Rodrigo Mattos

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Diniz vive contradição de construir futuro que não lhe pertence na seleção

Ao final de seis rodadas, a seleção brasileira está na sexta posição nas eliminatórias com três rodadas seguidas. Há um contraste significativo da campanha de Fernando Diniz com os passeios da era Tite na mesma competição.

Esses resultados ruins foram obtidos em meio a um processo de renovação de elenco (e também de contusões e desfalques) e de forma de jogar da seleção. Basta lembrar que oito dos titulares diante da Argentina não eram do time principal durante a Copa do Qatar-2022, embora alguns estivessem no grupo.

Obviamente que isso não exime Diniz de questionamentos sobre as oscilações e falhas do time durante a armação nas eliminatórias. Mas é justo lembrar que esta campanha se dá em um período de transição turbulenta da seleção brasileira, cujo modelo se esgotara no Mundial do ano passado.

Na visão do atual técnico da seleção, haverá o que colher no futuro, seja por forjar jogadores novos no time, seja pela construção do estilo. O técnico argentino, Lionel Scaloni, que passou por processo parecido no ciclo 2022, concordou com essa visão ao chamar as ideias do colega de "interessantes".

Só o tempo dirá que ele está de fato com razão. É possível dizer que, sim, há indícios de jogadores novos que começam a se firmar.

Os casos mais emblemáticos são André e Martinelli, e talvez Gabriel Magalhães. Na ausência de Casemiro, o volante do Fluminense, especialmente, tornou-se titular da seleção como se sempre estivesse destinado a ser o dono da saída de bola da seleção, assim como o ponta do Arsenal tem mostrado brio e utilidade.

Há alguns sinais também de consolidação da forma de jogar de Diniz tanto nas aproximações dos atletas em saídas rápidas quanto na forma de se defender de forma mais agressiva. Foi o que se viu diante da Argentina ainda que a atuação não tenha sido brilhante.

Dito isso, se Diniz tiver razão sobre a futura colheita, o mais provável é que não seja ele o agricultor que vai se aproveitar da plantação. A CBF tem um acordo firmado com Carlo Ancelotti para assumir a seleção no meio de 2024. Isso dá ao atual técnico mais duas datas-Fifa para dirigir o Brasil diante da Espanha e Inglaterra.

Aí há dois caminhos. Ancelotti, como Scaloni, entende que há algo de promissor construído e parte deste trabalho inicial para construir o seu time brasileiro. Ou o italiano não vê sentido no que foi plantado para a formação do seu time e os seis meses atuais foram perdidos.

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Não é uma situação confortável para o atual técnico da seleção. Só lhe resta torcer para que seu sucessor pense como o campeão do mundo Scaloni.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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