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Oscar Roberto Godói


Arbitragem mostrou como é incompetente e sem personalidade em jogos do SPFC

Anderson Daronco apresenta cartão vermelho para Raniel na partida entre Vasco e São Paulo pelo Campeonato Brasileiro - Thiago Ribeiro/AGIF
Anderson Daronco apresenta cartão vermelho para Raniel na partida entre Vasco e São Paulo pelo Campeonato Brasileiro Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Oscar Roberto Godói

Jornalista e ex-árbitro, esteve sob a chancela da Fifa de 1993 a 2000.

26/08/2019 12h57

Em dois jogos envolvendo o São Paulo, vimos o quanto a arbitragem brasileira é incompetente e sem personalidade. São tantos equívocos que podemos generalizar: ninguém escapa. Talvez, só a Edna Alves Batista. Não aprenderam a utilizar o VAR e desaprenderam a assoprar o apito.

No jogo São Paulo 1 x Ceará 0, deixaram de marcar um pênalti para os cearenses, erro escandalosamente endossado pela equipe do VAR. Na sequência do Brasileirão, o São Paulo enfrentou o Vasco, em São Januário, perdendo por 2 a 0.

Aos 34 minutos do primeiro tempo, o árbitro Anderson Daronco expulsou Raniel, atacante são-paulino. A questão é que, inicialmente, tinha marcado apenas uma falta, sem cartão algum. No lance, o atacante Raniel tenta alcançar a bola com o pé, olhando só a bola que estava no alto e atinge a cabeça do adversário Richard, sem gravidade. O árbitro, corretamente, marca falta e nem mostra o amarelo. Entendeu como "acidente" do futebol, tanto é que o vascaíno não precisou de atendimento médico, se levantou imediatamente e continuou participando do jogo.

Chamado pelo árbitro Jean Pierre, responsável pelo VAR, Daronco demorou quase quatro minutos para ser convencido que Raniel deveria ser expulso. O que ele viu nas imagens que não teria visto no campo? A tecnologia mostra visivelmente que o são-paulino não percebe a presença do outro.

Em tempo: bem diferente do que fez Felipe Melo em Luca, do Bahia.

Outro árbitro que fez lambança com respaldo do VAR foi Marielson Alves Silva ao expulsar Léo Sena, do Goiás. O mesmo rigor faltou para mostrar o segundo cartão amarelo para Claus, zagueiro do Inter, na falta que resultou no gol da vitória do Goiás por 2 a 1. O placar amenizou as críticas.

Também tivemos demonstração de muita incompetência e insegurança da arbitragem no jogo Avaí 1 x Corinthians 1. O árbitro Ricardo Marques precisou do VAR para expulsar o corintiano Michel Macedo pela cotovelada que desferiu no adversário. Para onde estava olhando o árbitro que não viu o que aconteceu na disputa da bola?

O Santos empatou com o Fortaleza em 3 a 3, e o árbitro Rodrigo D'Alonso precisou do VAR até para marcar pênalti que aconteceu na cara dele. Não viu ou não quis apitar a favor dos visitantes?

A tecnologia também está substituindo o trabalho correto e competente dos assistentes. Não assumem a responsabilidade no momento e, depois que o lance é concluído, levantam a bandeira para que o pessoal do VAR confirme ou não a condição legal do atacante no impedimento. Assim, não precisa de bandeirinhas correndo na lateral do campo. Coloquem autofalantes.

A tecnologia acertou em anular o gol corintiano marcado por Matheus Jesus. O companheiro Gil estava impedido e participa da jogada. O terceiro gol do Santos, marcado por Sasha, também foi confirmado pelo VAR.

Ainda bem que, apesar da incompetência dos nossos árbitros e da tecnologia, não foram anulados os maravilhosos gols marcados por Jorge, do Santos, e Arrascaeta, do Flamengo.

Coincidentemente, árbitros argentinos estão escalados nos jogos dos brasileiros na Libertadores. Néstor Pitana apita Palmeiras x Grêmio e Patricio Loustau viaja, de novo, para Porto Alegre e comanda Internacional x Flamengo.

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do informado anteriormente, a árbitra se chama Edna Alves Batista, e não Edna Silva. O erro foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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