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O fantasma dos 7 x 1 ainda atormenta Júlio César

O ex-goleiro Júlio César marcou presença na cerimônia "The Best", da Fifa - Michael Regan/Fifa/Getty Images
O ex-goleiro Júlio César marcou presença na cerimônia "The Best", da Fifa Imagem: Michael Regan/Fifa/Getty Images
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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

15/08/2020 10h47

Júlio César chegou atrasado no lance. Não sei se por reação lenta ou por querer deixar o assunto escondidinho, lá no canto mais longínquo da memória. O fato é que quando disse esse jogo lembra um que eu participei, o twitter já estava lotado de referências ao 7 x 1 de 2014, a maior vergonha da história do futebol.

Estava 4 x 1para o Bayern. E quando Luisito Suárez fez o segundo, deixando Boateng na saudade, Júlio César fez uma ilação, mostrando que o amargor estava presente: se fosse um zagueiro brasileiro, vocês estariam criticando.

No final do quatro vira e oito acaba, Júlio César recorreu ao currículo de Ter Stegen para justificar o 7 x 1. "Gostaria até de me defender. Muita gente fala do 7 a 1. Tá aí o Ter Stegen, um dos melhores goleiros do mundo, tomando um 8 a 2. Ele não deixa de ser um dos melhores por isso. Futebol é apaixonante porque esse tipo de coisa pode acontecer", disse.

Gostaria de me defender. Mas quem estava atacando? Júlio estava entre amigos. Ataques no twitter? Será que ele estava vendo?

A verdade é que os 8 x 2 do Bayern de Thomas Muller fizeram mal a Júlio Cesar. Trouxeram à tona lembranças que ele pensava soterradas.

Nunca estarão. E ele nem foi o maior culpado, os gols eram indefensáveis. O problema foi o pacote todo, aquele blablabla de Família Scolari, aquele atraso futebolístico representado por Felipão e Parreira, a tentativa de trazer jornalistas para a corrente pra frente, afinal os europeus estão unidos contra o Brasil, a alegria nas pernas, a camisa de Neymar nas mãos, como se ele tivesse morrido na guerra e a carta de Dona Lúcia, a última contribuição de Parreira à CBF, o Brasil que deu certo...

É muito compreensível que Júlio César, um vencedor, não consiga se desvencilhar daquela tragédia. Nós também estamos presos àquela comédia toda. Não adianta. Um dia, sempre volta.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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