PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Menon


Menon

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Marcelo Tieppo, presente!!!

Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

09/04/2021 10h41Atualizada em 09/04/2021 10h41

O dia começou da pior maneira possível. Um recado de Marcelo Mora, o Norinha, avisa que o maldito câncer, depois de tantas prorrogações, havia vencido Tieppo, Tieppinho, Tiepoaço.

Há cinco anos, ele lançou um livro contando sua saga e seu amor pelos Beatles. Cada capítulo tinha o nome de uma música. Cada capítulo tinha um pouco de sua força. Ternura e indignação, como diria o Ernesto Guevara Arce.

Eu fiz a apresentação do livro.

"Quando o Tieppinho, Tieppaço, me pediu para escrever algumas palavras sobre o livro dele, aceitei na hora. Somos amigos há muito tempo. Eu gosto dele. Ele gosta de mim. Somos dois comunas ainda cheios de ilusão neste início de século 21.

E lá fui eu ler o livro. E a cada letra, palavra, parágrafo, me sentia cada vez mais ocupando o espaço que deveria ser de outro.

Como um amigo passou por tanta coisa e eu não estive a seu lado? Soube uma vez que ele havia passado por um câncer e não telefonei.

E como fiquei sem saber de toda essa caminhada, de toda essa luta? O mais grave é que eu também não saberia se as notícias fossem boas. Como dois amigos podem ficar tão longe? Por que as pessoas não se encontram quando não estão mais na mesma redação?

Toda nossa torcida nas eleições merecia ao menos uma reunião regada a refrigerante, já que eu não bebo e ele não podia beber. A gente poderia ter ido ao menos em um comício em vez de trocar mensagens pelo Facebook.

Tieppinho, se você superou essa luta with a little help from your friends, eu fui um amigo ausente.

Mas não vou recusar essa honra que você me deu. O que posso dizer é que o livro é a prova de que você é o cara. Mais que o Roberto Carlos.

E já que estamos falando de música, amigo, eu me lembro do título de uma das músicas de Erasmo Carlos:

Gigante Gentil.

É você, amigo.

Vai na paz, velho. Tenho certeza que você gostaria da foto que ilustra minha despedida de ti.

Menon