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Hoje tem Garrincha, o Anjo das Pernas Tortas. Vejam e sejam felizes

Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

25/06/2020 04h04

Livre pensar, é só pensar.

E eu, nos meus devaneios, sei como nasceu o futebol. O meu futebol. O futebol que eu amo.

Foi em São Paulo. Charles Miller e seus amigos de coxa branca estavam maltratando a bola. Então, um deles deu uma bicuda. A bola subiu muito e caiu como um meteoro. Veio pesando muitos quilos para fora do campo.

Um garoto descalço viu. E quantos muitos corriam assustados, ele inflou o peito e...matou no peito. Um amiguinho pediu e ele tocou. Ela retribuiu os bons tratos e, feliz da vida, saiu por aí, bem acompanhada.

E nasceu o futebol.

Pode ter sido no Rio, com Oscar Cox.

Pode ter sido em Buenos Aires, com os irmãos Hogg.

O certo é que o esporte que amamos cresceu nas várzeas, nas favelas, nos potreros. Uma bola, quatro chinelos e alguns dedões estourados.

E esse futebol idealizado por mim, tem a cara de Garrincha. E de Maradona. Um aleijado e um anão. Que esporte mais poderiam praticar?

E Garrincha estará na televisão hoje, a partir das 19 horas. Direto do túnel do tempo. Direto do meu amor pelo futebol.

Dez de junho de 1962. Já não há Pelé, contundido. O rival é a Inglaterra, com Bobby Moore e Bobby Charlton, que seriam campeões do mundo quatro anos depois.

Garrincha fez um de cabeça. Eles empataram. No segundo tempo, falta para o Brasil. Didi prepara uma folha seca. Garrincha de antecipa e bate forte. O goleiro rebate e Vavá faz, de cabeça. E depois, Garrincha recebe um passe e de pé direito, faz o terceiro.

Três dias depois, faria um de cabeça e outro, de canhota nos 4 x 2 contra o Chile. Foi expulso. E, vergonhosamente, graças às tramóias do futebol, jogou a final contra a Tchecoslováquia.

A maior participação de um brasileiro em Copas do Mundo.

Garrincha, a quem negam seu valor na história.

Aos que dizem que não jogaria hoje, eu só digo o seguinte: Douglas Costa joga, Ribery jogava, Robben jogava, Keno voltou, Michael joga e o Ajax contratou Antony.

Menon