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Esmeraldo Tarquínio: "Dívida e folha salarial do Santos são pornográficas"

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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

08/07/2020 04h00

Esmeraldo Tarquínio é sócio do Santos há 57 anos. O título foi comprado por seu pai antes se seu batismo e do registro de nascimento.

É conselheiro há 30 anos e agora é candidato à presidência do clube. Em entrevista ao blog, fala sobre seus planos e sua preocupação com as finanças do clube.

Quanto é a dívida do Santos? Como enfrentá-la?

No ano que vem, será de R$ 550 milhões. Precisa ser reestruturada, com muita negociação. E não pode crescer. Vou dar um exemplo: o Santos arrecadou no último ano 185 milhões de cota de televisão, bilheteria e venda de jogadores. E tem uma folha salarial de R$ 15 milhões mensais. Sobram R$ 5 milhões por ano. A folha salarial precisa diminuir. A folha e a dívida são pornográficas.

Como fazer isso?

Jogadores como Cueva, Brian Ruiz e Uribe ganham R$ 600 mil por mês. Não pode. Vou chamar jogadores para uma renegociação. Quero atletas-parceiros, que aceitem salários menores em troca de maior participação nos seus direitos. Quem não aceitar, sairá.

O time vai sofrer?

O primeiro ano será de ajustes. Será de vacas magérrimas, tratadas com farelo e água. Depois, vai melhorar.

Por que a dívida é tão grande?

O presidente Peres tem muita responsabilidade nisso. Vou dar exemplos. Ele recebeu 200 milhões da venda do Rodrigo. Ora, quem tem dinheiro na mão, tem força para renegociar. Deve dez e paga oito. Ele não fez nada. E tem o caso Leandro Damião.

Ainda?

Pois é. Foi feito um acordo com a Doyen Sports, empresa que emprestou o dinheiro para a compra. O Santos pagaria 23 milhões de euros em três parcelas. Se atrasasse alguma, haveria multa de 10 milhões de euros. O Santos pagou duas (13 e 5) e não pagou a terceira (5 milhões) e a dívida voltou a ser de 15 milhões. O exemplo do Cruzeiro está aí e ele não vê.

Existe problemas com a Fifa também?

Sim. O Santos deve dinheiro para o Brugges (Luan Peres), Atlético Nacional (Aguillar), Hamburgo (Cléber Reis), Krasnodar (Cueva) e Huachipato (Soteldo). Precisa acertar para fugir de sanções como proibição de registro de jogadores ou até perda de pontos.

O que mais pode ser feito para diminuir a dívida?

Precisa gerir melhor os contratos. O Santos perdeu o Bambu de graça e o Atlhetico vendeu por 8 milhões de euros.

Voltando ao time. Se jogadores saírem, como fazer a reposição?

Vamos usar a base. O Santos nunca teve medo de lançar jogadores. O que não pode é dispensar o Ricardo Oliveira por ganhar R$ 200 mil e agora querer de volta por R$ 300 mil. Eu vou lançar também um programa esportivo para acompanhar o garoto desde os oito anos, passando pelo futsal até os 20 anos. Nosso ginásio de futsal foi derrubado para servir de estacionamento para clubes visitantes.

A marca do Santos é forte?

Muito forte. E o marketing arrecada apenas R$ 3 milhões por ano. Precisamos recuperar a credibilidade e "vender" o clube.

E a Vila? Tem algum projeto?

Algumas melhoras para aumentar a comodidade de quem vai ao jogo. Não vou fazer projetos de Arena ou retrofit (reformas que remetam a projetos antigos). O retrofit custa R$ 200 milhões e a gente ficaria dois anos sem estádio porque o Pacaembu também vai ter reformas. Arena, só se entrarem com todo o dinheiro e a gente, com nossa marca.

O Santos vai jogar só na Vila?

O Santos vai jogar onde a torcida do Santos estiver. Vamos buscar um estádio na região do ABC. Vamos para o interior de São Paulo, para o Norte do Paraná, onde nossa torcida é enorme. Vamos para Brasília, vamos atrás de nossos torcedores. Tudo depende, é lógico, da fase do campeonato e do ganho técnico.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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