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Landim, não é a Globo. São mães de meninos mortos

Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

02/02/2020 04h04

Há quase um ano, em 8 de fevereiro de 2019, o Flamengo viveu a maior tragédia de sua existência. Garotos que viviam alojados precariamente foram queimados vivos.

Uso a palavra tragédia para não ser venal e falar em assassinato. E não ser conivente, utilizando fatalidade. Que a Justiça decida.

O presidente Landim trata o assunto de forma covarde e insensível. Em vez de chamar jornalistas para uma entrevista coletiva, que reuniria mídia de todo o planeta, preferiu a voz oficial da TV Flamengo.

A covardia soma-se a uma falta de noção básica de comunicação. Poderia falar ao mundo como está resolvendo a situação das famílias dos jovens mortos.

Mas, o que ele diria? Negocia com mães e pais atrasados com a mesma dureza que negocia com a Globo? A mãe de Riquelmo é tão adversária como os filhos de Roberto Marinho.

É proibido piscar. Não se pode ceder. Será que Landim acredita que, se ceder agora, terá de ceder em caso de um novo incêndio.

É muita insensibilidade. E os sobreviventes dispensados? São meninos para quem o Flamengo deveria estar pagando assistência psicológica e não exigindo desempenho futebolístico.

Landim já deveria ter feito um acordo com as famílias. E exigido celeridade da polícia nas investigações. O Flamengo ganharia muito com isso. Voltaria a ter uma imagem limpa.

Landim diz que o Flamengo pode ganhar tudo. Pode mesmo. O que não vai conseguir é perder. Perder a mancha sobre sua história.

Menon