vistas por 60 mil pagantes

AFP PHOTO / Juan Mabromata
Imagem: AFP PHOTO / Juan Mabromata

Vanderson Pimentel

Do UOL, em São Paulo

25/02/2018 04h00

A ideia da Conmebol de fazer as finais da Copa Libertadores a partir de 2019 em único jogo pegou muitos torcedores de surpresa, mas essa não será a primeira vez que as equipes se enfrentarão em campo neutro. Das 58 edições da competição sul-americana, 14 tiveram suas grandes decisões jogadas em um local longe das casas dos finalistas.

Até meados dos anos 1980, os finalistas se enfrentavam em um terceiro jogo caso os dois primeiros tivessem uma vitória para cada lado.

O Estádio Nacional de Santiago, no Chile, foi o "campeão" em receber esse esse tipo de partida por ter sido campo neutro de seis finais. Maior país da América Latina, o Brasil jamais foi palco de uma grande decisão entre dois clubes estrangeiros.

Apesar disso, as grandes finais de 1962 e 1977, que tinham Santos e Cruzeiro, respectivamente, tiveram os maiores públicos da história das decisões de campo neutro, com cerca de 60 mil torcedores nos locais dos jogos.

A partida que teve menos torcedores pelo fator distância foi a final entre Argentinos Juniors e América de Cali, que aconteceu em 1985, no Paraguai, para apenas 17.200 pagantes.

No entanto, o que não faltam são histórias curiosas nesses jogos. Foi em finais em campos neutros que finais de Libertadores acabaram decididas nos pênaltis ou na prorrogação pela primeira vez. Além de shows de craques como Pelé, Zico e Pedro Rocha, confusões entre jogadores não faltaram em países estrangeiros. 

As melhores finais da Libertadores em campo neutro

  • Reprodução

    1962 - Santos 3 x 0 Peñarol - Estádio Monumental de Núnez (ARG)

    Depois de uma grande confusão no segundo jogo da final, em que o árbitro o encerrou oficialmente aos 28 minutos da etapa final, o Santos teve de garantir o seu primeiro título da Copa Libertadores fora de casa. Ainda enraivecidos pela atuação da arbitragem no jogo anterior na Vila Belmiro, em que o Peñarol venceu por 3 a 2 por conta de um gol de Pepe invalidado, a equipe brasileira foi para cima dos uruguaios no jogo decisivo. Alvo de diversas faltas dos adverários, Pelé conseguiu superar a forte marcação e fez 2 gols na vitória por 3 a 0 no Monumental de Núnez.

  • Arquivo/Peñarol

    1966 - Peñarol 4 x 2 River Plate - Estádio Nacional de Santiago (CHI)

    O River Plate começou a partida melhor e abriu vantagem ao fazer 2 a 0 nos primeiros 45 minutos de partida. No entanto, o Peñarol empatou no segundo tempo e garantiu a virada por 4 a 2 na prorrogação. Ídolo também do São Paulo, Pedro Rocha foi o autor do último gol, que garantiu o tricampeonato da Libertadores aos uruguaios.

  • Getty Images

    1967 - Racing 2 x 1 Nacional - Estádio Nacional de Santiago (CHI)

    A final era entre Racing e Nacional, mas um dos heróis da partida tinha sangue brasileiro. Atacante com passagem pelo Grêmio no início dos anos 1960, o gaúcho João Cardoso abriu o placar para os argentinos, no jogo que terminou vencido pelo Racing por 2 a 1. Apesar das confusões e brigas durante a partida, a 'Academia' conseguiu se sobressair e conquistar o seu único título do torneio.

  • Divulgação/Estudiantes

    1968 - Estudiantes 2 x 0 Palmeiras - Estádio Centenário (URU)

    Antes de Juan Sebástian Verón se tornar o carrasco do Cruzeiro em 2009, seu pai já havia traumatizado torcedores de outro clube brasileiro. Juan Ramón Verón fez gols nos dois primeiros jogos da final contra o Palmeiras. Para complementar, 'La Bruja' também foi o responsável por marcar o segundo gol da vitória do Estudiantes na terceira partida, em que os argentinos garantiram o título ao vencerem por 2 a 0.

  • Divulgação

    1976 - Cruzeiro 3 x 2 River Plate - Estádio Nacional de Santiago (CHI)

    O primeiro título do Cruzeiro da Libertadores teve um herói dos mais improváveis. O jogo estava 2 a 2 quando o Cruzeiro fez o o gol da conquista aos 43 minutos do segundo tempo. Exímio cobrador de falta, Nelinho ajeitava a bola e se posicionava para a batida quando Joãozinho correu em direção à bola e acertou a cobrança no ângulo. Apesar do gol histórico, o atacante tomou uma bronca do técnico da Raposa Zezé Moreira pela audácia, antes do árbitro terminar a partida.

  • Arquivo/Conmebol

    1977 - Boca Juniors 0 (5) x (4) 0 Cruzeiro - Estádio Centenário (URU)

    O Cruzeiro lutava pelo bicampeonato da Libertadores, mas viu seu sonho bater na trave um ano depois da primeira conquista. Após um empate sem gols no Uruguai para 60 mil pagantes, o Boca Juniors venceu a equipe brasileira por 5 a 4 nos pênaltis. Aquela foi a primeira final do torneio sul-americano que foi decidida nas penalidades.

  • Conmebol/Divulgação

    1981 - Flamengo 2 x 0 Cobreloa - Estádio Centenário (URU)

    O primeiro e único título do Flamengo teve futebol-arte e cenas lamentáveis. Zico fez os dois gols que garantiram a conquista da equipe contra o Cobreloa, no Estádio Centenário. No entanto, mais do que as jogadas do Galinho, chamou atenção os cinco cartões vermelhos distribuídos durante os 90 minutos da partida. O mais emblemático deles foi para o atacante Anselmo, que entrou em campo aos 41 minutos do segundo tempo e ficou apenas 30 segundos no gramado depois de agredir o zagueiro chileno Mario Soto num lance sem bola. A ordem para agredir o capitão da equipe rival foi dada por Paulo Cesar Carpegiani, que estreava como treinador em 1981.

  • Divulgação

    1985 - Argentinos Jrs 1 (5) x (4) 1 A. de Cali - Defensores del Chaco (PAR)

    A grande final de Libertadores com o menor público entre os jogos disputados em campo neutro ocorreu em 1985. Argentinos Juniors e America de Cali se enfrentaram para apenas 17.200 pessoas no Estádio Defensores del Chaco. Depois de um empate em 1 a 1, com o gol colombiano sendo marcado por Ricardo Gareca (ex-técnico do Palmeiras), a equipe argentina, famosa pelo futebol ofensivo e por revelar jogadores como Diego Maradona, conquistou o título nos pênaltis, em vitória por 5 a 4.

  • Arquivo/Peñarol

    1987 - Peñarol 1 x 0 América de Cali - Estádio Nacional de Santiago (CHI)

    O último título do Peñarol da Libertadores teve cara de futebol uruguaio. O Estádio Nacional de Santiago sediou um jogo tenso, de muitas faltas e com emoção até os minutos finais. Depois de um 0 a 0 no tempo regulamentar, a equipe aurinegra garantiu o pentacampeonato com um gol de Diego Aguirre, no último minuto da prorrogação. Apesar das emoções garantidas até os 30 minutos do tempo extra, só 25 mil pessoas acompanharam o jogo na capital chilena.

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