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Seleção Brasileira

Mulher de cartola paraense é investigada por fraudar ponto para ir à Copa

Adélcio Torres, presidente da Federação Paraense, acompanha o jogo da seleção com a esposa - Divulgação/FPF
Adélcio Torres, presidente da Federação Paraense, acompanha o jogo da seleção com a esposa Imagem: Divulgação/FPF

Demétrio Vecchioli

Do UOL, em São Paulo

29/06/2018 18h00

Classificação e Jogos

O governo do Estado do Pará e o Ministério Público estão investigando uma servidora pública por supostamente ter deixado sua folha de ponto do mês de junho inteira preenchida antes de tomar um avião para a Rússia, para assistir à Copa do Mundo. Iolanda Vilhena acompanha o marido, Adélcio Torres, presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF) e amigo pessoal do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Coronel Nunes, que também é paraense.

Eleito como vice da FPF, ele tornou-se presidente interino em 2016, quando Nunes se afastou do cargo para assumir a CBF. Em 2017, contou com o apoio do amigo para ser aclamado presidente e agora é um dos cartolas convidados pela CBF para viajarem à Rússia e acompanharem o Mundial. Após à partida de estreia da seleção, a federação paraense publicou em seu site oficial uma foto em que o dirigente aparece no estádio de Rostov-on-don segurando uma bandeira do Brasil junto com Iolanda.

O problema é que ela não teria solicitado licença à Secretária de Estado de Transporte (Setran), onde é lotada. Mais do que isso: antes de embarcar, ela teria deixado a folha de ponto inteira assinada. Uma reprodução do documento foi publicada pelo site local Roma News, que também noticiou que ela estava abastecendo suas redes sociais com fotos na Rússia.

Informado sobre o caso, o Ministério Público do Pará (MP-PA) abriu um procedimento investigatório para averiguar "possível ato de improbidade administrativa". "Uma série de imagens publicadas em redes sociais e reproduzidas por meios de comunicação mostram Iolanda supostamente em estádios da Rússia. Em caso de comprovação da irregularidade, a funcionária pública poderá responder por ato de improbidade administrativa, devido à violação de princípios da administração pública, podendo assim perder sua função pública", explicou o MP-PA, ressaltando que caso não seja comprovada a fraude, o caso deve ser arquivado.

Paralelamente, a Setran também instaurou uma Comissão de Sindicância para apurar "supostas irregularidades no controle de frequência funcional" de Iolanda. De acordo com o órgão, a comissão tem 30 dias, prorrogáveis por igual período, para apresentar um relatório.

Depois da publicação da denúncia por veículos regionais, a federação retirou do ar o texto e a foto da matéria que mostrava Iolanda no estádio. O link, porém, continua no ar, assim como a foto (que ilustra esta reportagem), que segue acessível pro mecanismos de busca. Na página de Iolanda no Facebook, os conteúdos agora aparecem como restritos. 

A reportagem tentou contato com a FPF nesta sexta-feira (29), mas ninguém atendeu as ligações no telefone da entidade. Já a Setran disse que todos os questionamentos sobre o caso serão respondidos "no âmbito da sindicância". 

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