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Copa 2018

Ídolo da Turquia na Copa de 2002 virou perseguido político e vive no exílio

Sukur (e) contra a Coreia do Sul, em 2002, quando fez o gol mais rápido das Copas - Ben Radford/Getty Images
Sukur (e) contra a Coreia do Sul, em 2002, quando fez o gol mais rápido das Copas Imagem: Ben Radford/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

21/02/2018 04h00

Hakam Sukur já foi uma celebridade na Turquia. Era paparicado por políticos, lideranças e fãs em geral. Autor do gol mais rápido da história das Copas e principal artilheiro da seleção turca, o atacante era um dos maiores ídolos do país apaixonado por futebol. Mas uma desavença política agora o impede de sequer andar por seu país. Ele está exilado e, se voltar, pode ser condenado à morte.

Depois que se aposentou do futebol, Sukur aproveitou seu prestígio para ingressar na vida pública. Em 2011, foi eleito para o parlamento pelo Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), o mesmo do hoje presidente Recep Tayyip Erdogan.

Erdogan e Sukur eram próximos. Nos tempos de prefeito de Istambul, Erdogan foi um dos convidados de honra do primeiro casamento de Sukur. Com eles estavam outros políticos e Fethullah Gulen, líder religioso, teólogo e ativista da Turquia.

Dois anos depois, no entanto, Erdogan e Gulen, já vivendo nos Estados Unidos, romperam relações. Então, quando o governo turco de Erdogan ordenou o fechamento de escolas ligadas ao movimento de Gulen, Sukur tomou as dores do amigo teólogo e deixou seu partido, o mesmo do presidente, tornando-se um deputado independente.

O que Sukur não esperava era que uma série de problemas teria início ali. A primeira controvérsia foi quando o ex-atacante disse em palestra em uma universidade que era de origem albanesa e, como tal, não se considerava turco, declaração que foi vista de maneira negativa pelos nacionalistas ligados a Erdogan.

Em 2016, a situação piorou quando Sukur foi acusado de insultar o presidente em comentários no Twitter. O ex-jogador se defendeu, dizendo que suas ponderações políticas não eram voltadas a Erdogan. Não adiantou. A procuradoria manteve a acusação.

Então, em julho daquele ano, a tentativa frustrada de golpe de Estado na Turquia foi creditada pelo governo ao movimento de Gulen. Sukur, por sua vez, foi definido como membro de uma organização terrorista, em referência aos seguidores de Gulen, que por sua vez negou ter sido o mentor do golpe.

Sukur rapidamente fugiu com sua família para os Estados Unidos, onde vive até hoje. Especialistas dão como certa uma condenação à prisão perpétua caso o ex-jogador volte à Turquia. Alguns, inclusive, dizem que ele corre o risco de ser condenado à morte.

Assim, o ex-atacante segue sua vida nos Estados Unidos, segundo relato recente do “The Guardian”. Ídolo do Galatasaray, Sukur figura como recordista da história das Copas com o gol mais rápido, marcado aos 10,8 segundos da partida diante da Coreia do Sul, em 2002.

Naquele ano, a Turquia conquistou um surpreendente terceiro lugar na Copa. Sukur voltou ao país como um dos heróis nacionais. Hoje, para o governo turco, é visto como um perigoso vilão.

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