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Rodrigo Mattos

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por que prêmio só por título da Champions é inferior ao da Libertadores

Real Madrid x Liverpool: Uefa divulga bola que será utilizada na final da Champions League - Divulgação/Uefa
Real Madrid x Liverpool: Uefa divulga bola que será utilizada na final da Champions League Imagem: Divulgação/Uefa
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

28/05/2022 04h00

A Champions League distribui quase dez vezes mais dinheiro para os clubes participantes do que a Libertadores. Obviamente, considerando toda a campanha, o campeão da competição europeia - seja o Liverpool ou o Real Madrid - ganha um valor multiplicado do vencedor do torneio sul-americano. Mas o prêmio de fato pela vitória na final europeia é inferior ao da Libertadores.

Para entender esse quadro, vamos explicar como funcionam os critérios de premiação dos dois campeonatos e como isso reflete a cultura dos dois continentes.

Pois bem, a Champions distribuirá 2,032 bilhões de euros para os clubes. Liverpool e Real ganharão um valor próximo de 90 milhões de euros só em bonificações técnicas por classificações e vitórias. Há ainda uma parte do dinheiro dividido por valor de mercado do país (market pool) e coeficiente esportivo dos últimos anos.

A Libertadores-2022 vai distribuir US$ 224 milhões (R$ 1,084 bilhão) em prêmios para seus clubes. O campeão terminará o torneio com um total máximo de US$ 25 milhões. O único critério é técnico: classificação por fase, não há dinheiro por valor de mercado do país.

A questão é como a Uefa e a Conmebol determinam a divisão do dinheiro. A entidade europeia estabelece um aumento paulatino dos valores de bônus, enquanto a organização sul-americana prioriza concentrar as receitas para quem chega ao final da corrida.

Na Champions, há cotas garantidas por participar da fase de grupos e bônus por vitórias e empates. A partir do mata-mata, os prêmios por fase são 9,6 milhões de euros (oitavas), 10,6 milhões de euros (quartas) e 12,5 milhões (semis). Os dois finalistas — Liverpool e Real Madrid — garantem 15,5 milhões de euros cada.

Quem vencer a decisão em Paris levará outros 4,5 milhões de euros (R$ 22,9 milhões). Como se pode ver, a diferença entre ser vice ou campeão sob o ponto de vista financeiro não é tão grande.

A lógica da UEFA é de que trata-se de uma distribuição de cota de tv. É natural que fases mais avançadas gerem mais valor nas transmissões e, portanto, sejam melhor remuneradas. Mas os dois finalistas já estão no maior jogo, no maior palco, e devem ser remunerados por isso, com alguma diferença para o vencedor.

Na Libertadores, há cotas garantidas para a fase de grupos (US$ 3 milhões). Depois, o valor cresce pouco por jogo para as oitavas US$ 1,05 milhão. Há um aumento de quase 50% para as quartas (US$ 1,5 milhões), e novo crescimento para semis (US$ 2 milhões). Mas o valor triplica para o finalista US$ 6 milhões para cada - veja que já há uma discrepância em relação à Europa.

Por fim, enquanto o vice se restringe a esses US$ 6 milhões, o campeão da Libertadores fica com US$ 16 milhões. A diferença entre disputar a final e ganhar o título é de US$ 10 milhões (R$ 47 milhões). Ou seja, o último triunfo da Libertadores representa mais do que o dobro do que no caso da vitória na final da Champions.

Desde que incrementou a competição, e melhorou a venda de seus direitos, a Conmebol tem aumentado constantemente os valores dos prêmios da Libertadores e sempre prioriza o campeão. Há um fator claro de marketing que é se estabelecer como maior premiação do continente. A prioridade, portanto, foi por um sistema de "o vencedor leva tudo" em vez de uma lógica comercial.

Lembremos que, no futebol sul-americano, costuma se valorizar praticamente só a campanha campeã. No Brasil, há uma frase popular que fala sobre o vice ser o primeiros dos últimos. Essa lógica de valorizar muito mais o topo, portanto, atende fatores culturais e de marketing.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi publicado, a premiação distribuída na Libertadores é de US$ 224 milhões, e não de US$ 224 bilhões. O erro foi corrigido.