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Menon

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

David Coimbra, que escreve suave como beijo de mãe, diz adeus

David Coimbra - Reprodução/Facebook
David Coimbra Imagem: Reprodução/Facebook
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Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

27/05/2022 12h46Atualizada em 27/05/2022 12h54

David Coimbra morreu aos 60 anos. Lutava contra um câncer desde 2013. Para travar a luta inglória, chegou a buscar tratamento alternativo em Boston.

Eu sou fã de David. Ele escreve como ninguém. Faz comparações maravilhosas. O Rei das Metáforas.

Em 2008, pedi a muitos colegas um texto sobre o tema: "O craque da minha vida".

E David escreveu sobre Rivellino. Não achei o texto completo, mas aí vai um aperitivo.

O David escreve com a mesma facilidade com que eu como torresmo. Sem erro, rápido e em quantidade. Parei de comer torresmo, mas o David vai continuar escrevendo por muito tempo. A metáfora com que comecei o texto é uma tentativa de brincadeira com o estilo do gaúcho, editor do Zero Hora.

As deles são fantásticas. Vejam um exemplo:

Com seus lançamentos, ele consagrou um ponta tosco, o Gil, chamado Búfalo Gil porque não passava disso mesmo: força e velocidade, feito um boi. Lá da intermediária de defesa, o Riva dominava a bola e a fazia atravessar o campo numa viagem de 60 metros sobre as cabeças pasmadas dos jogadores dos dois times. A bola aterrissava sempre no pé direito do Gil, suave como beijo de mãe, e o Gil investia área adentro e dava um chute seco, à meia-altura, e fazia o gol do Flu. Com Rivellino, Gil foi para a Copa do Mundo. Sem Rivellino, Gil percorreria todos os dias a Avenida Atlântica, do posto 1 ao posto 6, com uma vassoura na mão, trabalhando de gari"

Assim escreve o David.

Desculpem, mas ainda não consigo falar dele no passado