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Autuori detalha conversas com Yaya Touré e mira até Libertadores com o Bota

Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

12/06/2020 04h00

Paulo Autuori.

Maior respeito.

No pessoal e no profissional.

Às vezes, penso que ele tem pouca paciência com o futebol brasileiro e pede para sair quando a realidade não o agrada.

Será que se acha acima do futebol brasileiro, por toda sua comprovada qualificação? Foi a minha primeira pergunta.

"Imagina, de jeito nenhum. Os protagonistas do futebol devem ser apenas os jogadores e torcedores. Quando alguém tenta roubar esse protagonismo, tudo fica ruim."

Paulo tem a fama de não trabalhar onde o salário atrasa. O dele e o dos jogadores. Ele explica que não é só isso que o incomoda. "Palavras são bonitas e o vento leva. Precisam ser respaldadas por atos, gestos, atitudes e ações. Não gosto de promessas vãs".

Persistente ou teimoso? É a diferença entre ficar e sair. "Quando há sinais positivos, eu fico porque sou persistente. Quando não há indício algum de mudanças, se eu ficar é porque sou teimoso".

Ele vê bons sinais no Botafogo. "Vamos fazer um campeonato tranquilo. A Sul-americana é nosso piso. Daí para cima, buscando a Libertadores, mas o futebol é bonito porque, dependendo do trabalho, você pode ir acima do que planejou".

Haverá reforços, dentro de um planejamento pragmático. "O Botafogo está passando por uma trânsição e terá um grupo de investidores responsável pelo futebol. A atual diretoria quer entregar o clube em boa situação. Então haverá reforços, são necessárias, mas tudo será feito de forma pragmática, o que não significa que não poderemos sonhar".

Honda e Nazário podem jogar juntos. Sim, Autuori tem tudo na cabeça, me contou tudo, mas eu não conto para vocês. Apenas uma dica. São de posição diferente. Nazário joga atrás do centroavante. Honda é um volante de saída de jogo, pela direita, mesmo sendo canhoto.

Yaya Touré poderia ser outro vetor na formação do time. Não virá mais, apesar de as negociações terem caminhado bem no início.

Autuori participou delas. Acreditava, que, como Honda poderia ser uma referência técnica, e autofinanciada a partir de marketing.

Em fevereiro, houve uma conversa. "Perguntei se ele conhecia a realidade brasileira, a realidade do Rio, do futebol brasileiro, carioca, a história do Botafogo e a situação atual do Botafogo. Expliquei, conversamos e depois as coisas evoluíram. Recebeu a proposta e no fim, não se concretizou. Não julgo ninguém".

A diferença entre história e saúde financeira é algo que precisa ser entendido, segundo Paulo. "Os dirigentes gastam muito para ter um time à altura de seu passado. Não conseguem, o clube passa a ter mais dívidas e fica cada vez distante de sua história. É preciso dar uma freada, se organizar, antes de ganhar títulos. É o que o Flamengo fez com o Bandeira de Melo.

Ele cita outros exemplos de clubes bem dirigidos. Cita o Grêmio, Furacão, Bahia, Fortaleza e Ceará. Não virá o São Paulo, time que dirigiu na conquista do Mundial-05. "Deixou de ser referência. Uma força do São Paulo era a alternância de poder. Quando abandonaram essa característica, aumentando o mandato dos presidentes e abrindo não de funcionários como Turíbio e Carlinhos Neves, tudo piorou. Quando cheguei em 2013, Rogerio Ceni me avisou que o São Paulo não era mais como antes".

Há uma lenda sobre a passagem de Autuori no São Paulo em 2005. Juvenal Juvêncio o teria obrigado a jogar com três zagueiros. Eu cobria o São Paulo nesse período. Sei que é lenda, mas deixemos Autuori explicar.

"Juvenal nunca fez isso e, se fizesse eu não aceitaria. Eu preferia jogar com linha de quatro, mas nunca coloquei minha vontade acima da necessidade. Não iria mudar o esquema 3-5-2, apenas não gostava de como era utilizado no Brasil, com zagueiros sem saída para o jogo".

Houve alguma modificação?

Sim. Imagine um lateral esquerdo atacando e perdendo a bola. Geralmente, o lateral do outro lado passa a atuar comi um volante. Eu mudei. Pedi para continuar na dele, como ponta e para o outro lateral compor a linha de quatro. Então, se o Júnior perdesse a bola, ele ficava no ataque, o Lugano cobria, depois vinham Fabão, Edcarlos e Cicinho. Linha de quatro".

E o futebol brasileiro, Paulo?

Sabe qual meu sonho? Ver um ex-jogador, com muito preparo, comanda dando a CBF. Seria um orgulho, assim como temos o Bayern, com Beckenbauer e Rummenigge".

Como chegar lá?

Precisamos discutir mais, debater mais. É preciso pensar mais no futebol brasileiro, melhorar o nível, para que todos ganhem. Aí, com nível alto, teríamos grandes clubes, a nível internacional. Mas, cada um pensa em si".

Um exemplo?

"Os diferenciais técnicos é que devem decidir. Não se pode aunentá-los ou diminui-los com campos ruins, com horários que privilegiam o calor e principalmente com a discrepância enorme dos direitos de transmissão de jogos. Na Premiere League, a diferença é de 30%. Aqui, o Flamengo chega a ganhar 200% a mais".

E quais os parâmetros que você sugere?

"O que eu sugiro é um grande fórum de discussão, com todos os interessados. Assim, a decisão que sair daí não pode mais ser contestada".

Menon