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Mauro Cezar Pereira

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

O que as derrotas de Santos e Inter e a vitória do Flamengo têm em comum?

Marcelo Lomba foi muito exigido na meta do Inter: 21 finalizações bolivianas, oito no alvo e pressão do Always Ready - Ricardo Duarte/Inter
Marcelo Lomba foi muito exigido na meta do Inter: 21 finalizações bolivianas, oito no alvo e pressão do Always Ready Imagem: Ricardo Duarte/Inter
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

21/04/2021 04h05Atualizada em 21/04/2021 19h44

É evidente que os times brasileiros figuram entre os que possuem melhor condição financeira entre os participantes da Libertadores. Mas o fato seu poder de investimento sem maior não assegura vitórias. É preciso lutar por elas, jogar bem. Mas persiste o desprezo de parte da comunidade do futebol no país em relação aos vizinhos.

As derrotas do Santos, em casa, para o Barcelona de Guayaquil, e do Internacional, em La Paz, para o até então desconhecido Always Ready, são daquelas lições que se repetem anualmente, mas jamais serão aprendidas por muitos. Também, por isso esse tipo de resultado que surpreende seguirá acontecendo e integrando a magia dessa competição.

O vice-campeão brasileiro foi bombardeado em La Paz, com 21 finalizações da equipe local, de acordo com as estatísticas do One Football. E o time boliviano sequer atuou no Estádio Municipal de El Alto, a 4.090 metros de altitude, mas no Hernando Siles, a menos de 12 quilômetros dali, instalado a "apenas" 3,6 mil metros do nível do mar.

Claro que a realização da peleja nas alturas pesou, mas o Always Ready mostrou que pode, sim, fazer os nove pontos em seus domínios e lutar pela classificação. Algo que já ficou mais difícil para o Santos logo na estreia com a derrota ante o Barça equatoriano. O vice-campeão de 2020 caiu diante de um clube que há tempos se arrasta em meio a problemas econômicos.

Até quem venceu, o Flamengo, vê parte de sua torcida desmerecer o próprio triunfo, apesar de o Vélez Sarsfield liderar seu grupo na Argentina. Dado o poderio do elenco rubro-negro, há quem torça para o time carioca e, ao mesmo tempo, imagine que todos os adversários na verdade são meros sparrings. Mesmo com o histórico de vexames do clube em certames internacionais neste século.

A arrogância brasileira ainda gera surpresas. E há uma diferença entre possuir mais recursos e saber explorá-los bem. E isso nem sempre ocorre no futebol brasileiro. Internacional e Santos têm treinadores que iniciam seus trabalhos, claramente de longo prazo, desde que permitam. Eles começarão a conviver com o imediatismo e cobranças desproporcionais.

Não, em geral o brasileiro não costuma estar pronto para lidar com o futebol em processo de evolução natural. É tudo para ontem, principalmente quando ocorre uma derrota, mesmo quando o time ganha troféus. A #ForaCeni, que clama pela saída do técnico campeão brasileiro e da Supercopa do Brasil com o Flamengo, confirma isso.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL