PUBLICIDADE
Topo

Futebol está sob ataque do ódio e da burrice

Bruno Silva, do Avaí, agride torcedor do Figueirense com um chute - Reprodução/Premiere
Bruno Silva, do Avaí, agride torcedor do Figueirense com um chute Imagem: Reprodução/Premiere
Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

03/02/2020 11h31

O freguês sempre tem razão.

Era esta a única "ofensa" que dedicávamos aos nossos "inimigos" naquele tempo que a memória luta para manter vivo.

E o freguês se referia à última partida. Ninguém sacava estatísticas que fazem um raio-x histórico do confronto.

E quando não havia uma vitória sequer para carimbar o freguês na testa do. rival, sacávamos um argumento muito estanho: "com o Pelé é fácil, quero ver sem ele".

Era o máximo em termos de depreciação do rival. A paixão pelo clube suplantava o ódio ao adversário.

Velhos tempos...

Hoje, por exemplo, vemos uma corrente torcendo alucinadamente pelo fracasso de Vinícius Jr. Ele não pode se firmar no Real Madrid. De jeito nenhum. Se for cedido a um clube menor, seu fracasso será tema de conversas familiares, de congraçamento em clubes, quem sabe, tema de festas infantis.

Vinícius Jr é Flamengo então pode ser feliz. Ricardo Gomes? Uh, vai morrer. E viva o cinto de segurança que matou Denner. Ah, time de assassinos. Assassino? Estão ofendendo sobreviventes, amigos dos que morreram.

O ódio é de classe. Ela, ela, ela, silêncio na favela. De classe, em termos. Muitos dos que gritam também moram em favela. Bambi. Time de viado.

O ódio chega aos jogadores. Bruno Silva vivia de dar pontapés com a camisa do Botafogo. Foi dar pontapés no Cruzeiro e, sem o mínimo respeito, disse que estava em um time grande. Agora, no Avaí, continua dando pontapés. Como é muito grosso, mira no torcedor e acerta a cabeça de seu goleiro.

A festa está proibida. Os procuradores, em busca de holofotes, confessam sua incompetência e proíbem tudo, até bandeiras, e impõem, através da torcida única, a paz dos cemitérios.

Comemoração com a torcida leva amarelo. Tampar o rosto leva amarelo. Tirar a camisa, leva amarelo. A lei diz que o jogador DEVE ser punido. A lei, ora a lei. Troque-se o Deve por PODE e, pronto, temos alegria novamente.

Claudinho pedalou em frente de Felipe Melo. Foi afrontado pelo brucutu. Em breve, será punido, como foi Neymar. Jogador não pode perder a cabeça ao se dirigir a Vossa Senhoria. Aqui e acolá, o árbitro é um sargentão, escalado para colocar ordem na alegria. Quer reclamar? Escreva um requerimento em papel ofício, com três vias. Carimbadas.

A identificação total com um clube leva ao ódio. Os que chamam o Flamengo de assassino, agiriam como se a tragédia fosse com seu time? Na verdade, a maioria não está preocupada com as mortes ou com a impunidade.

O gavião menor de idade que soltou um sinalizador na Bolívia, ocasionando a morte de Kevin, 14 anos, foi tratado como vítima, como um dos nossos.

É nóis.

Subiu na hierarquia do Bando de Loucos.

O futebol, realmente é o reflexo da sociedade. Principalmente a brasileira, dominada pelo ódio e pela ignorância.

Menon