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Espionagem no esporte tem flagra em auxiliar de Tite e ex-jogador na guerra

Um drone a serviço do Grêmio virou polêmica às vésperas da final da Copa Libertadores - Reprodução
Um drone a serviço do Grêmio virou polêmica às vésperas da final da Copa Libertadores Imagem: Reprodução

Thiago Rocha

Do UOL, em São Paulo

21/11/2017 04h00

O flagrante do uso de drones por parte do Grêmio para observar treinamentos de rivais durante a temporada, revelado pela ESPN Brasil nesta segunda-feira, é a versão mais moderna e tecnológica daquele antigo pecado que muita gente comete, mas não confessa, no esporte mundial: a espionagem. 

No Brasil, os episódios mais famosos vêm do futebol. O vale-tudo na tentativa de se antecipar ao adversário pode ser imoral, mas não ilegal. Nada na legislação esportiva ou nos regulamentos de competição inibe a prática no país. No máximo, pode ser aberto um processo civil, em caso de flagrante, e se as autoridades considerarem que o caso precisa ser investigado.

Mundialmente, no entanto, os casos históricos abrangem outras modalidades, como beisebol, futebol americano e Fórmula 1, e envolvem roteiros mais complexos, quase cinematográficos - um deles, inclusive, será tema de filme hollywoodiano. Há os que ultrapassam o limite da bisbilhotagem e podem ser facilmente chamados de trapaça.

Abaixo, o UOL Esporte relembra alguns clássicos da espionagem esportiva.

  • Evelson de Freitas/Folhapress

    Auxiliar de Tite desmascarado

    Em 2001, quando estava no Grêmio, Tite enviou Cleber Xavier, um de seus auxiliares, para espionar o último treino tático do Corinthians antes da final da Copa do Brasil. "Disfarçado" com óculos escuros, ele observou a atividade no Parque São Jorge por mais de uma hora até ser reconhecido por um jornalista gaúcho e foi retirado por seguranças do clube.

  • Ricardo Nogueira/Folhapress

    De olho no vizinho

    Com centros de treinamento separados por um muro, Palmeiras e São Paulo reúnem várias acusações de espionagem em semanas de clássico. Neste ano, o técnico Cuca desconfiou que integrantes da comissão técnica tricolor estavam usando um condomínio de prédios vizinho à Academia de Futebol para ver às escondidas os treinos fechados do Verdão. A foto acima é de 2009, em que um homem, do lado alviverde do terreno, observa o então goleiro Rogério Ceni bater pênaltis.

  • William West/AFP

    Vale Copa do Mundo

    Na repescagem da Copa de 2018, na Rússia, a federação de futebol de Honduras acusou a Austrália de usar drones para vigiar treinos antes do jogo de volta entre as duas seleções, em Sydney. Com a vitória em casa por 3 a 1, os australianos ficaram com a vaga no Mundial.

  • Silvio/Acervo UH/Folhapress

    Fogo amigo

    Em história contada pelo jornalista Juca Kfouri, blogueiro do UOL, Aymoré Moreira, técnico campeão mundial com o Brasil em 1962, foi enviado pela revista "Placar" ao Mundial de 1970, no México, e se disfarçava para ter acesso a treinos de outras seleções. Ele também descobriu com antecedência, e desenhou em um guardanapo para jornalistas que faziam a cobertura do torneio, a jogada ensaiada que originou o gol de Carlos Alberto Torres na final contra a Itália.

  • Jim Rogash/Getty Images/AFP

    Câmera escondida e bola murcha

    No futebol americano, o New England Patriots, atual campeão da NFL, tem um recente histórico de trapaças. Em 2007, a liga flagrou funcionários da franquia filmando ilegalmente as ordens técnicas do New York Jets à beira do campo. O clube foi multado em US$ 250 mil e o técnico Bill Belichick, em US$ 500 mil. Já em 2015, em jogo contra o Indianapolis Colts pelos playoffs, provou-se que o Patriots colocou em campo bolas menos cheias para prejudicar o adversário.

  • Paul Gilham/Getty Images

    Derrapagens na Fórmula 1

    O acesso a dados sigilosos de equipes gerou um dos maiores escândalos da história da Fórmula 1. Em 2007, a McLaren foi multada em US$ 100 milhões e perdeu todos os pontos no Mundial de Construtores por ter recebido um dossiê de 780 páginas com informações confidenciais dos equipamentos da Ferrari.

  • Do telescópio ao ataque virtual

    Casos folclóricos de espionagem no beisebol norte-americano remetem aos anos de 1950, quando o New York Giants (que posteriormente se mudou para San Francisco) usou um telescópio para enxergar as instruções dadas por meio de sinais aos arremessadores do Brooklyn Dodgers. Este ano, o Boston Red Sox fez o mesmo contra o rival New York Yankees, mas usando um relógio com câmera. Em 2015, o Saint Louis Cardinals chegou a ser investigado pelo FBI por usar hackers para ter acesso a um banco de dados do Houston Astros.

  • Reprodução

    O jogador que virou espião

    Jogador e técnico de beisebol entre as décadas de 20 e 30, Moe Berg foi recrutado pelo serviço secreto norte-americano para missões na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Poliglota, ele chegou a se infiltrar entre guerrilheiros da Iugoslávia simpáticos ao governo nazista de Adolf Hitler. Anos depois, foi enviado à União Soviética para tentar achar evidências de um programa de armamento nuclear. Morto em 1972, a vida de Berg virou livro ("The catcher was a spy", ou "O catcher era um espião", em tradução livre) e inspirou um filme de mesmo nome, a ser lançado em breve.

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