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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Prata da Fadinha é filme perfeito, mas é menos que o bronze de Scheffer

Fernando Scheffer comemora o bronze nas Olimpíadas de Tóquio - Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Fernando Scheffer comemora o bronze nas Olimpíadas de Tóquio Imagem: Satiro Sodré/SSPress/CBDA
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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

28/07/2021 10h00Atualizada em 28/07/2021 13h23

Se um filme sobre Rayssa Leal, a Fadinha, for feito - seria ótimo e importante alguém abraçar essa ideia - o produtor poderia economizar na contratação de um roteirista, profissional fundamental.

A história está aí. Não precisa de mudanças ou adaptações. O pedido de skate aos cinco, o desejo realizado aos seis, as manobras nas ruas de Imperatriz, o vídeo viralizado e compartilhado até pela lenda Tony Hawks e a participação no Esporte Espetacular quando Glenda Koslowski cumpriu outro desejo dela: conhecer Letícia Bufoni, a referência.

Quantos minutos de filme? Calma, que está apenas começando. Há ainda que contar o início da profissionalização, alguma incerteza, a perda de uma infância "normal", a confirmação de que o skate seria esporte olímpico e...o grande final.

As caminhadas pela Vila, aí lado da agora amiga e competidora Letícia e a transformação de atleta em estrela pop.

E há outro nome a dar para uma menina de 13 anos que leva a Globo a conseguir audiência de BBB em horário de BBB sem ter BBB ativo?

O jeito brincalhão, a amizade com a garota filipina, a leveza infantil, mostrando que o esporte pode ser lúdico, mesmo competitivo.

E a prata, que não pôde ser ouro após uma queda em uma manobra. Drama embalado em alegria. E o filme poderia terminar com alguma criança de seis anos maravilhada pedindo um skate para o pai. Ou para Papai Noel.

Uma medalha de prata histórica, o início de uma caminhada, um fio a se desenrolar.

E se a prata da Fadinha é o início de um fio e também por isso tem tanta importância, o bronze de Fernando Scheffer faz parte de um novelo. Se uma é um início de patchwork, a outra é uma colcha.

O bronze nos 200 livres foi a 14° da natação brasileira. Uma história que começa em Helsinque-52, com outro bronze, o de Tetsuo Okamoto nos 1500m, e passou por outras quatro de Gustavo Borges, - uma delas em um revezamento que tinha ainda Scherer, Valério e Carlos Jayme, mais três de Cesar Cielo - a única de ouro.

Thiago Pereira, Fernando Scherer, Ricardo Prado, Manuel dos Santos, o revezamento de Djan Madruga, Marcos Matioli, Ciro Delgado e Jorge Fernandes, enfim 14 medalhas conquistada por 14 atletas em seis modalidades diferentes. Conquistas que preenchem 60 anos.

É diferente. Tem mais peso. E se o skate chega sob o signo da alegria, a natação traz consigo o peso do sacrifício. E até do sofrimento. É muito treino, muito desgaste físico, muita luta para chegar aos Jogos. E mais ainda para estar em uma final.

Todos são vencedores. Todos são medalhistas olímpicos. Todos merecem respeito e consideração.

Mas o bronze vindo das águas tem mais peso que a prata alcançada entre o corrimão e o cimento.

O peso histórico.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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