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Blog do Perrone

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Brasileirão na pandemia foi fábrica de jogos ruins e desvalorizou o produto

Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

28/02/2021 12h01

O primeiro Brasileirão desde o início da pandemia de covid-19 nos força a pensar se compensa estrangular o calendário para fazer todos os jogos programados nas principais competições.

Para este colunista a resposta é "não". E o Campeonato Brasileiro é a maior prova disso.

Os problemas começaram com o retorno precipitado. Os jogadores não tiveram tempo para treinar após uma longa parada.

O torcedor foi obrigado a ver jogos que pareciam aquelas partidas beneficentes de final de ano.

Depois, como não há protocolo altamente seguro contra a transmissão do vírus, vivemos a era dos surtos nas equipes.

A questão sanitária justificaria a parada, mas seguimos em frente, acelerando a entrada de jovens em partidas importantes. Aqui um ponto positivo: vários garotos aproveitaram a chance.

Com a entrada da competição em sua reta final, o erro de espremer o calendário ficou mais evidente. Depois dos 30 minutos do primeiro tempo, muito time já estava cansado, com seus jogadores se arrastando em campo. As substituições aos montes, na maioria das vezes, não salvou o nível técnico das partidas.

O torcedor também está esgotado. Mas por ver jogos horríveis, falhas grosseiras, finalizações na lua e erros ridículos de passes. Tudo foi arrematado com arbitragens desastrosas.

Isso cansa e gera rejeição ao produto futebol. Não há paixão que resista. Para ver muitos dos jogos, os fãs pagam pelo sistema pay-per-view. O dinheiro do consumidor deve ser respeitado.

As próprias emissoras de TV precisam pensar. Não seria melhor ter menos jogos para exibir, porém, de melhor qualidade?

O mais incrível é que não aprendemos a lição. Mal terminou o Brasileirão e já começam os Estaduais com uma final de Copa do Brasil pelo caminho. A temporada toda vem aí, com pressa. A fábrica de jogos ruins não vai parar. Azar de todos os envolvidos, não só de jogadores e torcedores. Os cartolas parecem não entender o quanto estão desvalorizando o seu produto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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